* Don´t stop´til you get enough

Eu ainda me lembro da primeira vez em que me sentei diante de uma televisão ligada. Estava na casa do mio nonno que gostava de se distrair com a programação no começo da noite. Não me interessei pelo programa de auditório com personagens mambembes. Provavelmente devido a falta de hábito de ficar imóvel-quieta — como se estivesse em uma sessão hipnótica — a observar pessoas a realizar atividades em troca de um pequeno-cachê. Os meus olhos começaram a pesar de sono. Efeito que perdura até os dias de hoje. Adormeço facilmente… durante filmes, séries, novelas, comerciais.

Ao voltar para casa… na semana do fatídico 11 de setembro. Preparei uma xícara de leite e liguei a televisão. Acordei algum tempo depois… com a luz da tela a iluminar ao lugar-escuro e a incomodar os meus olhos. Procurei pelo controle remoto que estava no chão e desliguei… a televisão e o meu corpo. Ajeitei o meu corpo no sofá e voltei a dormir… totalmente alheia ao que era tragédia no mundo dos outros.

A minha falta de interesse pela vida alheia provavelmente contribuiu para não ser mais uma pessoa diante da TV. Tenho pouca — ou nenhuma — paciência para dramas e o sensacionalismo que rege a maioria das atividades que a televisão produz.

Outro motivo para eu não me interessar pela televisão é o constante falatório, que me atordoa… rouba a minha a paz e o meu sossego. É um efeito imediato… começo a alucinar, como se estivesse no deserto, com o sol a derreter os meus neurônios.

Por isso eu nunca fui uma boa ouvinte para os programas de Rádio. A única emissora que eu tolerava… oferecia uma hora inteira de músicas. Os radialistas se limitavam em dizer o nome da música, da banda e o ano de lançamento. E foi justamente a música que me fez ligar a TV no final da década de 1980. A MTV exibia clipes musicais e a famosa lista das dez mais nos finais de semana, pela qual eu esperava apenas para conferir se alguma música minha (coisa rara) figurava entre as primeiras. O que aconteceu duas ou três vezes.

No Brasil eu descobri as famosas telenovelas com seus capítulos diários. Nunca assisti uma inteira. Não consigo acompanhar narrativas longas. Séries também me aborrecem. Vinte e tantos episódios a respeito de uma realidade e seus personagens…

Em tempo de streaming ficou óbvio o poder e a importância da televisão na vida das pessoas… que agora podem criar a sua própria programação e determinar o tempo gasto com o entretenimento. Estão alforriados do modelo engessado da televisão de antigamente e, no entanto, estão cada vez mais presos a uma tela. Podem escolher o que ver num catálogo, que lembra o menu de restaurante. O que eu acho igualmente cansativo! 

Nessa pandemia, no entanto, eu acabei por recorrer a televisão. Assisti a canais de filmes, séries e de notícias. Ouvi especialistas em vírus, vacinas. Soube como a humanidade pode se auto destruir porque ao contrário dos animais, não temos instinto de preservação. É como se tivéssemos um daqueles botão de auto destruição no meio do peito com um relógio a gritar o seu maldito bip bip mecânico… numa contagem regressiva — perto do fim.

Fomos acostumados a nos distrair e a se divertir. Apontamos o dedo e culpamos a televisão que só existe porque precisamos olhar por uma janela e ver a realidade disfarçada de ficção. 

 | * um dos clássicos de Michael Jackson que foi tema de abertura do programa vídeo show  |

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

2 comentários em “* Don´t stop´til you get enough

    1. Leio longas narrativas sem problemas, caríssima. Adoro os meus calhamaços. Mas eu nunca achei que fosse escrever um romance, tanto que durante algum tempo achei que não conseguiria faze-lo. Mas a escrita sempre foi uma maneira de silenciar a Realidade.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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