Por que escrever outro não-livro?

Aconteceu — de novo — mas, foi diferente. Em “meus naufrágios” selecionei uma dúzia de textos quase prontos — uma espécie de colheita feita a partir do que havia escrito nos últimos anos e depois de um sem-fim de leituras… considerei que tinha em mãos qualquer coisa de diálogo sobre como a pessoa-mulher-escritora que eu sou, se forjou em meio a tantos personagens fantasticamente reais.
Não tive muito trabalho para converter o material em livro mas, ao me sentar para folhear os cadernos impressos e amarrados com fita de cetim, conclui que não era um livro e, preferi dizê-lo: um não-livro…
Em “aos sábados” o ritual foi outro. Os textos não estavam prontos e eu me propus a escrevê-los. Não me orientei num projeto-proposta de livro. Preferi não pensar nisso. Me orientar através do movimento dos dedos no teclado ou do grafite do papel… repetindo a infância quando eu me sentava à mesa da cozinha, dentro das manhãs de sábado… e escrevia pequenas notas, inventadas a partir das minhas vivências. Uma narrativa sem compromisso algum. Apenas palavra encadeada em outra palavra… na terceira pessoa do plural — a partir das minhas vivências.
Escrever um livro requer disciplina-dedicação… planejamento-proposta. E, nesses dois livros nada disso existiu. Escrevi por escrever somente… repetindo-me. Escrita confessional. A memória invocando certas lembranças, resgatando tudo que foi e não foi. A realidade convertida em balanço, no quintal a se mover para frente e para trás. O corpo — convertido em pêndulo — a pulsar o antes e o depois… indo cada vez mais alto. E a mão que empurra é o imaginário…

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

2 comentários em “Por que escrever outro não-livro?

  1. Desejo tanto escrever um livro, mas quando paro e analiso, vejo que não tenho competência para tal. É muito complexo e precisa-se ter muita criatividade para se criar um enredo que prenda o leitor. Então, continuo como leitor mesmo.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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