Ruas para andar…

 

ruas de moema

 

Tenho saído muito as ruas desde que me mudei para Moema — zona sul de São Paulo… onde as ruas e as pessoas te convidam para um exercício comum: caminhar — de uma esquina a outra.

As ruas são grandes retas… sem as conhecidas subidas e consequentemente descidas paulistanas — que reinventam distâncias, cenários.

Aqui os cenários repetem as vilas que trago na memória… vira-se uma esquina e uma sorveteria acena com seus sabores conhecidos: fragolone, dulce de leche, stracciatella. As cadeiras — dispostas ao ar livre, com seus ombrelones imensos — acenam e você cede… e os diálogos  avançam  tarde a dentro…

Há um sem fim de vitrines coloridas… com suas roupas de grife, frascos de perfumes e o cão é bem-vindo em quase todos os lugares. Ele gosta e agradece com gestos em pares. Aceita o petisco, a água, o carinho e se esparrama pelos lugares que o recebe.

As casas, no entanto, são poucas… as que sobreviveram aos investimentos imobiliários exibem placas de ‘aluga-se e vende-se’ como se o bairro estivesse sendo descartado por sua gente. Os moradores mais antigos contam a história do lugar que teve seu córrego de águas ferozes… o percurso foi soterrado, mas dizem as lendas do lugar que, em dias de chuvas de verão… ele se reinventa contra a vontade dos humanos.

“aqui já foi um bairro de casas” — foi o que me disse uma senhora, que me aconselhou a avançar até a ‘praça dos cachorros’ com o meu menino de quatro patas. Ela suspirou as mudanças acompanhadas de perto ‘sou tão veglia quanto essa árvore’ — disse, apontando para uma frondosa árvore prestes a derramar sua primavera…

Hoje o bairro pertence ao comércio e seus prédios altos… que são constantemente ‘atropelados’ pelos aviões que cruzam os céus — em movimento de pouso ou decolagem. Depois de alguns meses por aqui… o barulho se aquieta e você nem se lembra mais dos “vôos artificiais”. Só dou  por eles quando os aviões se mostram aos seus olhos num desses passeios diários…

Numa dessas simpáticas esquinas descobrimos um Café… aquele com seu nome estrangeiro, sua sereia de duas caldas e o bom e velho aroma de sempre. Mais um punhado de horas escorre, só não sei dizer se para dentro ou para fora.

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7 comentários sobre “Ruas para andar…

  1. MariaLDário disse:

    Eu adoro esses seus passeios pelo bairro. Vou junto com você. Sinto como se pegasse um livro e começasse a folhear suas páginas e a cada novo parágrafo, uma surpresa acontece.

    beijocas menina Catarina/Lunna

  2. Lua Nova disse:

    Absorvo tua visão, imagem a imagem, e percebo o quão rica pode ser uma simples caminhada. Amo essa sensação de que você me pega pela mão e me leva por aí.

    bacio bella.

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