Da lista dos mais lidos para a minha estante

A maratona literária de maio chega ao fim hoje… e, acho que esse foi o texto-proposta-post mais difícil de elaborar porque eu não sou o tipo de leitora que segue trilhas, indicações ou as famosas listas que se multiplicam na internet.
Mas, sou do tipo que não pode ver um livro em mãos alheias, que faz mil malabarismo para descobrir o título e nome do autor. Talvez, por isso, eu espie a ilha de livros da Livraria da Vila aqui do bairro…
Foi assim que eu descobri a poeta Rupi Kaur e seu livro outros jeitos de usar a boca, que ficou por 40 semanas na lista de mais vendidos do New York Times e ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares vendidos — contrariando a lenda local que insiste em gritar para o mundo que poesia não vende.
Eu gostei da capa e do título, em português. Ao primeiro contato, não imaginei poesias, mas narrativas no melhor estilo Anais Nin. Uma rápida pesquisa na internet e descobri se tratar de uma publicação independente — maneira antiga que se renova nos últimos anos, principalmente para novos autores, que não encontram espaço nas listas das Editoras conceituadas, que insistem nos mesmos nomes de sempre.
O livro lançado em 2014 sob o título de Honey and Milk, ganhou o público e parte da crítica. Rupi Kaur é uma personagem muito ativa nas redes sociais — elemento cada vez mais necessários para os autores contemporâneos — e, por isso, denominada parte da geração de instapoets. Ela também declama suas poesias como spoken word — uma performance artística, que permite ao poeta-música recitar seus versos, dando ritmo a eles.
Mas, o que a fez conhecida foi a censura sofrida em 2015… quando uma fotografia em que era visível uma mancha de sangue menstrual em suas roupas foi banida pelo instagram e acabou gerando um debate a respeito do corpo feminino e da menstruação como um tabu.

se você nasceu com a fraqueza para cair
você nasceu com a força para se levantar —

O título em inglês é uma homenagem à seu povo e as mulheres que sobreviveram ao massacre e saíram desse terror transformadas… suaves como o leite mas densas como o mel. O livro conquistou likes e (dis)likes no mundo inteiro… e, enquanto as leitoras apaixonadas, o defendiam com unhas e dentes, enxergando em cada um dos versos — um pouco de si. O que é natural, uma vez que foi escrito por uma mulher, para mulheres e a partir das dores e vivências femininas. O outro lado — composto por críticos “especialistas” em livros e leituras –, se mobilizaram para atacarem-na… colocando-a no seu devido lugar: o de não-poeta. Enfatizaram que ela escrevia um texto facebookiano ou instagramático. E eu não sei se não repararam ou fingiram não notar que essa foi a proposta de Rupi… desde o início. O lugar que ela encontrou para falar de algo que ressoou em outras tantas iguais, porque ser mulher em pleno século XXI ainda é delicado-difícil-dolorido… para a maioria, que teme andar por ruas vazias e sentem vergonha de falar de si, do corpo, das vontades e desejos.

E você, já leu algum livro de uma dessas listas dos mais lidos?

Maratona literária interative-se de maio
Isabelle Brum – Mariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

9 comentários em “Da lista dos mais lidos para a minha estante

  1. Descobri Rupi Kaur assim também, pela lista dos mais vendidos. Confesso que costumo dar uma olhada nos sucessos editoriais, mas não pauta minhas escolhas necessariamente por eles. Recentemente, um que me chamou bastante a atenção foi ‘Torto arado’, do Itamar Vieira Junior, um livro fantástico!

  2. Eu sei que a tenho comigo, mas quando fui procurá-la, cadê? Deve estar na mão de uma das minhas filhas. A sua postagem me lembrou que devo encontrá-la…

  3. Li Outros jeitos de usar a boca e gostei muito. Como você disse, sendo mulher é natural – e fácil – se identificar com o que ela escreve. Tenho aqui também O que o sol faz com as flores, mas esea ainda não li. Quanto a lista de mais lidos: não é algo que eu acompanhe, então minha percepção se um livro é popular vem de quando o vejo aparecendo repetidamente em instagrams e canais de youtube sobre livros que eu acompanho. E na realidade isso não faz diferença pra mim, porque escolho minhas leituras me baseando apenas um critério: a história me interessa? O tema chamou minha atenção? Se sim, eu leio, estando ou na lista dos mais vendidos.

  4. Eu comecei a ler Outros Jeitos de Usar a Boca no Kindle, mas não cheguei a terminar porque pra mim virou um livro de ler em fatias, mesmo, sabe? Se preciso de pedacinhos de versos, abro, consumo, parto pra outra rapidinho. Acho a construção dele bem legal e me anima saber que incomoda pelo aspecto “instagramável”. Ver o sucesso de quem é criticada por pessoas que se recusam a evoluir é um deleite!

  5. Pra mim é um mistério as alterações dos nomes dos livros, como ‘milk and honey’ passa para ‘outros jeitos de usar a boca’?! Nas grandes editoras que sobrepõem o interesse monetário ao respeito pelo autor, entendo que seja a ‘máquina’ a funcionar, mas sendo uma produção independente.. não entendo!
    De qualquer das formas fiquei curiosa com o livro 🙂

  6. Não escolho minhas leituras baseado nas listas ou nas indicações…Eu leio, simples assim, não importa se é “modinha”, clássico”, só precisa ser um livro…
    Rupi chegou em minhas mãos por acaso, estava participando de um desafio literário e um dos desafios: Ler um livro de poesia, entrei em um desses sites e o dela apareceu logo na primeira opção, comprei pelo titulo e hoje tenho todos…

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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