02/365

Catarina coffee

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Eu não sou uma pessoa de fazer planos e desenhar listas para esse tal de ano novo. Não crio expectativas. Não faço promessas… tampouco me rendo a simpatias-rezas. Não como lentilhas. Não me visto de branco e definitivamente não solto fogos.

Sou aquela pessoa que passa a limpo seus conjuntos de vivências, apreciando tudo que se passou… de bom e de ruim. Gosto de folhear minhas alegrias-tristezas. Saber de minhas conquistas-derrotas. Tudo que ganhei-perdi-e-deixei-passar. Quem ficou. Quem se foi… capítulo por capítulo. E, sometimes, tento reescrever certos desfechos inconvenientes — antes de escolher um lugar para esse livro, na prateleira.

Quanto ao tal do ano novo… o trato exatamente assim: como se fosse aquele livro recém-chegado da livraria. Cheiro. Provo a textura das páginas. Aprecio a capa, a contra capa. Eu sou uma pessoa-leitora… que pertence ao hoje e espera pelo dia seguinte, com uma xícara de chá em mãos, sentada no canto do sofá… enquanto se espreguiça gostoso  segundos antes de começar a leitura da primeira página — capítulo.

Mas, dessa vez, resolvi brincar de medir os meus movimentos e tracejar algumas previsões para esse tal ano-novo, antes que ele caduque… vem comigo?

janela fechada

O ano de 2019… terá doze meses. Cinquenta e duas semanas. Trezentos e sessenta e cinco dias. Oito mil, setecentos e sessenta horas. Mais de quinhentos mil minutos e dezenas de milhares de segundos.

Serão cinquenta e duas segundas-feiras —  o meu dia preferido, na semana. E cinquenta e duas sextas-feiras — o dia favorito da maioria… mas não o meu. Haverá sábados e domingos… terças e quartas e quintas. E eu irei me perder do calendário em algum momento. Num desses muitos feriados prolongados, com certeza.

Teremos vários eclipses solares e lunares… um novo fim-de-mundo que não se cumprirá. Muitas teorias da conspiração e quatro estações do ano: outono-inverno-primavera-verão —  ao menos no calendário. A Natureza anda cada vez mais arisca com os humanos e ela tem os seus motivos…

Teremos dias de chuva e muitas horas de sol. Treze lunacões e a cada novo ciclo —  um novo começo e consequentemente um novo fim.

O ano será regido por Marte, Ogun e pelo Porco — no horóscopo chinês, que tem outras medições e não se rendeu aos romanos e suas insanidades cristãs.

Os começos e recomeços, no entanto, não dependerão da meia noite, quando espocar os fogos e as taças colidirem umas com as outras. Dependerá exclusivamente das nossas vontades que resultará em passos dados depois da Autora — ou não. Despertar não será fácil e haverá dias em que o travesseiro será seu melhor amigo-amante-cúmplice.

Seremos o ponto de chegada e partida para desejos, amores, conquistas, derrotas, frustrações, alegrias, tristezas… e absolutamente tudo passará por nós. Não tem como evitar… o tempo que ficará, no entanto, dependerá dos nossos gestos e ritos.

Alguns de nós farão muitas promessas… que não serão cumpridas. Muitos de nós terão um sem-fim de ideias, sonhos, projetos… e em algum momento acordarão dispostos-animados e prontos para fazer tudo acontecer. Alguma coisa será realizada… e muitas ficarão pelo caminho.

Haverá nascimentos e mortes. Coisas que não farão o menor sentido e outras que farão tudo valer a pena. Motivos para desanimar… não faltarão! Mas, certamente, como o Universo a tudo compensa, haverão momentos incríveis-surreais que farão crepitar o cuore.

…e depois de amanhã será dezembro de novo e a gente vai enfeitar a árvore, preparar a ceia, se embriagar e escrever votos de felicidades para os amigos, mais próximos-distantes e fará as somas de tudo que foi e não foi.

E as conclusões serão as mesmas… mas, vamos nos convencer que o importante é celebrar o novo e preservar a esperança! Por que é preciso acreditar que algo de fato é novo e tudo pode ser diferente… ainda que seja apenas o ano, essa soma humana.


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Mas, o importante é ter consciência, que seja como for, a mão que detêm a pena… é que escreve a sua história! Então aproveita que o caderno é novo e treina a caligrafia!

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17 comentários sobre “02/365

  1. mariel janeiro 2, 2019 / 22:58

    É o caminho e seus caminhantes. Beleza de post

    • Lunna Guedes janeiro 3, 2019 / 11:20

      eu já calcei meus tenis velhos, porque novos não ajudam a caminhar, você vem?

