8 | quem escreve…

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“Eu acho que fiz muito bem,
considerando que eu comecei com o nada
e mais um monte de papel em branco”.

Steve Martin.

…mulher. colecionadora de silêncios. amante infiel. artesã. arteira. degustadora de cafés…. meu placebo, quase remendo.

nasci em Gênova — em 1981 — sob a regência de sagitário… uma flecha em voo rasante. me mudei para São Paulo duas décadas depois e por aqui fiquei para me aventurar por ruas labirínticas, com edifícios irregulares, fisionomias rudes e artificiais.

abandonei a psicanálise e passei a percorrer o universo literário. escrevo por escrever somente desde então. conto histórias. reinvento mundos. crio personas em mim, a partir dos outros. fujo das prateleiras. evito caminhos conhecidos. prefiro inventar os livros, por considerá-los uma extensão de meu corpo-alma… os costuro um a um com agulha e fita de cetim e os enumero para sabe-los mapas de minhas vivências particulares.

os únicos rótulos que aprecio são os que vem estampado nas garrafas de vinho.

…sou uma adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros… a direção na qual a ponta do grafite avança. tenho total consciência da condição de meus escritos: inacabados… nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosto mesmo é de vírgulas, exclamações e reticências.

meu único compromisso é para com os meus abismos… e com o estado constante de queda. sem pouso. aprecio o delírio, o estado febril, a condição de delírio…

prefiro a noite, mas já aprendi a amanhecer. gosto imenso de dias de chuva, mas aprecio o dourado do sol nas faces dos prédios que espio. sou uma figura urbana, contraditória, que compartilha da loucura de Dionísio a quem reverencio a cada gole de nada.

…escrevi reticências e septum durante as estações do meu corpo-alma-memória. desenhei a trilogia lua de papel num entardecer rebuscado, teci vermelho por dentro algum tempo depois, inventei meus naufrágios… um não-livro e concebi a Plural, um coletivo literário-insano-inconsequente.

…entre surtos e sustos, equilibro-me nessa corda de emoções exageradas! that´s all folks…

.

 

14 comentários sobre “8 | quem escreve…

  1. Isa Lisboa agosto 8, 2019 / 17:18

    Lunna, você se define como uma árvore secular com raízes no passado e as novas florações tocando as nuvens do céu, ansiando por desvendar o futuro nos brotinhos verdes deste presente, que me encanta a cada novo dia por tê-la conhecido um dia no Leia Livro. Obrigada. Beijos.

  2. Carla agosto 8, 2019 / 17:23

    Nossa, adorei sua página. Muito legal. Muito show. Eu comprei um livro seu na feira do livro aqui em Santana-NE. Me apaixonei pelo livro e pela personagem que você se revela. Me identifiquei muito, sabe? E quando respondeu minhas mensagens, sei lá, foi incrível. Você foi super gentil e eu já estou querendo todos os outros livros. Quero muito ler lua de papel.
    Ah, e quando você disse ali em cima “uma flecha em voo rasante” eu fiquei imaginando o percurso, suas viagens, a maneira como se forjou nessas andanças todas. Muito legal mesmo. Vou voltar muitas vezes aqui. Amei. Amei. Amei

    Sua fã,

    bjocas

  3. manuela barroso agosto 8, 2019 / 17:25

    Você escreve de um jeito tão lindo que me sinto afundando em flores…
    Que lindeza. Estou apaixonada e não quero sair desse cenário tão acolhedor. Falas e sente.se que as tuas palavras saem de dentro desses escritos como que gritando para nascer!

    Baci, Lu

  4. Sandra agosto 8, 2019 / 17:29

    Lunna, estou re-descobrindo seu blog aos poucos. E adorando. Recebi nos meus feeds uma postagem de ontem que me tocou profundamente. Sempre bom encontrar ótimos e sensíveis textos. Obrigada por compartilhar coisas tão boas da vida. Beijos.

  5. Jull Palmer agosto 8, 2019 / 17:32

    Tens um nome profético e tu me pareces , uma mulher forte, sábia e sobretudo inteligente. Gosto do teu norte, de tuas implicações e rumos alheios aos teus.
    Gosto um tanto de ler e mais um tanto de escrever. Minhas linhas são meu perfil e tudo que elas mostram sou eu. Estranho ou não, parece que te conheço há anos… Vamos a ver se entendo o que isso significa. O prazer é muito grande em conhecer-te menina Lunna. E já que é italiana deixo-te um bacio.

  6. Roseane agosto 8, 2019 / 17:36

    Muito legal sua página. Gostei muito, muito mesmo, especialmente da sua definição. Meu primo Maurizio te conheceu outro dia. Ele também é de Gênova, assim como você. Soube que ficaram trocando figurinhas sobre o Porto. Ele adorou te conhecer e eu vim aqui pra saber mais e gostei muito do seu blog. Legal.

  7. tcarlotti agosto 8, 2019 / 17:43

    Lunna,

    Te achei procurando sobre o Mário de Andrade no google.
    Que delícia de blogue. Li os posts desse beda e estou adorando essa sua realidade. Parece algodão doce da infância sabe?

    Voltarei sem dúvidas a te visitar por aqui.

    Um abraço,
    Tatiana

  8. Ane Carol agosto 8, 2019 / 20:16

    Acho super divertido a maneira que você brinca com as palavras e consegue passar para nós leitores todo o sentimento que você coloca no ato da escrita. Parabéns!

    Obs: Adorei esse trecho “os únicos rótulos que aprecio são os que vem estampado nas garrafas de vinho.” E olha que nem curto vinho.kkkk

  9. Thamires Kaled agosto 9, 2019 / 5:50

    Descrições de si é muito louco, não? Podemos perceber o quanto temos feito e o que somos, de fato. Não há ninguém que possa nos descrever tão bem quanto a nós; nossos lábios e dedos.

  10. Fernanda Akemi Podette agosto 10, 2019 / 17:06

    Eu amei o texto e a forma como se descreveu.
    Você brinca perfeitamente com as palavras e aquece o coração de que lê.

    Bacio

  11. Lucas Buchinger agosto 10, 2019 / 20:52

    Lunna você escreve tão bem, de um jeitinho poético, me sinto tão aconchegante lendo seus posts!
    Beijão!

  12. Adriana Aneli agosto 10, 2019 / 21:06

    A gente se atira num texto seu sempre com a mesma ansiedade… e sempre termina com mais ansiedade… qual o próximo?

    • ingridcaldas agosto 12, 2019 / 21:25

      Bela Lunna que se escreve e descreve de forma única e sem rodeios, assim como é este teu viver longe da terra mãe. Vida tua, mas que reúne muitas outras em um não círculo pleno e a descoberto. Saber o café no aroma e calor, o vinho no rubro e o pão. Ah! O pão… Continua que está tudo muito bom! Bacio.

  13. Mariana Gouveia agosto 24, 2019 / 20:00

    Amo tu assim, desde o primeiro texto… era 1º de junho. Uma carta ligou meu caminho ao seu. Sou grata ao Universo por isso!

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