Domingo é dia de feira…

…hoje é domingo e, eu dei aos pés o sabor dos passos-largos pelas calçadas com seus desenhos de andar e fui à feira. Eu gosto imenso de transitar entre as cores e aromas que as barracas coloridas — armadas na rua dos pássaros — exibem. Provo da textura das frutas bem arrumadas numa —  singular — geografia de cores-formas-tamanhos. Não seria capaz de repetir, se me fosse pedido tal artimanha. Não sei como se equilibram uma por cima da outra sem se misturar… sendo laranjas-maçãs-peras-melões-melancias-uvas. Sem falar nas hortaliças com suas cores tão próximas e folhas tão distintas. Eu sempre peço ao feirante para escolher por mim… tenho plena consciência de que há uma criança travessa em mim que — fatalmente — puxaria a fruta certa que causaria um desmoronamento na barraca. Sempre imagino a cena ao me aproximar da banca de frutos e preciso conter o riso…

A Feira de domingo se esparrama ao longo da rua, tropeça na figura do famoso café entre esquinas — onde comecei e terminei um livro, sentada à mesa ao lado da porta de entrada-saída em anos outros. A mesa ainda está lá, no mesmo lugar, mas há tempos não piso o cenário que era tão meu e hoje é coisa alheia. Respiro fundo essa saudade e sigo com as compras. Há ingredientes a escolher e o faço sempre nas mesmas barracas, com as pessoas que já sabem do que gosto e indicam o que há de melhor no dia-semana. Mas, está tudo caro… os preços gritam tão alto quanto os feirantes que anunciam seus produtos numa espécie de competição entre barracas.

Hoje eu pretendia comprar tomates — vermelhos — para um molho-salsa… o meu preferido. Gosto imenso de pedaços da fruta misturados as lascas de cebola, filetes de alho e punhados de salsinha maceradas entre as mãos. Há um pequeno segredo para deixá-lo cremoso… mas eu não posso contar. Não é nada impróprio. Mas como se trata de um segredo, uma vez revelado, deixaria de ser o que se é…

O preço absurdo dos tomates me fez desistir do molho-vermelho. Optei pelo alho poró, cebolas roxas, vagem filetada, abobrinha, rúcula, couve manteiga e, pimentão amarelo… uma horta inteira. Compramos bananas e um pedaço de abóbora de pescoço para fazer doce. E, enquanto esperávamos pelo famoso pastel de feira, recordei um antigo artigo em que dizia que as famosas “feiras de rua” estavam com os dias contados. Olhando para a multidão que se acotovela entre as barracas — em plena pandemia —, dou de ombros. Acho impossível pensar as ruas da cidade sem essa algazarra de caminhões, barracas e os animados feirantes a gritar suas ofertas de momento.

Abril [entre tantas coisas] é o mês do B.E.B.A e lá vamos nós…
e eu terei companhia nessa aventura diária
 

Adriana AneliAlê HelgaClaudia LeonardiDarlene Regina
Mariana GouveiaObdulio Nuñes OrtegaRoseli Pedroso

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

24 comentários em “Domingo é dia de feira…

  1. Quase senti o cheiro das frutas, do molho e ainda bem que tenho tomates prontos para colher ali no vaso… e esse segredo, hein?!

    1. Gosto de ir a feira… mas sinto falta de andar sem preocupação, passeando por barracas com calma.
      Quando ao segredo, continua a ser o que se é. rs

      bacio cara mia

  2. Desde criança gosto dessa bagunça orquestrada que são as feiras livres. Trago boas lembranças e o pastel, ah o pastel! Saudades pois nunca mais pisei em uma feira desde que essa pandemia começou.

    1. Na primeira vez que eu fui a feira, confesso que levei um susto, mas adorei a atenção e o cuidado dos feirantes. E gostei mais ainda de saber de onde vinha os legumes, as frutas. Achei maravilhoso. Eu tenho ido a feira, mas não com a tranquilidade de antes. Sinto falta do caminhar tranquilo por entre as barracas. Agora, eu vou em horários em que tem menos pessoas… bem cedo, quando o preço é bem mais caro. Mas é o que temos… para o momento.

  3. Eu acho que não existirá um dia em que as feiras se extinguirão. Fazem parte da cultura popular, é tradição, evocam aquela coisa antiga, saudosista. Mesmo em tempos de pandemia percebo a frustração da falta das feiras, e ficamos todos ansiosos aguardando por aqui pelas quinta-feiras da feirinha da pracinha do Pedro Moro, que tomou formato e tamanho e não mais é realizada na praça, mas sim uma quadra mais acima.

      1. Eu não tomo caldo desde o início da pandemia pq fico pensando: Eles não passaram álcool nessa cana antes de moer hahahah o pastel eu ainda consegui levar um pote meu e levar quentinho pra casa, mas chega murcho :(. Eu sei fazer, mas a ideia de fritar e engordurar a cozinha toda não me é agradável heheh

  4. Passei por essa feira em certa ocasião em que fui ao seu encontro, eu acho. Para um dos cafés que não mais frequenta, assim como eu… Eu acho que feira, se acabar, será apenas depois que mudar de plano…

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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