02 | os livros a…gosto da leitora que sou!

É comum me perguntarem… como escolho os livros que leio durante o mês. Não sou fã de listas dos mais lidos e tenho pouco apreço por indicações.  Algo que foi bastante comum na minha infância-juventude. Li a relação completa oferecida pela professora-bibliotecária-amigos-artistas. Gostei mais de uns que de outros mas, os li por inteiro… da primeira à última página. Alguns foram consumidos em poucas horas. Outros levaram dias-semanas…
Demorou anos — quase uma vida inteira — para eu compreender que era possível deixar  um livro de lado  — para depois ou nunca mais.  Me torturei com a não-leitura de certos livros. Ulisses — considerado o melhor dos livros por acadêmicos que são seres especializados em conceitos e princípios básicos — foi um deles, mas não foi o único. Fiquei feliz por concluir que é perda de tempo insistir, já que há muitos livros no mundo e a maioria não será lido por falta de tempo-vida.
Por isso, passei a escolhe-los através do tato… enquanto aguardo pelo apito agudo da chaleira, vou até a prateleira e passeio por eles, sentindo-os um a um. Não sei o que me move-impulsiona-motiva e nem tento descobrir. Todos os livros que estão lá, foram escolhidos em um momento anterior quando tê-los em mãos, foi motivo de provocação. Como na poesia de Eliot em que as chamas consomem uma casa. Nesse caso são as paredes do meu corpo que o fogo consome.
Eu gosto de viver em solavancos, em queda… a tropeçar nos epítetos. Ser um abismo onde mergulhar… um verso inacabado-solto no ar por Wislawa, Herberto ou Borges. Antecipo-me às emoções de certos versos. Sinto a mudança brusca de temperatura, na pele. Pressinto o vazio na  minha porção mais funda. Sinto fome-sede, tudo ao mesmo tempo. Um contentar descontente  — como disse o Poeta. 
E o apito agudo da chaleira ressoa até ser interrompido por mim. Gosto imenso do som da água quente caindo na xícara… e do tempo de espera até o primeiro gole.  Degusto — chá e páginas — em pequenos goles enquanto aprecio-reverencio a pessoa que deixei de ser e a que serei pouco depois  — “e nascia dessa fala / uma língua que contava / o primeiro dos pecados / que é o pecado dos poemas / espalhados pelo mundo / e entroncavam todos eles / no dito tronco maldito / que das entranhas da terra / sobe e sangra e refloresce / e brilha a fruta compacta / que o pensamento desata et coetera et coetera / venha a mim o mal da terra”…

Acho que deu para notar que meu agosto terá aroma de versos…

1 — o outro, o mesmo, jorge luis borge
2 —  poemas, wislawa szymorka
3 — ariel, sylvia plath
4 — poemas canhotos, herberto helder
5 — a criança em ruínas, josé luis peixoto


b.e.d.a — blog every day august —
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina
Mariana Gouveia — Obdulio Nuñes OrtegaViviane Almeida


Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

7 comentários em “02 | os livros a…gosto da leitora que sou!

  1. Eu não tenho o hábito de ler poesias mas, gosto muito de livros de ficção e biografias. Esse ano estou no meu melhor ritmo de leituras onde e estou me permitindo conhecer novos autores, gênero literários, e encontrando histórias emocionantes e diferentes daquelas que costumo ler. Indico a leitura de três livros favoritos do primeiro semestre de 2020: Sadie, Sobre os ossos dos mortos e Um lugar bem longe daqui.

  2. Eu amo poesia. Eu gênero que eu mais amo ler. Eu gostava muito e contos na adolescência, daí descobri a crônica quando tinha uns 14 pra 15… li as poesias de Pessoa, Quintana, Florbela, e outros tb por essa época…passei um tempo só lendo romances…mas já adulta me entreguei a poesia…n me deixa entrar na tua casa que vou me misturar aos livros, me confundir a eles e não sair mais de lá até ser confundida com um kkkllkkl eu adoro xeretar a estante alheia…aqui no Maranhão a gente fala ” marocar” , esse r único entre duas vogais assim mesmo kkk

  3. Ah! A escolha do livro… Quando criança e quase adolescente eu nutria a (quase insana) vontade de ler todos os livros da biblioteca municipal da cidade. Com o tempo fui percebendo que gostava mais de um livro, menos de outro e também me torturei muito com o “não lido” ou não terminado. Ainda fico chateada quando não finalizo uma leitura, mas nem tanto – Como você diz, há muitos livros para ler e pouco tempo.

    Abraços!

  4. Ah, o café… Fecho os olhos e ouço a cafeteira…Quase sinto o cheiro da poesia que sua cozinha exala.
    Delicia todos esses livros!

  5. Passeio bom esse por entre estantes de livros. Sempre me perco pelos corredores daqui da biblioteca onde trabalho. Melhor refúgio não há. Comecei a ler o livro A criança em ruínas. Logo no primeiro poema, fiquei abestada com tamanha beleza! Não conhecia esse poeta e por isso mesmo sou grata à você por me apresentar à ele. O prazer foi todo meu! Bacio

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