Lemos demais… e escrevemos demais!

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Passa das onze… as horas avançam em pares… a noite se esparrama pela cidade e as preces crescem nas janelas que os meus olhos alcançam..

Enquanto a chuva não vem… aqueço a água para um chá de menta e vou colhendo livros da prateleira: Caio Fernando Abreu e seus ‘fragmentos de vida‘, ‘Olhos de menina‘, de Susan Fletcher, ‘A poesia de Emily Dickinson‘ na voz de Isa Mara Lando, e seus muitos trechos de vidas próprias-impróprias-silogismos… coisas reais-inventadas-falsificadas.

Às vezes, me incomoda saber que existem muitos livros… e eu não terei tempo para ler todos eles. Nunca há tempo bastante e me preocupar com isso é visivelmente uma perda de tempo. Mesmo assim não consigo evitar! Não a essa hora da noite… que eu sei, será vivida ‘em branco’… com os olhos dentro das páginas dos livros.

…e quando a manhã se anunciar com suas cores de aurora… irei lá para fora — antes que os humanos dessa cidade despertem — contar os passos pelas calçadas, na companhia de meu cão… esse menino que caminha mais feliz quando não precisa de um guia em seu pescoço, afinal, não há humanos a solta nessas horas… e ele tem direito a sua generosa porção de liberdade.

Tenho para mim, que ele se questiona em seu mundo: porque o guia vai em seu pescoço, e esses humanos perigosos caminham a solta por aí? Essa é apenas uma, das ironias da realidade…

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13 comentários sobre “Lemos demais… e escrevemos demais!

  1. Tatiana Kielberman disse:

    Estava pensando nisso ontem, há mesmo inúmeros livros que nunca terei tempo de ler. É uma pena!

    E à noite esse sentimento se aprofunda. Deve ser nostalgia.

    Gostei da ideia de se embriagar de palavras, sejam elas alheias ou nossas. Pode ser saudável ou danoso, depende do nosso olhar.

    Beijos!

  2. Felícia disse:

    Enquanto minha escrita não retorna, fico aqui a te ler Catarina. Menina, você me encanta. Eu me sinto transportada para o seu cenário, seus aromas, seu afeto. Como é bom poder ler, compartilhar palavras que me passam serenidade e alegria. Suas insanidades são minhas euforias, viu?

  3. Cibele disse:

    Quase consegui chegar a chavena de chá de menta que tão presente me parecia. Eu as vezes também fico a pensar nos livros que não li e dentro da noite o pensamento é ainda mais denso como disse a Tatiana! Vamos culpar a noite. Eu faço isso sempre.

  4. Mel disse:

    É um deleite vivenciar essa sua agonia, se é que posso chamar assim, para com os livros. Eu não penso nisso. Aliás, pelo visto vou começar a pensar agora. É muita coisa. Muita coisa mesmo e eu sempre prefiro a televisão aos livros.

    • Lunna Guedes disse:

      Eu não chamaria de agonia Mel, mas também não sei que nome usar para essas insanidades que me levam a pensar nos livros que ainda não li e que pelo visto não lerei. Agora, uma coisa eu sei, não será por causa da televisão, viu? rs

      bacio

  5. Lu Cavachioli disse:

    Caríssima, você pinta o sete no cinza e arco-íris por ai.Tuas impressões despertam e aguçam leituras e leitores – eu, por exemplo! E ainda me vem com essa para pensar na cama “quantos livros eu ainda não li”. Ai ai ai ai

  6. manuela disse:

    Eu já parei pra pensar nisso Lu querida, mas depois de perceber que há livros no mundo com assuntos que não me interessam em absoluto, tomei uma xícara de chá igual a você e relaxei.
    Boa noite – abraços

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