O papel se ofereceu como lápide.

‘Nietzsche a enlouquecer por completo

a impossibilidade de ser humano

demasiado humano

a sua respiração

expira-inspira

inspira-expira’…

 

projeto paralelo, in lançamento lua de papel

Ela chegou a casa… trazida pelas mãos do ‘vento’… olhos baixos, uma ou duas palavras nos lábios e gestos mornos nos arredores do corpo. Senti um calafrio percorrer meu corpo assim que ela passou pela porta.

…escolheu um cômodo da casa onde abandonar as malas, seu lugar à mesa, e o lado oposto de todos nós — no sofá.

Percebi que não se lembrava mais, como sorrir… seus olhos tinham lágrimas represadas. Suas mãos enroscavam-se umas nas outras, em busca de um alento, que havia tempo, faltava ao coração. Era indócil nos gestos e fazia qualquer para preservar qualquer coisa de distância. Seu corpo era uma janela fechada para o horizonte… e sua alma, um mundo cheio de lados contrários.

…escolheu o lado de fora, as escadas com seus degraus e subir e descer. Ali, cuspia pesadas baforadas de nada. Uma cena tão lúdica-densa… um personagem vivo. Senti coceiras na ponta dos dedos e vim para cá escrevê-la. Dei a ela o nome de Alexandra… figura solitária, trancada em um quarto escuro, de onde espia o mundo e imagina cenários impossíveis.

Sentei-me à estibordo… não conseguia evitar sua figura, onde atraquei conscientemente de que havia mais. Guardei seus traços e len-ta-men-te fui aprendendo os movimentos. Ela dispara falas sem sentido, despeja olhares sobre tudo e nada.

A bordo de sua solidão… ela fingia se ocupar do silêncio de telas, onde as tintas eram o seu sangue, a verter do corte que não foi capaz de fazer.

Ela tentou fugir… mas eu mantive em mim, a fervilhar possibilidades. Aprendi os códigos usados por ela e decifrei sua realidade. Ela rebelou-se… vociferou um punhado de palavras agudas. Me acusou de estragar sua vida-realidade.

E ao vê-la fazer as malas de qualquer jeito… só consegui pensar em Charles Bukowski, ‘beasts bounding through time’… em ‘you get so alone at times that it just makes sense’…

 

 

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12 comentários sobre “O papel se ofereceu como lápide.

  1. Lu Amorim disse:

    Prazer em conhecê-la!
    O oposto de mim me atrai. E já quero me afundar na tórrida corrente escura de Alexandra, em seus cenários imaginários… solidão e lágrimas represadas. Para mim, nenhuma personagem é distinta, sinto todas iguais em frascos diferentes, seus aromas é que variam. Feito flores elas são… As conheço muito pouco ainda, mas sei que faz-se poema e rima quando leio o que escreve a minha Catarina!
    ╲\╭┓
    ╭ ❤ ╯
    ┗╯\╲

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