Diário das minhas insanidades

O hoje sangra, o amanhã lancina

— T.S.Eliot —


 

Comecei a fazer terapia aos doze anos… conselho de C., que percebeu minha angústia… motivada — obviamente — pela escrita em fase de enraizamento…

Era confuso multiplicar-me em tantas figuras… personagens que surgiam em mim, me transformando em outra pessoa num piscar de olhos. Um constante vestir e despir de si mesma.

Era igualmente estranho me precipitar às pessoas… sabendo-as antes mesmo que dissessem alguma coisa sobre si… interpretando-as como se fossem personagens de uma história lida milhares de vezes…

Eu não tenho — nunca tive — poderes paranormais! As precipitações aconteciam — acontecem — através dos detalhes da matéria… aos quais estou sempre atenta: o corpo fala, os olhos gritam e as mãos confessam-se… mas a maioria das pessoas são naturalmente desatentas e não percebem as migalhas que são deixadas pelo caminho a todo e qualquer momento… todas as coisas que trazemos em nós dizem muito de quem somos — hoje eu sei; ontem, no entanto, eu me sentia a andar em ruas cobertas de gelo…

…nada como a sabedoria do dia seguinte para nos fazer compreender as manifestações na própria pele. Pena que não seja algo imediato… leva-se tempo para se chegar as conclusões, tão necessárias e até lá, a loucura é o único argumento a fazer algum sentido.

É tão mais simples concluir que estamos a enlouquecer que navegar nesse mar revolto em busca do que não sabemos e nem sempre estamos dispostos a conhecer…

Anúncios

14 comentários sobre “Diário das minhas insanidades

  1. Mariana Gouveia disse:

    amanhã compro uma cadeira. Divã, se você preferir. Tenho fotos do meu filho e de dois cães. Yoshi, um pinscher que se acha gigante e Lolla, uma vira-latas que se acha filhote. tenho chás, café e riso fácil. Abraço sempre. Adoro esse calor de pele. Não cobro pela consulta. Nem pelo silêncio. Mas, te espero aqui, de braços abertos.

    *ps: seu texto sempre me comove e quando leio de ti, imagino que tu deve enxergar entre as paredes e pronto! Sou eu a personagem.
    bacio

    • Lola Maria disse:

      Mariel,
      Você falou meus pensamentos, nada mais perturbador que um gato a nos observar, ainda mais quando o bichano está engaiolado no porta-retratos.

      E quanto as certezas de nossas escolhas linda Lunna – ou Catarina – você silencia a voz para dar margens as palavras. Você fala pela ponta dos dedos sua tagarela. adoro

  2. Tatiana Kielberman disse:

    Parei para pensar em quem seria, neste caso, a terapeuta…. rs.
    Penso que W. aprendeu muito com você e, certamente, terá muito ainda a aprender.
    Que tal uma xícara de café na próxima sessão?
    Bacio.

  3. Maria Vitoria disse:

    A única frase mais coerente perante esse relato é: escrever para não enlouquecer. A proposito, adorei o texto. Seu blog traz muitas coisas que são colírios aos olhos e conhecimento ao cérebro. Voltarei para visita-lá mais vezes.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s