Limites da civilização

Ao sair para caminhar pelas ruas do bairro em que moro, sempre tenho em mente a frase de Ralph Waldo Emerson “a tentativa de exprimir uma verdade interior da percepção“… estou sempre atenta as possíveis geografias do lugar, prestando atenção na fachada das casas-prédios, como se estivesse diante de uma tela de Hopper que tem uma visão objetiva.
Já me encantei com uma velho casarão que foi demolido para dar lugar a um prédio de muitos andares fantasmagóricos. Me apaixonei completamente por uma pequena casa-amarela, que resiste bravamente entre prédios. E, dessa vez foi uma casa em ruínas, escondida no fim de um corredor cinza, que se revelou uma espécie de projeto impressionista.

Quando me deparei com o pequeno portão de ferro-antigo-branco-sujo aberto… não titubeei. Avancei o passo e acabei diante desse cenário de perspectivas próprias, com formas peculiares devidamente alteradas pela tempo…

Ao me deparar com a veneziana aberta me lembrei da tela Solitudine… as cores, as luzes, as formas, o espaço e as sombras criam um efeito de alienação. Imaginei o tempo anterior às ruinas, os cômodos e a mobília espalhada pelos cantos. A hora da refeição e eco dos diálogos…

Em Solitidune, o estado de Solidão da casa, é o fio condutor para o artista… e foi justamente no que pensei ao espiar o interior das ruinas, com o mato que se insere e ocupa o lugar…

Essa casa em ruínas dramatizou em minha amalgama… as fronteiras entre o tempo e o espaço; o ontem, o hoje e, talvez o amanhã…


Abril [entre tantas coisas] é o mês do B.E.B.A e lá vamos nós…
e eu terei companhia nessa aventura diária
 

Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina
Mariana GouveiaObdulio Nuñes OrtegaRoseli Pedroso

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

19 comentários em “Limites da civilização

  1. Uau! Nem parece São Paulo, ainda mais um bairro nobre como o de Moema. E espantoso ter um imóvel nessas condições. Mas as fotos ficaram incríveis e a sua referência a Hopper foi muito interessante.

    1. Eu já me espantei mais, cara mia.
      Hoje já não mais, apenas observo por saber que breve será a existência.
      A qualquer momento desaba ou cede lugar a alguma construção fantasmagórica

  2. Adorei as fotos, foi como espiar telas de Hopper (que eu só conheci graças a você) mas com os seus olhos.

  3. PRA além das ruínas de templos e habitações, das histórias perdidas entre cômodos e paredes deterioradas, vejo sempre acender a esperança de, terminada a nossa jornada na Terra como espécie, restará a vida. Nem que seja em forma de mato…

  4. Eu gosto dessa maneira como você enxerga a realidade urbana e entendo a sua ligação com o Hopper. Acho poética. Eu nunca estive em uma exposição dele, só vi as telas na internet. Fico imaginando como será ver pessoalmente, dentro daquela distância regulamentar nos museus. Deve ser incrível.
    Eu me lembro de um dos seus primeiros posts, no outro blog, falando do seu encantamento diante das telas dele, em Paris. E agora, olhando para essa casa. Que loucura, isso. Essa comparação, me fez pensar em alguém sentado ali na escada, a ler um livro, jornal, sei lá.

  5. Uau! Lindas fotos! Eu teria medo de adentrar tanto ou mesmo de tirar a câmera/celular do bolso para fotografar um local aparentemente deserto – Nunca se sabe quando o mais perigoso dos animais, que ironicamente pertence a nossa espécie, estará à espreita para praticar alguma maldade, ainda mais em locais assim, desertos. Fora isso, realmente um lugar lindo.

    1. Eu não tenho medo do que irie encontrar, minha cara… se tem uma coisa que eu aprendi em tempos de aventuras foi que o medo atraí criaturas (humanas, geralmente). O cheiro modifica e nos faz vítimas. E o meu senso de aventura sempre foi maior que o medo. rs

    1. Ah, que como gritam, minha cara. E eu adoro pensar no que serão quando o momento chegar e o papel se oferecer ao risco… A Casa de Alice surgiu de uma dessas construções urbanas de Sampa.

  6. Estou encantada com essas fotos! Acho que foi aqui mesmo que já comentei uma vez que adoro casas antigas, caminhar pela cidade e encontrar essas raridades e ficar imaginando as histórias que se passaram por ali… Aqui na minha cidade tem uma casa em especial que eu sou apaixonada. E ela até está bem conservada, mas tenho a impressão que a qualquer momento ela perderá seu lugar para um prédio, como você disse. Uma pena.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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