Cartas à Dezembro #2

 

dois e 2 são cino

Catarina,

…dezembro chegou e com ele todas as lembranças e saudades. Se pudesse escolher pular um mês do ano, seria este.

Antes o esperava ansiosamente, era o mês das férias, das praias, do primos, dos presentes. O mês do Papai Noel! E com ele a minha primeira dor, a de saber que ele não existia. A realidade nunca é melhor que o sonho.

Já teve gosto de volta pra casa, quando fui morar longe: dezembro de sons e cores. As flores amarelas dos ipês que generosamente formam tapetes pela cidade, dos sons das músicas natalinas que acompanham as compras dos presentes.

Na família a tradição das crianças montarem os presépios e árvores de natal. Desde que me lembro foi assim. Dezembro era reza e ladainha.

Panetones, queijo do reino, fio de ovos, peru que sempre sobrava porque ninguém realmente gostava do seu sabor, mas sempre nas mesas da família. Nunca entendi porque sacrificar o bichinho !

E num dezembro ela se foi e me deixou aqui com gosto de lágrimas e guardados. Acabou a festa. As cores se apagaram. A fé foi perdida pelo caminho. A árvore encantada foi guardada para sempre. Suas fitas de desejos de ano novo ficaram na lembrança doce de dias que jamais voltarão.

Dezembro se foi…

Thelma Ramalho

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