17 | s e g u n d a

dias de setembro

Dia cinza. Segunda feira. Ainda inverno. Quase primavera. Ainda setembro. Quase outubro. O ano ainda não acabou, mas falta pouco. Impossível não se espantar com a voracidade dos dias-horas quando a gente se dá conta de que restam poucas folhas no calendário de 2018 e ainda da para sentir todos os meses anteriores na pele.

Alongo os músculos. Coloco a água para ferver. Dou passos pequenos pelos cômodos ainda escuros. Escuto o som agudo da chaleira a gritar — desesperada — na cozinha. Café na xícara. Um poema de Ginsberg para esse dia-momento.

Lista de coisas a fazer-cumprir na mente: organizar as horas desse dia-semana. Organizar-me. Começar a ler outro livro… dos escolhidos: três já se foram. Organizar-me. Ler e responder os e-mails antes que se acumulem. Tramar os dias seguintes. Organizar-me.

Deixei todas as coisas à deriva nos últimos dias. São os meus processos. Preciso esvaziar-me do ontem para alcançar o hoje-amanhã. Encher o peito de ar. Fechar os olhos e sentir-me dentro. Consciente de que tudo que era para dar certo: deu… e tudo que era para falhar: falhou.

Eu gosto desse equilíbrio… de saber que irei errar-acertar muitas vezes. Que irei sorrir-chorar… amar-odiar… ser feliz-triste. É vida… e pulsa… pulsa… pulsa. E eu gosto imenso de como tudo acontece.

Dois mil e dezoito não está sendo fácil… os movimentos humanos estão tensos. Os ânimos acirrados. Verbos conjugados de maneira equivocada… pela esquerda-direita. Por todos nós.

Não me misturar é difícil. Tento me preservar dessa falta de modos social. Nem sempre consigo. Ainda mais quando não entendo certas falas machistas-preconceituosas que insistem em reverberar. Como é difícil mudar…

Me concentro em respirar… ainda que o ar esteja pesado-envenenado. Me concentro em meus afazeres. Em organizar-me. Ler meus livros… e a planear novos ‘cadernos artesanais’ e providenciar ingredientes para a hora do almoço.

Coloco Chopin no toca-discos… palavra antiga que repito com gosto. E me Lembro que a Scenarium abriu as portas para novos autores. E começo imediatamente a imaginar as palavras que serão enviadas para nós… por escrevinhadores-contemporâneos.

No ano passado… pouco me seduziu. Sou uma escritora-editora-Leitora… exigente-difícil… que gosta de, ao ler, sentir aquele aconchego da infância — ‘encostar a cabeça no peito e ouvir o ressonar do cuore‘. tum tum… tum tum…

 


maratone-se grupo interative-se

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12 comentários sobre “17 | s e g u n d a

  1. obduliono setembro 17, 2018 / 15:52

    Nossa, Lunna! Fiquei cansado por você… Quanto às questões comportamentais, estou igualmente cansado…

  2. Darlene R. Faria setembro 17, 2018 / 16:01

    Como é bom te ler neste intervalo do trabalho ❤ Adoro a forma como descreve sua rotina!

  3. Ale Helga setembro 17, 2018 / 16:59

    Seus escritos me encantam!!! Fico imaginando se no bate papo existe essa poesia também…
    E você está certíssima, faltam poucas folhas no calendário, no serviço já estamos pensando em dezembro, e começando a fazer o planejamento do primeiro semestre de 2019… Gostaria de apenas andar, um passo de cada vez, mas, me vejo correndo uma verdadeira martatona…
    Abraços
    Ale Helga

  4. Luana Souza setembro 17, 2018 / 22:43

    Alguns trechinhos do seu texto me fizeram penar na minha própria segunda-feira. Essa semana tem provas na faculdade todos os dias, e é impossível não ficar meio nervosa, além de, obviamente, errar algumas coisas. Mas vou sobreviver!
    Agora, sobre seu post… uma ideia me passou pela cabeça: eu fiquei imaginando como seria um transformar seu texto em vídeo, aqueles bem curtinhos, poéticos e com música de ~elevador~ no fundo. Nossa, deu até para eu ouvir o barulhinho da água fervendo hehe ❤
    beijos.

  5. claudialeonardi setembro 18, 2018 / 20:04

    Carissima
    Assim como nosso querido Obdulio, fiquei cansada com sua poética reflexão
    Tenho sentido certo peso na sua escrita e espero que esteja bem.
    O tempo voa e é difícil manter a serenidade
    Estou adorando nossa maratona
    Bacio

  6. ana claudia de angelo setembro 18, 2018 / 20:06

    A verdade é que a semana começa, e junto dela todas as nossas atribuições e afazeres! É fechar os olhos, respirar e deixar fluir! Trazer à tona tudo o que nos absorve, pirar sim , por que não? Mas nada como apenas obrigação, tudo com curtição! No final, a gente vence!
    Beijos!!!!

  7. Juliana Sales setembro 19, 2018 / 15:46

    Normalmente já gosto muito dos seus textos, mas esse acabou de entrar para os favoritos. Não sei, mas me identifiquei/gostei de tantos pontos mencionados! O espanto com a velocidade com que os dias estão passando. A menção a se organizar e planejar (algo que eu, obviamente, adoro fazer). A sensação de que 2018 está sendo um ano pesado (embora meus assuntos pessoais estejam correndo muito melhor esse ano do que nos dois ou três anteriores, sinto um peso no ar, como se o mundo estivesse todo atrapalhado). E essa questão do machismo e preconceito é algo que tem me cansado tanto, tanta gente me decepcionando… e parece tudo tão difícil de mudar. Enfim, esse texto falou diretamente comigo hoje.

  8. Retipatia setembro 20, 2018 / 18:15

    Eu comecei esse texto imaginando o dia nublado, a segunda também foi assim aqui, chuvosa até. Combinava com meu estado de espírito.
    O único detalhe é que, fui concordando com tudo, os sentimentos tão seus, se parecem com os meus, até que no fim, eu sorri. Porque imaginei você a escrutinar as palavras alheias com seu crivo mais que bem afiado. Sei bem porque não é qualquer palavra que lhe chama a atenção, que faz o cuore bater forte. É porque as suas são tão completas e marcantes, que fica difícil aceitar qualquer outro escrito que não seja, ao menos, à altura. Espero que esse ano tenhamos mais escrivinhadores sedutores por aí… ❤
    xoxo

  9. Cilene Mansini setembro 20, 2018 / 22:07

    2018 chegou com um ano cheio de projetos, projeto que ainda existem, mas 2018 tá correndo tanto que não estou bem acompanhando. Mas felizmente na minha vida pessoa apensar da correria estamos com mudinhas plantadas que espero fazer uma linda colheita em 2019. Mas concordo que o ano tá meio pesando, um tanto carrancudo de um modo geral…e as pessoas, juro que ando fingindo demência por ai para alguns assuntos que tenho que ouvir. Beijos

    • Lunna Guedes setembro 21, 2018 / 10:19

      Ah, eu também espero colher muitas coisas em 2019 mas, sobretudo, espero que o ar fique menso tenso. As pessoas estão insuportáveis e eu faço o mesmo que você, finjo demências e me lembro do leão da montanha… saída rápida pela esquerda-direita, meia volta. rs

      bacio

  10. Analia Boss setembro 26, 2018 / 9:41

    Queria falar minha segunda feira esta forma. Não tenho raiva dela mas é difícil comentar qualquer dias da semana de forma poética, isso é para poucos.
    adorei sua segunda.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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