05 | Um torvelinho por dentro

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As minhas ideias acontecem quando eu me coloco em movimento de cômodos-calçadas-ruas-esquinas. Só depois é que me sento para escrever. Meu pensamento necessita do passo… como o grafite que precisa caminhar pelo papel. Tudo se organiza naturalmente e eu sinto dentro, o lado de fora e o contrário também.
Quando leio um texto-livro-original-a-mim-encaminhado… o mesmo acontece. Me coloco em movimento… ultrapassando um a um os cômodos da casa, o espaços da cidade — quarto-sala-cozinha-banheiro-corredores-calçadas-ruas, numa espécie de reinvenção dos mapas de minhas emoções-vivências-e-experiências…
Me lembro do quanto gostava — na infância —, de observar da janela, aqueles giros rápidos de vento em espiral, feitos de ar quente. Os torvelinhos surgiam no nada nos dias quentes e carregavam tudo o que fosse proporcional ao seu tamanho-força. E desapareciam sem deixar rastro, como se não tivessem existido. Rápido e ágil — o tempo exato de um sopro-morno que existe enquanto há fôlego.
Uma das minhas brincadeiras favoritas, na infância, era imitar os torvelinhos… abria bem os braços e rodopiava — girando e girando cada vez mais rápido. Não era ágil o bastante… nem o meu corpo era propício ao movimento de giro. Sentia tontura e, naqueles dias, não fazia idéia de que era uma ilusão. Sentia tudo em movimento, menos o meu corpo. O meu mundo e a cabeça giravam ao contrário… e, na tentativa de recuperar o equilíbrio perdido, fechava os olhos e esperava… sentindo dentro, o efeito que tinha buscado do lado de fora.

Publicado por Lunna Guedes

lunnaguedes... sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. não gosta de fazer compras. detesta dias de sol. ama dias de chuva. não aprecia o verão tropical. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda, sem pouso. adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros... a direção na qual a ponta do grafite avança. sabe que seus escritos são obras inacabados... nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

7 comentários em “05 | Um torvelinho por dentro

  1. Lunna, cara mia, acredita que esse era um dos meus passatempos prediletos? Girar feito pião e parar de repente, só para sentir tontura (risos)
    É por essas e por outras que tinha fama de louca. haha!! Oh lembrança boa!!

  2. Curioso, eu prefiro/preciso de silêncio e “repouso” para alinhar meus pensamentos. Gosto do movimento para “parar de pensar”, espairecer, relaxar. Para pensar, organizar, fazer planos, ter ideias preciso estar quieta no meu canto.

  3. Sou como a Juliana, preciso de calma e silêncio para agrupar as ideias, minha mente não funciona bem em movimento. Mas as pessoas são diferentes, cada um tem o seu jeito próprio de sentir o mundo e assim expressar seus sentimentos (e que bom que é assim!).

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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