28 | quase sete anos depois

Houve um momento em que eu decidi que não queria os modelos prontos, por saber que não seria o bastante para mim. Era pouco ou nada. Deitar minha escrita em velhos moldes conhecidos e ocupar os mesmos espaços não seria o suficiente. E foi a minha insatisfação que me fez ir atrás de um verbo que eu pudesse conjugar.
Li em algum lugar — e um sorriso coloriu os meus lábios, na ocasião — que há princípios que começam a partir do fim. E, como no poema escrito por T.S.Eliot, eu voltei ao ponto de partida… e ao percorrer os velhos caminhos, perseguindo minhas antigas pegadas, me deparei com a resposta à pergunta que pulsava em meu íntimo.
Respirei fundo, abracei o ar — quase levitei…
O primeiro caderno que eu costurei ficou torto, o laço frouxo… errei os furos, me atrapalhei com a linha, a agulha, as mãos. Desfiz e refiz a costura até acertar… e poder observar o resultado final — reticências que se esgotou no tempo exato das costuras, dentro de uma tarde de sábado de agosto. Data escolhida por marcar o meu passo nessa paisagem urbana. Cheguei a São Paulo no dia vinte e seis de agosto para permanecer um punhado de dias, não cheguei a contá-los ou a prevê-los porque me conheço o suficiente para saber que não sei medir os dias, as horas…
O primeiro livro… curiosamente foi prenúncios de um Norte não imaginado-pensado-planejado, Mas não são assim todos os prenúncios? É como gritar terra a vista… e avistar uma realidade inteira por se viver-inventar.
E a cada novo projeto de livro pensado-elaborado por mim, para mim ou para os outros que se achegaram a mim e aceitavam o desafio de ser diferente, de fugir dos moldes e, compreender que há um scenarium que parte do singular que se é, para alcançar o Plural que somos.

E lá se vão cinco anos em que eu repito — por dentro — em cada movimento meu, o mantra: A vida não é um quem-chega-primeiro. É de quem-se-consegue-preparar-para-chegar-em-último. É de quem sabe que, o importante é chegar…

Publicado por Lunna Guedes

lunnaguedes... sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. não gosta de fazer compras. detesta dias de sol. ama dias de chuva. não aprecia o verão tropical. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda, sem pouso. adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros... a direção na qual a ponta do grafite avança. sabe que seus escritos são obras inacabados... nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

12 comentários em “28 | quase sete anos depois

  1. Parabéns Lunna! Que trajetória bonita! Admiro muito as pessoas que correm atrás de seus projetos, que têm a coragem de se posicionar mostrando a sua verdade, aquilo em que acredita. Os livros artesanais são um encanto, sua iniciativa merece aplausos!

  2. Que texto mais maravilhoso. É tão reconfortante ler algo assim, pq na correria louca em que vivemos todos querem chegar primeiro não importa como. E ter um livro desses em mãos é simplesmente incrível, me remete a um cuidado impar.

  3. Que texto mais lindo !
    Ainda não conhecia esse livro, mas já fiquei muito interessada.
    Realmente na sociedade de hoje o que importa é chegar primeiro… agora se você se machuca no meio do caminho, pouco importa. Mas importa sim! Chegar, no seu tempo, já é o suficiente.

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