À quatro minutos do fim…

2017-05-11 12.25.31-3

18h43… ah, minha cara, eu já vivi ali tantas vezes! o gole de café frio no fim de mais um dia de intermináveis linhas. Sempre foi difícil viver no limite das incertezas… quando o texto que os dedos urdem não chegam no fundo da retina com a precisão desejada.

Já desejei saltar no escuro que sou e acabar. Trocar de pele como fazem as cobras. Ser outra. Nem vento ou tempestade. Apenas uma pessoa comum-igual, sem semântica. Não escrever mais frases que são como tatuagens na pele alheia. Me dedicar aos ofícios conhecidos-comuns com hora marcada, cartão de ponto, ordenados regulares. Ter uma noite inteira de sono. Beber menos café… mais chá. Não discutir com o branco das paredes, que poderiam ser cobertas com tintas azuis. Não sentir o estalar das coisas do lado de dentro.

Um soluço e o texto me chama… um último olhar e a esperança de ser um texto perfeito, com frases bem pontuadas e palavras cuidadosamente escolhidas para o fim que se pretende — troveja.

Lá vou eu de novo… última tentativa — prometo. Texto impresso na folha branca… corro o olhar por cima das linhas e a ponta da lapiseira com seu grafite fino (zero-cinco) vai junto, em tropeços — agulha imantada a apontar o Norte.

Risca o que não serve… acrescenta meia dúzia de linhas sentimentalidades brutais… Grita-ofende-esgana… desanda! Tudo de novo. Eu respiro fundo… e busco pelo relógio de couro no pulso — um presente do homem… a olhar — num misto de curiosidade e fascínio — do outro lado da mesa. Enquanto riscava guardanapos com versos infantis… ele fazia o pedido e me chamava entre piscadelas rápidas de olho de ‘pequena poeta‘… e eu, zangada, recusava o rótulo. Ele achava graça…

Nova leitura… quanto tempo ainda tenho? A música do momento diz o meu verso favorito ‘he says: in speaking one can be so false- We’re so close we have a silent language. We don’t need words at all’ — e eu resolvo dar ao texto um merecido descanso. O que pode ser o seu fim e o meu também.

Quatro minutos… o chá ficou pronto e a vida ficou para depois, mas o texto pousou aqui! Fim… 18h47

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2 comentários sobre “À quatro minutos do fim…

    • Lunna Guedes disse:

      Eu sempre que posso desligo o relógio do mundo e ligo o meu… que pulsa forte no meio do peito e ecoa por todo o corpo. Gosto de sentí-lo na ponta dos dedos, dos pés, nos olhos e por todo o corpo. rs

      Ah, ele é movido a cafeína, viu? rs
      bacio

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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