12 | meus naufrágios…

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Passei as horas dessa manhã-dia, ocupada com: ‘os meus naufrágios‘ — esse novo projeto-diálogo-livro… que me permitiu praticar  — uma vez mais —,  os meus três verbos favoritos… até a exaustão da mente.

Escrevi. Escrevi. Escrevi… sobre a noite, em paralelo, a minha infância e acabei com uma xícara de café, em mãos — a lidar com um punhado de dúvidas… coisa típica de quem nunca teve certeza de nada.

E enquanto percorria calçadas, em movimentos de passos-lembranças-frases — a  mesma velha dança de sempre —, tentava pontuar as minhas emoções. Eu sempre vivi a deriva, em um barco frágil, com tempestades a gritar seus trovões e raios cortantes. Com os olhos fechados a sentir tudo dentro… a pele molhada de chuva e os arrepios de frio a correr de norte a sul. O movimento de ondas a me levar de um lado para o outro… e o corpo a se render a essa artimanha, que algumas pessoas gostam de chamar de: destino. Eu sempre dispenso os rótulos e fico com os versos de ‘meus poetas’.

Comigo é tudo sempre intenso… na voltagem máxima. Não sei ser diferente! Não me ensinaram a me preocupar com margem ou cais, onde atracar. Eu aprendi a navegar e com isso veio o desejo de ser marinheiro. Verso de Pessoa-Campos. Disseram-me, no entanto — o que me fez rir —, que era coisa da idade. Com o passar do tempo, eu ficaria mais calma…

E o tempo passou… e ainda estou a bordo daquele pequeno barco-frágil, construído ali na infância — a navegar nesse oceano cada vez mais blues… e ao lado, sopram ventos e a água pula dentro. É preciso aguentar firme, adequar-me. Pelo alto chegam os raios de sol a queimar forte a pele e as tempestades, com os seus muitos riscos prateados.

 


 

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11 comentários sobre “12 | meus naufrágios…

  1. mariel novembro 12, 2018 / 12:56

    Como diz o navegador, “o pior tipo de naufrágio é não partir”.

  2. Luana Souza novembro 12, 2018 / 18:29

    Seu texto me fez lembrar de um livro que eu li na infância e de que gostav muito. Nele, uma garoto que morava numa cidade não praia se aventura a conhece um barco azul que está ancorado misteriosamente perto dali. Lá, ele aprende diversas coisas sobre as experiências da vida e passa a olhá-la com outros olhos. Quando você disse que gostava de viver tudo intensamente eu logo pensei nessa história. Acho que quem escreve tem uma sensibilidade muito maior para entender a vida 🙂

  3. Ale Helga novembro 18, 2018 / 7:28

    Bom saber que não temos certeza de nada, pois assim, nos obrigamos a navegar…Triste aquele que já sabe de tudo e mantém o barco atracado…
    Abraços

  4. Patricia Monteiro novembro 18, 2018 / 8:33

    Só navegando é que podemos ter a oportunidade de conhecer a beleza do mar, nem sempre a viagem é calma, podem existir tormentas, mas é preciso arriscar. Mesmo em meio à viagens turbulentas, tudo é compensado pela emoção de seguir em frente, conhecer novos horizontes.

  5. Juliana Sales novembro 18, 2018 / 16:55

    Fiquei aqui pensando que naufrágio só acontecem com que navega. E navegar é preciso, não é? Ou será que não? Consigo entender quem troca a aventura e a beleza da navegação pela estabilidade e segurança de viver sempre em terra. Vale a pena? Não sei, quem sou eu para dizer o que vale a pena ou não? Cada um sabe de seus motivos, suas dores, seus amores… Lunna, sempre me impressiono com as reflexões que seus textos me provocam. Em uma despretensiosa tarde de domingo estou eu aqui refletindo se estou em um momento de navegar ou de preferir a estabilidade da terra firma.

  6. ana claudia de angelo novembro 18, 2018 / 17:47

    A combinação com a escrita é perfeita! Escrever com xícaras de café, quanta perfeição! Sem contar a infância, poesias… E esse navegar, constantemente necessário, de fato nos faz perceber que o tempo passa! Parabéns pelo novo projeto! Quero poder contemplar ainda mais sobre ele! Como disse no facebook, são temas que me convidam! Beijos!

  7. Mariana Gouveia novembro 18, 2018 / 19:44

    e agora a ansiedade mora aqui!!

  8. Retipatia novembro 19, 2018 / 17:23

    É engraçado como ler-te me faz ir em memórias aos meus próprios naufrágios. Comecei a imaginar como seria minha própria embarcação, que me leva de norte a sul, mas sem rumo algum… sem dúvidas seria madeira pintada de rosa, recoberta de flores, estrelas, bonecas e sonhos. Já madeira antiga, em partes maciça, em partes frágil, que precisa ser reparada a todo tempo. A tinta já descascou faz eras, mas é daquele tipo de coisa que ainda se encontra vestígio aqui e acolá, com um tom que destoa da madeira crua, mas que, nem de longa, é o castelo que fora um dia.
    Mas acho que os remendos fazem bem seu papel, não conseguem evitar a água de adentrar, mas permitem que se veja o lado de fora, que seja engolfada vez por outra por ondas gigantescas (que parecem tsunamis) enquanto uso o velho baldinho de brincar na areia pra esvaziar a água que se aventura comigo… talvez seja algo perto disso meus próprios naufrágios, cores favoritas descascadas e água por todos os lados, que consigo tirar, sempre emergindo após a onda.
    Os seus naufrágios, estes estou em contagem regressiva para subir a bordo e conhecer.

    xoxo

  9. Cilene Mansini novembro 20, 2018 / 20:19

    Parei aqui e fiquei pensando se algum dia me aquetei e a resposta é não…acho que a beleza da vida é essa…navegar, mudar, conhecer nos lugares e nos conhecer cada vez mais. Pois depois de cada naufrágio, pequenas paradas, nosso rumo muda, nossa vida muda, alguns novos tripulantes pulam pra dentro do nosso barco e outros se vão e assim a vida segue.

  10. Leitura Enigmática novembro 25, 2018 / 10:27

    Escrever e ser transportado para as memórias da nossa infância é magnífico, tão boa aquela sensação de nostalgia que até o cheio que nos circundava enquanto criança, ressurge no momento. É uma viagem que não desejamos voltar.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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