Cenas Urbanas…

Seguia olhando para o chão, colhendo folhas — hábito antigo que preservo. A cada passo dado, eu meditava alguns dos meus versos favoritos de Cecília Meireles — tenho fases como a lua, fases que vão e que vem num secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para o meu uso.

E ao levantar dos olhos, esbarrei em um casal… no ponto de ônibus, perto da praça, com seus trajes esportivos e mochilas. A cena atraiu cada um dos meus sentidos. De mãos dadas e sorridentes, conversavam amenidades.

Mas o signore engoliu os verbos, soluçou substantivos e perdeu a fala ao se deparar com uma bela ragazza: pernas a mostras, cabelos longos, óculos escuros nos olhos e a pele macia, dourada de sol.

Ele exibiu o mais belo dos sorrisos e os seus olhos seguiram-na por toda a rua. Ela corria a verdes passos. Mas, acabou por demonstrar mais empolgação do que lhe era permitido. E a donna, a bordo de seus setenta anos (imagino eu) deu-lhe uma cotovelada — daquelas que chegam a doer só de ver. Imagina senti-la na altura das costelas. Eu até me esqueci como se respirava e soltei um longo aiiii…

Inconformada, ela disse dúzias de gentilezas, que não me atreverei a repetir… e fez questão de ressaltar a condição dele: você é um velho, coloque-se no seu lugar. E diante do problema criado, passou a elogiá-la, lembrando-a de que era dela o seu cuore e mais meia dúzia de frases típicas de um menino que aprontou das suas.

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

7 comentários em “Cenas Urbanas…

  1. Lunna, meu tio Antonino era vítima dos ciúmes da minha tia. E ele se preocupou com isso até uma certa idade, depois fazia apenas para “aborrecê-la”, ele achava lindo a “braveza” dela. Na verdade, ele é que era o ciumento e ela arrumou um jeito de lhe dar o troco. Ele sentiu ciúmes até da morte dela, morreu três dias após.
    Boa semana! Beijus

  2. Lunna, que bom voc~e me visitar…já estava com saudades!
    Então menina, tenho sim me derretido em sorrisos, quase igual ao sol =P
    Ando bem feliz..

    E, só para ilustrar… eu sou uma ciumenta de carteirinha… tadinho de quem me ama!

    beijo!!

  3. Acho que ela tem razão, não por uma questão de ciúmes, mas de respeito. Quando você está acompanhado por sua “eleita”, toda sua atenção deveria ser para ela…estou sonhando, né?
    Beijos.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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