Escrevo enquanto percorro calçadas…

escrevo-enquanto-caminho.jpg

Sai com o cão para fazer a minha caminhada habitual pelas ruas do bairro, que é esse lugar estranho… casas sem alma, praças sem bancos… com estranhos contornos, calçadas sem passos… e pessoas sem pele.

É um cenário que me lembra cidades fantasmas, pelas quais passei rapidamente durante viagens de reconhecimento. Não consigo me encontrar nesse bairro com ruas em pares, vielas escuras-obtusas e esquinas vazias.

Desde 2010 que ando por aí… a praça Alzira Ferraz é o meu limite a Sul. Percorro seus contornos de um lado para o outro, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça e o cão ao lado. Ele ronda o caule de todas árvores enquanto eu piso o chão de cimento irregular…

Foi ‘tateando’ esse cenário que me ocorreu as primeiras linhas dessa história que voltou a minha pele na última chuva. A cada passo dado… um capítulo foi se desenhando naturalmente. Escrevi na própria pele, no chão, nas árvores… enquanto o cão confeccionava seu mapa particular de movimentos.

Voltamos para casa, conscientes de que ‘vida não nos falta’… e a realidade é essa coisa composta por horas e mais horas que alimentam o meu imaginário. Depois veio a parte ‘mais fácil’: transbordar-sangrar-vivenciar-escrever…

Tudo que de fato preciso é de um canto a parte de tudo… dois cigarros, uma xícara de café, um pouco de silencio e a nudez de minha alma.

Eu disse que era a parte mais fácil… não disse?

Anúncios

7 comentários sobre “Escrevo enquanto percorro calçadas…

  1. Beth Q. disse:

    E eu andei com você pelas ruas de seu bairro. Vi as casas, as ruas e você na companhia do seu menino de quatro patas. E o melhor é aproveitar do que surge a partir de sua caminhada.

    beijocas

  2. Sandra disse:

    Sabe que eu nunca parei para pensar nos meus limites ou perimetros urbanos de caminhada?
    Ai dona Catarina, a senhora me faz pensar em cada coisa, viu?

    beijocas

  3. k_sergio.gomes disse:

    Sua escrita me lembro um patrício, que tem um blog literário como o seu, onde ele nos conta os processos de construção de suas historias. Acho que os escritores encontraram uma tábua de salvação para eles mesmos nos blogs. E a gente é quem ganha.
    O nome do blog dele é ‘meia noite todo dia’. Dá um google depois, você vai gostar. Tenho certeza.
    abs

  4. Lua Nova disse:

    Nossa, que delícia chegar aqui e me deparar com essa narrativa.
    Parece que estou participando de algum acontecimento que, em algum momento, irá me surpreender.
    Ansiosa desde já para saber o que virá depois.

    beijocas Lu/Catarina

  5. Mariana Gouveia disse:

    Ler-te é desvendar esse mistério que você deixa nas nuances da escrita.
    eu quero saber-te. eu quero, eu quero.
    Bacio

  6. Maria Augusta disse:

    Te acompanhei nessa tua caminhanda, não viu do outro lado da rua a espiar seus passos? Estava jogando milho aos pombos. Eu conheço bem o Alto da Lapa e conheço essa praça, pelo visto não mudou nada. hehehe

    Bisous

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s