De um passado ao outro

Enquanto ouvia notícias do mundo contemporâneo e suas guerras de sempre — comecei a imaginar o que diria-escreveria a autora de “diante da dor dos outros”… a respeito da tomada de Cabul pelo Tabibã, se estivesse viva…

Susan foi uma Mulher cheia de opinião e severa na escrita, que não fugia de temas. Estava sempre pronta para se debruçar em um ensaio a respeito das coisas do mundo feito por homens para homens. Ela escreveu sobre a guerra do Iraque e seus desdobramentos. Foi rude com o holocausto e num texto preciso e provocador, apontou questões cruciais para a compreensão da vida contemporânea e, concluiu para surpresa de alguns que tudo depende da maneira como nós, espectadores, encaramos a realidade.

E foi tudo tão rápido em Cabul… como pedem os tempos atuais. Não se pode respirar… a pandemia já tinha nos precavido do perigo que vem pelo ar. E as notícias mantiveram o ritmo… se multiplicaram. Fomos convidados a assistir o horror… transmitido — ao vivo — pelas principais emissoras do mundo. Filme com roteiro conhecido que insistimos em reprisar de tempos em tempos.

Paralisados diante da TV, assistimos a tudo e nada. Mas não quer dizer que compreendemos o que acontece por lá porque não há substituto para a experiência. Baudrillard nos diz que tudo é espetáculo — ou nos diverte ou entristece. E enfatizou que a realidade não existe porque estamos amparados pela ilusão. Susan Sontag vociferou contra essa “verdade”. Mas, o homem que inspirou o personagem Neo — da Matrix — não estava totalmente errado.

O que assistimos na televisão ganha ares de ilusão… que acaba quando mudamos de canal ou encerramos uma conversa. Mas, quem está do outro lado da tela… tentando escapar do gosto amargo que é ser governado pelo medo e o horror não pode fazer o mesmo.

E seguimos presos as teorias de Jean Baudrillard, ouvindo o Talibã falar em respeito e pregar a moderação… enquanto orientam-se por uma interpretação particular de escrituras antigas. Estão confinados em um mundo orientado por um deus — que ironicamente — é a nossa imagem e semelhança… simulacros e simulação!

Nesse Agosto temos b.e.d.a — blog every day august.
Claudia Leonardi Mariana Gouveia
Obdulio Nuñes OrtegaRoseli Pedroso

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

6 comentários em “De um passado ao outro

  1. Vivemos uma cópia mal acabada de uma história mal contada. Não há final feliz porque não existe final. Apenas um eterno repetir de enganos em uma procissão de enganados.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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