28 | quarto capítulo do meu Scenarium

Ao final do primeiro ano da Scenarium, eu não tinha certezas. Havia inventado meia dúzia de projetos de livros — exemplos de poesias e contos. Vinte disso, cinquenta daquilo. Capas e miolos iguais — tudo feito no Word, em caráter totalmente experimental. Mas eu não estava satisfeita…

Escolhi fazer uma pausa para observar tudo que havia feito… foi o que me permitiu compreender o chão que piso e o lugar que habito.

Uma das poucas certezas alcançadas era a de que eu não queria me envolver em disputas por prêmios e editais. Também não editar um futuro Best Sellers, tampouco disputar espaço nas prateleiras das Livrarias da cidade, por mais paixão que eu tivesse por aquele cenário de livros. O meu universo-realidade era outro…

Eu desejava investir tempo no formato do livro… encontrar um estilo próprio-único para o meu Scenarium. Um baú cheio de livros… uma mala. E ao pensar nisso, me veio a mente os vendedores de livros que passavam na rua em que eu cresci. Sempre tinham um exemplar para mim, escondido lá no fundo da maleta. Um dos meus livros favoritos de poesias eu adquiri assim, no portão de casa. O homem vendia Enciclopédias. Exibia satisfeito o catálogo de livros com capa dura. Coleções inteiras. Mio babo adquiriu algumas e eu aprendi muito ao folhear a maioria daqueles livros pesados que me levavam de um para o outro… em busca de respostas para as aventuras dos temas.

No segundo ano… eu experimentei diferentes tipos de papel, fios e fitas. Buscamos por um conceito de furação — de seis furos feitos por uma furadeira para quatro furos feitos com um simples furador de papel.

Uma coisa não mudou… nada era definitivo. Acumulei erros… meu elemento favorito. Não se adquire experiência com acertos. Fracassei em algumas propostas. Escolhi autores que não combinavam com a minha proposta. E foi aí que eu compreendi que o livro artesanal não é para todo mundo…

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

13 comentários em “28 | quarto capítulo do meu Scenarium

  1. Sabia que ler seu post iria gerar uma reflexão…Esse chão e feito de vidros, passos certos, as vezes, é necessário parar e observar….
    Realmente há ” leitores” apressados outros ansiosos…Há os curiosos, os desconfiados….E existe um vasto campo a ser percorrido…
    Qual caminho percorrer???
    Abraços

  2. A cada post que leio aqui sobre seu trabalho, mais encantada fico. Admiro demais quem trabalha com o que ama, faz as coisas do seu jeito e banca isso. Tenho buscado esse caminho tem um tempinho e não é fácil, mas é tão compensador!
    Fiquei pensando também sobre esses livros que caem no limbo… é tão curiosa essa relação leitor/livro não é? Nunca tinha pensado nisso considerando o ponto de vista das editoras. E pensando agora e vendo como alguém de fora desse mundo me parece que o foco é em livros vendáveis e facilmente esquecíveis… Não é uma crítica, sempre defendo que tem espaço (ou deveria ter) para todo mundo e gosto é algo que não se discute. Mas fiquei aqui pensando que o ruim é justamente o domínio desses livros esquecíveis e o pouco espaço que fica para outros tipos de obra.

  3. Eu adoro o fato de você escrever o que deseja, sabe? Eu espero que você continue sempre seguindo essa linha poética, profunda e inspiradora. A cada passo, eu me sinto mais inspirada e ansiosa por publicações suas futuras.

    E, no texto de hoje, o final foi tão bonito, tão arrebatador que acho que me deixou sem palavras. Entender ao observar, sentir no ser onde está e se fazer entender como ente e como agente. Muito bom!

  4. Nunca tinha parado pra pensar no destino dos livros que têm sucesso rápido…é um paradoxo grande, em um momento todos querem ler, no dia seguinte ninguém quer saber mais…acabam sendo livros descartáveis que muitas vezes acabam tirando o lugar de um bom lançamento. Seu trabalho é digno de aplausos Lunna, valoriza a boa escrita em um país que talvez não esteja preparado para isso (mas é preciso tentar abrir mentes e corações). Abraços!

  5. Oi, tudo bem? Faz tempo que não entro no seu blog e adorei o novo visual, muito bonito!

    Achei bem interessante essa sua reflexão, bem triste como o dinheiro e o capital prejudicam a arte e a cultura. Um livro ou um trabalho artístico não deveria ser avaliado por vendas. Até porque existem inúmeras variáveis nisso, como toda essa questão de marketing e publicidade em cima.

    Achei seus livros lindos, adoraria ler. Adoro coisas artesanais, sinto que tudo ali foi feito com cuidado e capricho, sabe? Parabéns e sucesso, beijos!

  6. Oi, Lunna! Tudo bem?
    Eu devo admitir que, antes de ler esta postagem, não conhecia o seu trabalho. Pelas reflexões (importantíssimas!) que suscitou, decidi conhecer um pouco antes de vir redigir esse comentário. E que beleza encontrei! Estou encantada com o projeto que vem desenvolvendo e, definitivamente, vou querer acompanhar mais de perto…
    Abraços,
    Literalize-se

  7. Oi Lunna!
    Mais uma vez, seu post me fará refletir durante um bom tempo…
    Realmente, esses livros, histórias e afins que adquirem sucesso estrondoso e imediato acabam esquecidos fácil! Já obras mais “fora da curva” são meio que para sempre, né? Nem que seja de um público menor, o que não tira o mérito da mesma de forma alguma.

    Beijinhos e boa semana

  8. Eu admiro muito o trabalho que vocês fazem. Mesmo sendo muito utópico, eu acho bonito de certa forma quando um livro é lido por poucas pessoas. Eu penso que se um dia eu publicar um livro acharia legal fazer algumas edições físicas e dar a um número pequeno de pessoas… como se fossemos membros de uma sociedade secreta hehe.
    Mas, por outro lado, é muito triste ver livros bons esquecidos por aí por não alcançarem o grande público. Dessa forma, desejo todo o sucesso para vocês ❤

    1. Minha cara, nem de longe o nosso trabalho é uma utopia se você considerar que todos os dias se produzem milhares de exemplares de livros que vão para o lixo reciclado porque ninguém compra. São poucos os livros que atingem metas de vendas e há muitos autores que pagam suas publicações e acabam com caixas no fundo do armário.
      O problema do universo dos livros é justamente esse, o que é produzido e que acabam no limbo porque não seduzem leitores e nem conseguem espaço nas prateleiras das livrarias, espaço caríssimo para muitos autores.
      Os bastidores da literatura, infelizmente é repleto de histórias tristes.

      abraços cara mia

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