É verão e tudo arde por aqui…

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…sim, é noite lá fora e para pôr um fim nesse dia, coloquei Led Zepelim para girar na vitrola… e me afastei gradativamente da realidade. porque nos últimos dias, o mundo lá de fora, anda chato demais. E com o Verão a fazer arder tudo o que toca, fica mais difícil respirar…

Durante as compras no supermercado, dentro do fim de tarde… enquanto aguardava minha vez na imensa fila do caixa… espiei rapidamente a capa da revista Veja dessa semana, que exibe a chamada para uma matéria sobre a ciência ter descoberto: “as faces da mentira”. Sorri e solucei ao mesmo tempo…

E depois de pensar uma dúzia de coisas… reparei, no alto da página, em tamanho reduzido outra chamada: “a estética do choque, a ousadia dos artistas num tempo em que tudo ofende e nada espanta“. Solucei de novo…

Eu vivo em estado permanente de espanto… basta sair as ruas e tropeçar em humanos. Não dá para ser diferente.

Me lembrei de um punhado de coisas que vi essa semana no “face book“… esse não lugar no mundo, para pessoas, que gostam de se exibir: é um cenário demasiadamente barulhento, que desconhece a arte de fazer silêncio e, que, comumente, me faz pensar em um açougue… com aquelas carnes penduradas, os cartazes coloridos a anunciar o tipo e o preço… e o cheiro forte da realidade-humana-indigesta…

Todo mundo entende de tudo ali e estão aptos a julgar e condenar o outro a partir de si mesmos. Um bando de gente sem espelhos, que não quer ser criticada-questionada e quer apenas viver na ‘face book land’…

Já desliguei a televisão, aboli os jornais e revistas… meu próximo ato será o de cometer ‘facebookcidio‘.

Realidade demais… me causa azia.

 

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Navega-se sem mar, sem vela ou navio…

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Eu não sei fazer retrospectivas. Não sei pesar os dias — medir as horas —, mas eu sei fechar um livro e pensar uma realidade onde tudo se embaralha. Ficção e realidade. Dois mil e treze foi um ano estranho — não foi bom, mas também não foi ruim. Teve suas coisas e eu tive as minhas… nem tudo deu certo, nem todos os planos vingaram.

Mais uma vez eu fiquei a deriva das minhas emoções, a pensar essa realidade entre páginas. Reli antigos livros. Virei páginas conhecidas, algumas novas e enquanto tomava café ali nesse novo cenário-velho cenário… entre esquinas — solucei esse desejo: alinhavar livros, mas é como um sonho impossível no momento. Afinal, a realidade local é de prateleiras. Os escritores por aqui desejam se ver à mesa, a assinar seus livros e deixá-los aos montes nas livrarias. A grande maioria, no entanto, acaba mesmo é com caixas embaixo da cama.

Dois mil e treze ainda está aqui — talvez porque seja janeiro, esse mês regido por Janus —, o deus que ousa olhar para frente e para trás, assim como eu faço todo os dias…

Ainda ouço os fogos nas praias, nas avenidas e, na maioria das ruas de todas as cidades. Ainda ouço o alvoroço. O estouro da rolha. O tirintintar das taças. Vejo apertos de mãos. Abraços. Percebo sorrisos e ouço as mesmas-velhas-e-gastas promessas sendo feitas. Sei das simpatias… mas nada disso me pertence. O que é meu, está guardado em gavetas, baús, caixas de sapato e eu quero deixar lá por enquanto…