  2. Roseli Pedroso janeiro 3, 2019 / 12:44

    Beleza de texto Lunna! Até pensei em escrever algo sobre mas ando com tanta preguiça (risos)
    Bora caminhar que disso gosto muito!

    • Lunna Guedes janeiro 8, 2019 / 9:24

      Preguiça é feito tatuagem, no meu caso.
      Mas sempre escrevo qualquer coisa, ainda que seja uma linha para não perder o ritmo e manter a mente focada.

      bacio

      • Roseli Pedroso janeiro 8, 2019 / 11:29

        Até que tenho escrito mas sempre acho que não está bom e que não vale a pena publicar. Ando chata comigo mesma (risos)
        Bacio

  3. Life Style janeiro 3, 2019 / 19:47

    Magnifico Post, cheio de qualidade e elegância!! Parabéns!!
    Aguado sua visita e os seus comentários 🙂

    • Lunna Guedes janeiro 8, 2019 / 9:23

      Olá, grata pela visita e pelo olhar.
      Tentei lhe visitar, mas o rastro que deixou não me levou a nenhum lugar. snif

  4. Fernanda Pedotte janeiro 6, 2019 / 11:23

    Que lindo, Lunna!!
    Principalmente esse finalzinho da mão que segura a pena, exatamente assim!
    Também não costumo fazer planos, mas adorei seu texto! Maravilhoso!
    Tudo depende de nós!
    Ahhh e meu dia favorito é o sábado!!

    bacio
    Fernanda

    • Lunna Guedes janeiro 8, 2019 / 9:20

      Grata Fernanda,

      Que delícia saber que não sou a única a não fazer planos.
      E adoro saber que tudo depende de mim, assim não posso dizer que não deu certo por causa do outro. rá
      Embora, às vezes, o outro perturba e atrapalha… rs

      bacio

  5. Patricia Monteiro janeiro 6, 2019 / 13:38

    Também não faço promessas e nem traço planos para os próximos anos, sigo o ditado “o que tiver que ser, será”. Adorei o texto, super inspirado e inspirador! E vamos lá escrever nossa história em 2019!

    • Lunna Guedes janeiro 8, 2019 / 9:18

      oi Patrícia… que venha novos capítulos e que a gente os escreva com o nosso melhor.
      bacio

  6. ana claudia de angelo janeiro 7, 2019 / 18:25

    Concordo com você quando diz que, em outras palavras, o que tiver de vir, virá mesmo: alegrias, tristezas, mortes e novas vidas. Eu gosto de me recolher no meu cantinho. Reflito sobre tudo que vivi, de bom, de ruim, o que posso melhorar. Mas não fazemos festas, comemorações, embora não faça retiro espiritual! Rsrsr. Apenas curto a tranquilidade que o espaço onde moro me reserva. Por ser uma pessoa muito agitada, me faz bem! 😉

    • Lunna Guedes janeiro 8, 2019 / 9:17

      E uma delícia ter uma canto para nós, onde refletir. Também gosto disso. Aqui em São Paulo quando quero isso, vou ao Parque do Ibirapuera, não nos fins de semana que fica lotado, mas nas manhãs de segunda, é perfeito. Vazio, silencioso e nem parece que estamos em Sampa. Fico descalça e deito na grama. Sinto o lugar, os cheiros, a realidade dentro e fora. Mas ainda não fiz isso nesse ano… nesse mês!

      bacio

  7. Juliana Sales janeiro 12, 2019 / 16:43

    Que delícia de texto! E olha, acho que as suas previsões foram muito certeiras, viu? rs
    Concordo quando você diz que começos e recomeços não dependem da meia noite, dos fogos ou da virada do ano em si. Mas entendo muito o apelo que essa época tem, esse desejo que surge nas pessoas de passar as coisas a limpo e fazer novos planos. Quanto a planejar, somos o oposto: planejo o tempo todo, tudo que é possível, o ano novo é só mais um dos muitos direcionamentos que me fazem ser quem eu sou e levar a vida da forma que eu quero. Pode parecer paradoxal, mas planejar as coisas é exatamente o que me dá a liberdade de fazer as coisas que eu quero.

  8. Jessie Bottari janeiro 13, 2019 / 15:36

    Adorei o texto. Me fez refletir sobre como algumas coisas são sempre iguais. Concordo em parte quando você fala que o tem que vir, virá porque não adianta a gente querer e ficar sentada esperando. Acho que você precisa lutar e se não der, não deu. Vamos para a próxima.

    Obrigada pela reflexão.

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