Séries de televisão | Castle

Castle libro

Numa dessas noites de cansaço — causado pela realidade literária na qual habito e transito — e que me faz desejar esvaziar-se de tudo, como se tivesse um botão de desliga na mente-memória… fui para frente da TV na esperança de ocupar o meu olhar com imagens prontas e insólitas.

Queria assistir um filme — com uma história comum, um romance de uma hora e meia de duração com certeza de final feliz na última cena. Foi o que encontrei na programação do Canal AXN — desorientada por natureza.

Era noite de quarta e o filme estava programado para as 23 horas… ainda havia alguns muitos minutos a viver antes de o filme começar. Deitei na cama e enquanto aguardava… assisti ao seriado que estava no ar: Castle — do qual já tinha ouvido falar através de uma amiga, que na época, mantinha um blogue de séries.

Eu estava num período de transição… minhas séries favoritas tinham chegado ao fim… e nada atraia a minha atenção. Nem mesmo Castle, que trazia em sua anatomia, o personagem-escritor convidado a auxiliar na investigação de um crime… que aparentemente tem seus livros como fonte de inspiração. Era clichê demais para mim… já tinha visto esse mesmo argumento em outros cenários algumas dezenas vezes. Não me interessei…

Nas últimas cenas do episódio exibido naquela noite… fui conduzida ao último capítulo de um livro. Assisti a Detetive Beckett — antagonista da trama — levar um tiro no peito durante uma cerimônia de morte… e fim.

De posse do mistério deixado no ar… precisava saber o começo da trama. Ler o livro desde as primeiras linhas para entender os fios que conduziram toda a trama a esse estranho desfecho. Como na infância — diante de um livro novo — assisti a todos os episódios disponíveis da primeira, segunda e temporada… e aguardei — pacientemente — pela quarta temporada — completamente seduzida pelo enredo de uma trama que pincelava um bom drama policial com pitadas de bom humor.

A frente do seriado estava o personagem Richard Castle, interpretado por Nathan Fillion… um escritor atento aos detalhes. Logo no primeiro capítulo, ele nos apresenta sua musa, a detetive Beckett, numa descrição que apenas um bom escritor é capaz de traçar. O personagem nos surpreende com seu conhecimento de cenas de crime, suas curiosas relações com a realidade e também, com a paixão que faz o autor-inativo — em busca de motivação para a escrita nas primeiras cenas — despertar…

A primeira temporada é composta por 10 míseros e intensos episódios… mas é na segunda temporada — infelizmente composta por 22 episódios — que assistimos o início a trama diabólica que envolve a morte da mãe da Detetive e, o surgimento do melhor serial killer que a televisão foi capaz de produzir: o vilão 3XK — tão sagaz quanto o nosso escritor.

A detetive Beckett — interpretado por uma desconhecia Stana Katic — é uma excelente policial, mas tem uma frustração: não ter sido capaz de desvendar o assassinato de sua mãe. Leitora febril de Castle, ela encontra nos livros do escritor uma rota de fuga para seus tormentos. Uma espécie de sobrevida…

Com uma química perfeita entre os atores… somos seduzidos e levados a desvendar os mistérios da trama, que chega ao fim apenas na sexta temporada respectivamente… quando somos brindados com alguns excelentes episódios… mas a série já não tinha mais o mesmo fôlego  e seus personagens já não traziam mais a riqueza das primeiras temporadas.

Assisti Castle até o último episódio — da oitava temporada… esbravejei contra o desfecho de conto de fadas… e me irritei como a condução dada ao personagem principal que foi se liquefazendo a cada novo episódio. A trama perdeu o estilo, a agilidade. E Castle perdeu suas principais qualidades.

Mesmo assim… os episódios da série ainda me prendem diante da televisão, como nessa noite, em que o sequestro da filha de Castle — capítulo duplo da quinta temporada — foi ao ar na Rede Globo. Ainda vibro com o pai-escritor-homem Castle, que vai do desespero ao ato-extremo para trazer de volta sua ‘menininha’…

Castle é uma série sobre pessoas… e a maneira como sobrevivem a si mesmos. É o escritor-homem-investigador a sair de casa para conviver com sua musa-inspiradora em aventuras insanas… e voltar para os braços da filha — fruto de uma relação castleniana… e de sua mãe, uma mulher que fez o seu possível por ele…

Castle são somatórias de mundos comuns… nos quais vivemos e sobrevivemos e embora combine drama policial com comédia, seus melhores momentos estão nas relações humanas que retrata…

“Sou escritor. Boa noite… é entediante.
Até amanhã… é mais otimista.

Sou uma policial. Boa noite”.

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3 comentários sobre “Séries de televisão | Castle

  1. Lua Nova disse:

    Aquele momento em que você descobre que sua escritora favorita é gente e ama seriados. Morri e pior é que nunca assisti Castle. Mas isso eu resolvo em poucos minutos porque pela sua narrativa, deve ser bem bom, mesmo no final perdendo o pique, o que aliás, acontece com a maioria das séries enlatadas americanas. Eu ando vendo as inglesas que são mais curtas e menos robóticas. rs

    bisous

    • Lunna Guedes disse:

      Minha cara Lua, só não acontece com aquelas que, sabiamente, encerram suas tramas e nos deixam furiosos com o fim. O que eu confesso preferir. Como a série Lip Service – britânica, até hoje lamento. Que bom

      bacio imenso a te

  2. Roseli Pedroso disse:

    Como você, já tinha ouvido falar dessa série mas nunca me interessei de fato. Até ler esse seu texto. Mas como no momento estou enroscada com outras séries, vou dominar a ansiedade e terminar todas para depois buscar essa daí. Valeu!
    Bacio

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