Roteiros de vida…

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Pouco depois das quatro a campainha soou pelos cômodos da casa… tínhamos visita, foi o que ‘disse’ Patrick — o mais humano dos cães — com seus resmungos de ocasião. Sempre me divirto com suas interferências caninas.

Sometimes, ele dispara pelos cômodos da casa, assim que o um barulho qualquer o alcança… mas, sometimes, ele apenas levanta a cabeça e reclama, como se dissesse: ‘vai embora, não estou disposto, não quero ser incomodado’. Foi exatamente o que fez hoje… como se soubesse da febre em minha pele. Estou doente de saudades ‘de meu homem’ e não há nada que possa a fazer quanto a isso… escolhi me repetir: combinar ingredientes e escrever missivas, enquanto folheio livros de Campos e Cecília — insólita combinação…

A ‘visita’ veio para a cozinha — trazida pelo mio bambino, que também tem suas curiosas formas de sonoridades. Introduziu S., e sua amiga de viagem, que me atravessou com sua falta de expressão.

Tomamos uma xícara de chá fumegante, comemos uma fatia generosa de bolo e os diálogos distribuíram as novidades. A., parecia não ter voz, apenas um sorriso sem moldura na face dourada de sol. Mas, bastou que seu corpo sentisse qualquer coisa de aconchego na velha cadeira de madeira para que as consoantes e vogais se encadeassem em incontáveis frases. Soube de sua ‘profissão’, do motivo de sua vinda à São Paulo, dos seus planos e projetos de vida… dos dois filhos, do marido maravilhoso e de sua realidade colorida. E fez questão de ressaltar, como se desenhasse aspas na frase: ‘sou uma mulher realizada e feliz‘. Não me convenceu… mas eu sorri, como sempre faço nessas horas.

Me interessei muito mais pelo que ela não disse… A., nasceu e cresceu numa cidade pequena, com pessoas igualmente pequenas. Mudou-se um sem fim de vezes depois do casamento, um arranjo entre famílias para curar o desassossego da menina. O corpo-alma só conheceu um pouso depois do nascimento dos filhos, quando finalmente teve uma casa para si.

Ela fez questão de exibir a foto dos filhos, do marido, dos dois cachorros, da casa… e ressaltou em voz alta, em meio a um sorriso falsificado, a bênção que é ter uma família.

Ah, os benditos roteiros de uma vida…

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