Diário das minhas insanidades, 05

“Qualquer destino, por mais longo e complicado que seja,
vale apenas por um único momento: aquele em que o homem compreende de uma vez por todas quem é”.

jorge luis borges


Enquanto esperava por W., …pensava em meus passos até aqui. Como se fizesse uma análise particular de minhas decisões. Revi os lugares, as pessoas e a mim mesma. Pesei minhas escolhas. Ponderei os tropeços: erros e acertos. Tudo que trouxe comigo e o que deixei para trás. Revi um punhado de coisas antigas, algumas perdidas, outras ausentes… a lista é longa e gastou parte dos meus minutos de espera…

Eu não acredito em destino… foi o que concluí ao finalizar meu exercício silencioso. Porque eu não acho que minha vida seja uma espécie de fio condutor pré-determinado imediatamente — ou pouco antes — de meu nascimento.

Contudo, gosto do som da palavra “destino“… mas é porque faço uma leitura própria-particular de seu significado. Enquanto as pessoas preferem pensar em linhas alquebradas de um mapa… a nos orientar e  guiar por caminhos desconhecidos, eu a leio como: [dez possibilidades].

Já conheci pessoas que comparavam o destino a um quebra-cabeça, com suas muitas peças soltas… adquiridas através dos dias-meses-e-anos da existência, que aos poucos se encaixa e completa. O resultado final seria a vida que temos para nós: essa coisa confusa-enigmática…

Quebra-cabeça era um brinquedo divertido na infância… ganhei vários, como forma de incentivar a mente. Nas férias de verão do ano de 1989… eu e mais seis pessoas [os meus humanos favoritos na época] passamos dois dias inteiros diante de uma mesa… a combinar peças, que resultou numa paisagem bucólica do interior da Inglaterra.

Todo o processo foi bastante divertido… usamos lupas, pinças [foi quase cirúrgico] mas ao final, quando a paisagem estava pronta para o nosso degustar… se revelou qualquer coisa aborrecida.

Alguém sugeriu por molduras e pendurar em alguma parede… eu sugeri o  lixo! Cinco mil peças de papelão deitadas fora. Mas ninguém concordou comigo… e aquela coisa foi parar no meio da parede da velha casa do nono. O velho carrilhão a espiava e cantava suas  mesmas horas cheias todos os dias, parecia reclamar o vazio da parede onde seu som ressoava e maneira mecânica… uma, duas, três, quatro… como forma de nos lembrar dos desaforos que a vida e seus humanos nos impõe.

Serviu para me fazer descobrir que eu não gosto de mapas, guias… prefiro me perder e uma vez perdida, saber que existe a possibilidade de eu nunca mais me encontrar.

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