15 | o agosto seguinte… ao seu!

 

Eu escrevo nesse agosto… o seguinte ao seu. Dois mil e dezenove, escrito por extenso porque é assim que preferimos e eu ainda não aprendi a gostar de números na forma-matemática de equações e cálculos insuportáveis… algo que dificilmente acontecerá. Por extenso parece que perdem a forma-idéia-formato, e faz parecer impossível a soma.
E nesse agosto seguinte ao seu, minha cara… você não fechou os olhos. Atravessou a noite como tanto gosta. A ansiedade galopava em sua pele, povoada por tantas coisas-mundos-insanidades. O elemento plural, sem dúvida, é o nosso regente.
A madrugada estava perfeita para leituras e goles de chá-café… você foi a prateleira (após ler o rascunho de uma proposta que lhe foi entregue, na tarde de ontem) e voltou de lá com um de seus livros favoritos: viagens ao scriptorium, de Paul Auster… devorado entre pequenos goles para melhor sentir o aroma em meio a lentidão dos gestos, que tanto aprecias.
Depois disso, voltou a sua nova aventura… o romance a voz das pedras, que tem lhe feito ouvir a mesma música incontáveis vezes — é a trilha sonora de Alice, a nossa personagem. Tomei a liberdade de alterar o nome que tinha dado a ela. Sei o que motivou sua escolha, e reconheço que seu olhar foi certeiro (mais uma vez) ao reconhecer a fôrma-forma.
Enquanto lhe escrevo, o som repete-se em notas — stuck in emotions and I don’t know what they mean / Keep thinking about us and how things get in between / But if it is love, it doesn’t matter, you don’t belong to me — você faz pequenas pausas para repetir trechos da canção e sorri paisagens inteiras, visitadas por dentro. São lugares apenas seus, onde nem você-ninguém esteve. São cenários inexistentes — peças de um quebra cabeças que a sua escrita monta.
Bem, o dia começa a acontecer na janela da cozinha, com suas cores de sol. É inverno por aqui — sometimes — mas, é também verão-primavera-outono. Rumores de tudo e nada, minha cara. Daqui a pouco será manhã. Esse dia seguinte ao seu e ao meu também. Quero ir à cozinha para fazer uma fornada de pães enquanto ainda é hoje.

Até qualquer dia seguinte, cara mia.

4 comentários sobre “15 | o agosto seguinte… ao seu!

  1. Rubyane agosto 15, 2019 / 22:09

    Já disse que adoro a forma como você escreve? Sempre fico fascinada com a forma como junta as palavras. Nesse texto não foi diferente ❤

  2. Dê Amaro agosto 16, 2019 / 1:25

    quando “crescer” quero ser uma escritora assim como você, cada palavra que vc escreve toca o coração ❤ amei ❤ Sigo apaixonada do lado de cá ❤

  3. Thamires Kaled agosto 17, 2019 / 17:18

    Eu gosto incrivelmente da forma que você coloca sentimentos e detalhes que passam despercebidos no nosso dia a dia. Transforma tudo numa poesia ou uma canção não cantada.

  4. Mariana Gouveia agosto 25, 2019 / 19:46

    ai, ai, ai…. os pães… Salivei aqui!

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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