Abril é o mais cruel dos meses

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera

T.S.Eliot

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>> ao som de Sir. Elton…

…escolhi a mesa do canto — ao fundo — longe de todas as coisas do mundo. Queria folhear meus “abrils” passados… recordar! Mas só fui capaz de enxergar saudades.

Que mês mais estranho esse… primavera de um lado, outono do outro… e eu pelo caminho — a navegar (?). Nem aqui e muito menos lá… há flores nos bosques da minha existência mais antiga.

Minha alma em suspenso passa uma a uma… as páginas da minha memória, enquanto a boca recita o poema de Eliot que trago tatuado na pele: “abril é o mais cruel dos meses“… um verso-frase que assusta quem o lê, sem sabê-lo parte de um poema completo-inteiro-intenso. Eliot tinha seus motivos para cantar Abril como sendo cruel.

Eu, por outro lado, não saberia como defini-lo… disse há pouco que se trata de um mês estranho, mas falava mesmo da situação do momento: em que meu passo acontece entre mundos-realidades-vazios. O mês em si nunca fez parte de mim… passo por ele a caminho de maio — o mês das trovoadas… da mesma forma que o Comboio passa pelas Estações até o seu destino final…

Hoje soube que Abril é o mês de mais alguém… são trinta dias… trinta vidas — ou mais… e eu sou apenas ‘um pássaro solto na solidão do ar’.

As memórias começam a falhar… fecho o livro da minha história… para apreciar o chá de morangos que acaba de pousar sobre a mesa. Exibo um sorriso, uma fala amena e observo a fumaça que saí da xícara e concluo: é Abril… e março é como uma folha de papel que as mãos amassa. Acabou… como todas as coisas se acabam, para outras começarem.

Abril começou, mas depois de amanhã… outro ponto final será inserido nesse capítulo de vida!

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