A poesia de Emily Dickinson…

“Escrevo-te para que estas cartas possam ser os galhos das tuas árvores de silêncio, onde podes encontrar algum refúgio. Um ninho feito por pássaros. Árvores de silêncio –, como tanto gostas. Árvores de silêncio para guardar junto aos teus vãos. O silêncio no meio das palavras, a comunicação primeira. A tua carta… Com linhas perfeitamente silenciosas. A tua carta que eu beijo como se fosse a tua boca – que eu toco como se fosse a tua pele.”
— Lunna Guedes, In: ‘Emily: esta é minha carta ao mundo’ —

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Eu ainda me lembro do espanto que senti — em minha pele-alma — quando tive contato pela primeira vez com a poesia Dickinson. Encontrei o livro em cima da mesa da cozinha, ao lado de um velho diário e uma xícara de chá pela metade.

Com o livro em mãos, passei a folhear suas páginas onde adormeciam aproximadamente 100 poemas da autora-poeta-estadunidense.

E foi como olhar o mundo de novo, pela primeira vez… tomei para mim sua voz, seu sopro, suas medidas. Olhei ao meu redor e, vesti um belo combinado de ousadias deliciosas. Nenhuma abelha foi a mesma depois disso. As cores se redefiniram. Tudo que eu sabia até então, foi se tornando rarefeito até nada mais restar…

Me apaixonei completamente pelo estilo da poeta… tão a frente de seu tempo, tão inadequado-impróprio-fora-do-comum. Devorei cada um de seus poemas. De uns gostei mais que outros. Meu inglês ainda não permitia grandes leituras, sendo necessário, em alguns versos, o uso de um dicionário e, em outros, o auxílio de C.

Soube então, que ela havia nascido-crescido-e-existido em uma Cidade conservadora dos Estados Unidos — Amherst — onde começou a escrever a partir de 1850… totalizando pouco mais de mil e quinhentos poemas, que foram encontrados após sua morte — ocorrida em 1886 —, por sua irmã Lavínia.

Emily era uma mulher que se vestia de branco, que não se casou e pouco saia de casa… fato esse atribuído a um sem fim de possibilidades, que ajudaram a compor o grande mistério que foi essa mulher em vida. O que serviu, após a sua morte, para imortalizá-la…

Infelizmente há quem discuta muito mais a sua vida, que sua poesia… a mulher que Emily foi, para mim, é a que está em cada uma as linhas que deixou — e que me fazem sentir como se estivesse diante de uma janela aberta para a noite, onde meu olhar vai esbarrar em um cenário de infinitas possibilidades.

Eis a minha carta ao Mundo
Ele, que a Mim nunca escreveu —
Singelas Notícias que a Natureza deu —
Com Majestade e ternura

Sua Mensagem entrego em Mãos —
Mãos de uma era futura —
Por amor a Ela — doces concidadãos —
Julgai-me — com brandura

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