Lemos demais… e escrevemos demais!

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Passa das onze… as horas avançam em pares… a noite se esparrama pela cidade e as preces crescem nas janelas que os meus olhos alcançam..

Enquanto a chuva não vem… aqueço a água para um chá de menta e vou colhendo livros da prateleira: Caio Fernando Abreu e seus ‘fragmentos de vida‘, ‘Olhos de menina‘, de Susan Fletcher, ‘A poesia de Emily Dickinson‘ na voz de Isa Mara Lando, e seus muitos trechos de vidas próprias-impróprias-silogismos… coisas reais-inventadas-falsificadas.

Às vezes, me incomoda saber que existem muitos livros… e eu não terei tempo para ler todos eles. Nunca há tempo bastante e me preocupar com isso é visivelmente uma perda de tempo. Mesmo assim não consigo evitar! Não a essa hora da noite… que eu sei, será vivida ‘em branco’… com os olhos dentro das páginas dos livros.

…e quando a manhã se anunciar com suas cores de aurora… irei lá para fora — antes que os humanos dessa cidade despertem — contar os passos pelas calçadas, na companhia de meu cão… esse menino que caminha mais feliz quando não precisa de um guia em seu pescoço, afinal, não há humanos a solta nessas horas… e ele tem direito a sua generosa porção de liberdade.

Tenho para mim, que ele se questiona em seu mundo: porque o guia vai em seu pescoço, e esses humanos perigosos caminham a solta por aí? Essa é apenas uma, das ironias da realidade…