Minha última leitura…

Quando o seu trabalho envolve a leitura de manuscritos que podem ou não virar livros… o ato de ler ganha outro sentido-dimensão.
Na semana que passou… li alguns manuscritos e um deles me pediu especial atenção, enquanto o outro, foi descartado. Na noite de sábado uma sequência de poemas chegaram a minha caixa de entrada e eu li — num piscar de olhos — quarenta e seis páginas. Material intenso, urbano, febril e feminino… como tanto gosto.
Aprendi – e isso, hoje, também orienta a leitura de livros prontos -, que um manuscrito deve te seduzir no primeiro olhar… é a melhor definição de amor a primeira vista que conheço e a única que aceito — por considerar esse tema propício a certos filmes-livros-novelas. Sou leitora de Jane Austen e gosto do amor a segunda-terceira vista. O dia seguinte a colisão de corpos. Não gosto de primeiras impressões… até, por isso, demorei para aceitar que existem livros que não são para mim.
Mas, depois de ler um manuscrito e, às vezes, esmiuçá-lo… preciso ler um livro pronto. Na semana passada – por teimosia e uma dose extra e insistência -, tentei ler Loney, de Andrew Michael Hurley – um romance que foi agraciado com o Costa Book Awards 2015 e considerado livro do ano no Reino Unido pela Bookseller. Claro que prêmios não asseguram qualidade… mas o que me chamou a atenção foi o título, a capa e a premissa escolhida pelo autor… “que animal em fúria, a sua hora enfim chegada, Rasteja até Belém para nascer?” Yeats.
Mas se o livro tirou o sono do jornalista do Daily Telegraph… eu sofri do efeito contrário. Além de não conseguir avançar na leitura das páginas seguintes ao primeiro capítulo, adormeci no sofá. E, ao despertar, tratei de devolvê-lo à prateleira.. pela terceira vez. Constatei que essa história-lenta e insossa — definitivamente — não se passa em mim.
E depois de tatear outros livros, pousei em “o tempo é um rio que corre“, de Lya Luft… que parece estar sempre a brincar num tear onde cada fio é tempo, memória, sabedoria e a dor adquirida pela vivência. A narrativa é deliciosa e você vai experimentando coisas que não suas, mas que veste bem o corpo-alma-matéria, como se fosse uma peça de roupa — gasta de tanto usar — que lhe veste muito bem.
Dividido em três partes: águas mansas, maré alta e a embocadura do rio, numa espécie de roteiro de uma vida, em que a personagem é a própria autora e vice e versa… o resultado é todo ele laboratorial e depende do leitor se mergulha ou não. Eu fiz o que prefiro… deixei a correnteza me levar — pela segunda vez…

E você, qual foi a sua última leitura?

Maratona literária interative-se de maio
Alê HelgaIsabelle Brum – Mariana Gouveia 
Obdulio Nuñes Ortega – Roseli Pedroso

Publicado por Lunna Guedes

lunnaguedes... sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. detesta dias de sol e ama dias de chuva. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros... a direção na qual a ponta do grafite avança. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

15 comentários em “Minha última leitura…

  1. Tem livros que realmente não nos alcança ou o contrário, nós é que não alcançamos. Sem problemas, a gente segue adiante pois o que não faltam, são livros para serem lidos. Lya Luft é sempre um prazer de se ler. E esse título é lindo demais né?

    1. Ah, eu já me acertei com isso (livros que são pra os outros e não para mim, esse vai para a lista de doação). Agora o título de Lya, lembra Mia Couto e é uma delícia realmente. É a leitura é uma correnteza… recomendo. rs

    2. Concordo com as duas. Esse título é incrível. E eu não conhecia a autora e nem o livro. O conheci aqui, num daqueles posts dos livros a serem lidos no mês e corri comprar. Desde então já li vários outros livros dela. Ela é maravilhosa.

    1. Eu também aprendi isso minha cara… mas eu demorei, viu? Nossa, me torturava por não conseguir alguns livros. Ainda que isso passou.

      Lya Luft também me encanta e esse livro foi uma correnteza…
      bacio

  2. Já me obriguei a caminhar em leituras que nada acrescentaram apenas para dizer “eu li”, hoje aprendi a ser “leitora” e leio apenas por prazer, afinal a vida é curta e há uma enorme listas de desejadosl
    Abraços

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