11 | uma voz nas pedras

Li em algum lugar que, bons livros levam tempo para existir na superfície das coisas. Não penso no tempo — dos ponteiros — não me ocupo de calendários. Não tenho pressa… mas não se engane — eu sou uma pessoa movida a urgência.
Quando as frases gritam dentro — e de tão cheia, necessito transbordar… deixar sair e dar a elas o movimento do grafite-passo pelo chão-papel. É uma cena curiosa de se observar… qualquer coisa de desatino se apodera de meus gestos-modos. Não sei dizer se me calo, fecho dentro ou se grito e fujo por ruas-avenidas-alamedas sob os olhares convencidos de minha loucura.
Já perdi narrativas inteiras — entre um passo e outro —, no tempo em que decidi que a literatura era meu caminho-destino… um alvo para a minha flecha, a equilibrar-se em mira, no exato instante em que se antecede o disparo.
Tudo acontece dentro, numa efervescência desconcertante. O cuore pulsa acelerado. A mente alucina. O corpo convulsiona. É uma inquietar-se com o qual se acostuma…
Me lembro que o meu primeiro contato com Alice — personagem desse novo livro-romance — aconteceu durante uma viagem. Eu queria me afastar de São Paulo para conhecer novas paisagens. Seguir o traço cinza rumo ao interior, sem mapas que me guiassem. Optei por me orientar pelas placas verdes da estrada e rabiscar mentalmente as possibilidades até me deparar com um nome que significasse alguma coisa.
E, ao me deparar com aquela frase — o lugar onde ainda se vive — escrita no alto de um portal verde e branco… eu encontrei o que procurava. Segui adiante para conhecer o lugar que acontecia — espremido — entre montanhas. Uma espécie de Vale que as nuvens protegia nas primeiras horas do dia.
E, faltando menos de três semanas para o lançamento, esparramo essas lembranças por cima da mesa e vou espiando a construção de cada capítulo… desde o tempo dos rascunhos de gaveta — uma dúzia e meia de páginas impressas, algumas folhas soltas-rabiscadas e a falta de certezas a empurrar para o futuro o projeto-literário, que mudou  de nome, ganhou novos personagens e um novo fio condutor.


Alice é uma mulher traída por um desejo comum: ser feliz. Sonhava desde a infância, viver um conto de fadas. Quando escutou a história da Cinderela pela primeira vez — se metamorfoseou em Princesa. Passou a sonhar com o seu próprio conto de fadas… o dia do sim, o vestido branco, a igreja cheia, a marcha nupcial, os votos, o par de alianças, a chuva de arroz e o foram felizes para sempre.
O problema é que qualquer homem que lhe oferecesse um anel, seria um Príncipe. Alice se esqueceu de considerar que nessas histórias infantis… não existe o dia seguinte ao “foram Felizes para sempre” e existe um motivo para isso — tudo se resume ao once upon a time — e Alice descobre o que todas essas histórias escondem, da pior maneira.


O lançamento de Alice, uma voz nas pedras será no dia 30 de novembro, às 19 horas na  Casa Laranja… em São Paulo.


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Publicado por Lunna Guedes

lunnaguedes... sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. detesta dias de sol e ama dias de chuva. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros... a direção na qual a ponta do grafite avança. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

11 comentários em “11 | uma voz nas pedras

  1. Oi Lunna!

    Parabéns por mais um livro!
    Uma pena eu morar em outro estado, adoraria ir no lançamento.
    Acho que muitas mulheres tem um pouco de Alice nelas, né?
    Até quando vai durar o “felizes para sempre” de Alice e enquanto aturarão o “não-felizes para sempre”?

    Bacio,
    Amanda Rocha

  2. Gostei da frase “Não tenho pressa… mas não se engane — eu sou uma pessoa movida a urgência.” A sinopse do seu livro ficou incrível e a história conhecendo um pouco da sua escrita no blog parece ser bem interessante. Parabéns.

  3. Gosto dos posts onde você fala sobre seu processo de escrita e o surgimento das histórias e dos personagens, porque é algo totalmente fora da minha realidade e acho muito interessante ver como isso funciona. Já quero conhecer Alice. Aliás, adoro esse nome. E parabéns por mais um livro!

  4. Ah … quantos e quantas Alices … definir felicidade como uma conquista, uma marca sem entender que ela é uma quase insustentável sensação, que é nossa e não deles, e mudamos assim como eles, é entregar o ouro ao bandido. Esse conceito, ser feliz muda todo dia, e isso é bom no fim, pois abre novas opções 🙂

  5. Parabéns Lunna, se eu morasse em São Paulo com certeza iria ao lançamento! Fiquei entretida com a sinopse, a proposta da estória parece envolvente. Confesso que me identifiquei em alguns pontos com a Alice, essa busca pelo príncipe e a felicidade que nem sempre condizem com a realidade…

  6. Parabéns pelo seu livro, tenho certeza que é uma história e tanto, se morasse perto teria ido no lançamento para te dar um abraço e te desejar muito sucesso, sua escrita é maravilhosa.

    Bacio.

  7. Acho que todas as pessoas que trabalham com criatividade são movidas a urgência e tem um algum grau de pensamento acelerado. Pra você, Lunna, que vive escrevendo, esse sentimento deve ser bem maior.
    Adorei ler seu relato e também saber um pouquinho sobre a Alice, Espero ouvir falar mais dela aqui no seu blog ❤

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