Dia da Marmota…

Hoje, nos Estados Unidos da América se comemora o Groundhog Day… que ficou conhecido graças ao filme feitiço do tempo — com Bill Murray no papel de egocêntrico Phill, um repórter do tempo, que tem o mesmo nome do animal — uma marmota —, que após o período de hibernação tem o seu comportamento observado por uma multidão.

Se o simpático bichinho voltar para a toca… significa que o  inverno durará por mais tempo: seis semanas. Caso contrário, a primavera chegará mais depressa e os agricultores ficarão satisfeitos.

Obviamente, o animal não faz previsões… apenas percebe que está frio — fortes nevascas atingem os Estados unidos nessa semana — e volta para a toca porquê de bobo ele não tem absolutamente nada.

O mais famoso Groundhog Day acontece em Punxsutawney, na Pensilvânia onde supostamente ocorreu a primeira celebração em solo estadunidense. Segundo a lenda — que são muitas —, antes de ser levada para as terras do tio Sam, a tradição acontecia em solo alemão. Mas, por lá, usavam um texugo badger. Já Phill, a Marmota, dizem ser a mesma desde que o festival teve início — apesar do bichinho viver no máximo por seis anos.

O evento ocorre desde 1886 mas se tornou realmente conhecido graças ao filme em que o personagem acaba preso num loop temporal que o faz acordar pontualmente as seis horas da manhã do dia 02 de fevereiro, e vivenciar o Groundhog Day centenas de vezes.

O filme que ganhou uma maratona no Paramount network nesse dois de fevereiro, não é o único a usar o evento de loop temporal. Mas é o que fez uso de elementos peculiares que nos permite traçar um paralelo entre a trama do filme e a nossa — insana — realidade cotidiana. Lançado em 1993 quando não havia pandemia e não estávamos isolados socialmente em nossas casas ou em nós mesmos… fica bem fácil compreender o personagem que surta ao acordar e se deparar com a mesma realidade do dia anterior —mas será que haverá amanhã, porque hoje já não houve?

O filme vai da comédia ao drama em poucos segundos. O personagem tenta se matar várias vezes. Nada funciona. O rádio relógio toca — alguém ainda se lembra daquele objeto antigo, com números vermelhos a gritar uma música qualquer e nos arrancar do mundo delicioso do sono profundo? Eu tive um —,  e pronto: é dia dois de fevereiro novamente.

Algo parecido com o que vivemos desde que a pandemia foi decretada nesse século. Alguns de nós se disseram exaustos com tantos domingos, outros com as segundas-terças… No filme, no entanto, o personagem — depois que toma consciência de que não tem escolhas —, resolve aproveitar… lê todos os livros que nunca tinha tempo para ler, aprende a tocar piano, alguns idiomas. E quando finalmente se torna uma pessoa melhor… acorda para o dia seguinte e vive intensamente seu primeiro minuto do dia seguinte.

E para quem já acordou exausto e com a sensação de que o dia se repete: que tal fazer algo de diferente? Eu, por exemplo, organizei cursos, reuni pessoas para um clube de leituras. Deu certo. E foram muitos os que me agradeceram por salvá-los da famosa síndrome da marmota.

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

3 comentários em “Dia da Marmota…

  1. Gosto desse filme. Já assisti várias vezes. Sou uma das que gostaram desse período louco que vivemos. Pude ficar comigo mesma, me conhecer melhor e enxergar o que realmente quero e me faz feliz. E, faço parte do grupo que te agradeceu por reunir pessoas afins com temas que a todos agradam: ler e escrever ou vice versa.

  2. Falou em dia da marmota eu lembro deste filme! E fico pensando se existem tradições assim por onde eu moro, mas não me vem nada na mente. Mas lembro que quando morei no RS as pessoas colhem Macela na sexta feira santa. Diz a tradição que a planta é abençoada neste dia, e serve de remédio para problemas estomacais.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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