Diário das minhas insanidades, 02

O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. E a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos. Mas isso, admitir que o outro vê coisas que nós não vemos, implica reconhecer que somos meio cegos… Vemos pouco, vemos torto, vemos errado.
Texto: Sobre o ouvir – Rubem Alves 
Fonte: www.tautonomia.com

 


Em minha primeira sessão… deitei-me no divã de uma estranha, com quem não simpatizei. Disse duas ou três frases inteiras que  me vieram à boca e me perdi no limbo — também conhecido como: teto branco.

Até me sentir segura… entrei e saí de vários ambientes. Recusei vários olhares que pareciam se afundar na lama de minha existência… e soube que não seria fácil encontrar alguém com quem partilhar minhas misérias.

Se na “vida real das coisas demasiadamente humanas” esbarramos em milhares de pessoas todos os dias e, não nos oferecemos a elas — por falta de empatia ou porque temos nossos caprichos… imagina quando saímos desse “conhecido recinto” para nos aventurar em solo estranho — onde um único ser é Rei e também Senhor.

Convivo com pessoas que me “conhecem” desde a infância a quem nunca contei absolutamente nada sobre mim — entregando pouco ou nada: um sorriso pequeno, um olhar estreito. E outras — recém-chegadas — à quem destrinchei minha realidade comum-inteira: livros lidos, lugares onde estive, lembranças antigas, pesadelos recorrentes, sonhos, ilusões…

Há pessoas que não nos querem saber… querem que a gente se deite no molde que trazem e se não o fazemos… esperam pela mudança que devemos prover em proveito de tal abençoada amizade-amor ou seja lá qual nome dão a isso…

Fazer terapia é antes de tudo ser ouvido e como na realidade há poucas pessoas dispostas a esse gesto raro — optar por um profissional é a melhor maneira de conquistar um direito ao próprio eco…

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8 comentários sobre “Diário das minhas insanidades, 02

  1. k_sergio.gomes disse:

    E quanto as certezas de nossas escolhas linda Lunna – ou Catarina – você silencia a voz para dar margens as palavras. Você fala pela ponta dos dedos sua tagarela. adoro

  2. Beth Q. disse:

    Esse eu texto me pegou pelo avesso dona Catarina/Lunna.
    Acho que vou precisar rever meus conceitos aqui. Eu e mais uma meia dúzia pelo menos, né?

    Adoro essa sua “sessão terapia”…

  3. Sandra disse:

    Eu nunca confiei em psiquiatras ou psicólogos. Se existem vilões, para mim é o que eles são.
    Meus problemas eu resolvo com o travesseiro ou então em conversas com Deus.

    beijocas

  4. Tatiana Kielberman disse:

    É um alento, para mim, saber que as precipitações acontecem em nossos diálogos, muito antes de eu tentar a compreensão acerca de qualquer coisa… É um processo tão natural que não tenho dúvidas: você me percebe mil vezes melhor que eu mesma.
    Grazie… grazie mille por isso, e por tanto…
    Bacio.

  5. Lua Nova disse:

    Meus posts favoritos são esses em que se revelam “diário das minhas insanidades”.
    A.D.O.R.O… tenho a sensação de que estou fazendo terapia. hahahaha

    O de hoje foi um tapa com luva de pelica (conhece essa expressão?) porque eu já tentei, juro, mas até hoje não consegui. Começo e depois paro. Recomeço e paro.

    Vai ver é bem isso: identificação.
    beijocas Lu/Catarina

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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