6 ON 6 | vistas

Nunca fui de terra-batida, apesar de apreciar trilhas verdes… e amar ouvir as batidas do cuore no cume de uma montanha. Mas o lugar dos meus pés sempre foi o cinza do asfalto. O olhar — desde a infância — acostumou-se a beber das silhuetas dos edifícios urbanos e o corpo a tropeçar em figuras andróginas… a trocar de calçadas em esquinas mal traçadas, movidas por fúrias particulares.

Prefiro, por isso, a Paulicéia de Mário de Andrade e Marcos Rey — que são as mesmas e são outras em tempo-e-espaço, das quais provo-absorvo e uso em minhas andanças contemporâneas. A Buenos Aires de Borges, a Paris de Baudelaire e a Barcelona de Zafón… entre tantos outros logradouros urbanos — onde sou figura estrangeira-estranha a entrar e sair de contornos desengonçados.

E quando saio por aí, o olhar se mantêm atento a tudo que toca-alcança-guarda para depois. É um eterno experimentar urbano.

01 — Fiz essa foto na última vez em que estive na Avenida Paulista… parece que foi em outra vida! Mas foi no ano passado, em fevereiro, alguns dias antes do Carnaval.

02 — Vi esses prédios em dois momentos distintos… antes e depois da reforma. Nos dois momentos, eu estava a caminho do Mercado municipal (o mercadão) e ao olhar para cima, foi como visitar outro lugar-bairro-cidade…

03 — Sai para andar as ruas do bairro e esbarrei nesse desenho de Templo… nunca dei muita atenção para esse recorte urbano. Não sei sua história, como sua construção aconteceu. Pergunto-me se o bairro se orientou ao seu redor ou se surgiu tempos depois. Mas a pergunta feita não fez com que eu quisesse pesquisar e a fotografia aconteceu num clique despreocupado…

04 — tenho paixão por formas inéditas e espaços que fogem ao conceito comum. Olhar através de uma janela e me deparar com universos particulares-urbanos-contraditórios me faz bem porque descontrói todos os ontens que eu coleciono e começo tudo de novo.

05 — atravessar ruas, dobrar esquinas… percorrer calçadas e, no meio do passo esbarrar na primavera que floresceu dento de outra estação!

06 — a infância é esse elemento curioso que vive por aí, em cantos comuns que a cidade reinventa, como se insistisse em nos fazer lembrar do nosso ponto de partida. Não esqueça de onde veio e para onde, em algum momento, irá retornar…

Mariana GouveiaObdulio Nuñes OrtegaRoseli Pedroso

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

12 comentários em “6 ON 6 | vistas

  1. Meu post favorito aqui. Amei todas as fotos, mas as 4 e 6 são as minhas favoritas.
    Ficou tão massa aquele vaso pendurado por fios. não sei qual é a ídeia, mas amei.

  2. Eu adoro os seus posts 6 on 6, já tentei participar, mas em enrolei toda. Nunca dá certo. Mas acompanho sempre os seus e gosto muito muito muito das fotografias que você escolhe. Maneiro.
    Fiquei intrigada com a foto do vaso pendurado por fios. Que doido aquilo.
    Agora, a imagem de Sampa city, uau. Que cidade louca.

  3. Adorava as crônicas de Marcos Rey! Os detalhes de uma São Paulo escancarada, mas jamais mencionada a não ser por ele – de logradouros maiores a menores, como bares de esquina com as gordurosas mas deliciosas coxinhas.

    1. Não li as crônicas de Marcos Rey. Apenas as histórias paulistanas. Adoro Malditos paulistas e outros. E gosto do olhar dele para a cidade de sua escrita. Maravilhoso. Não sou fã de botecos (palavra que parece particular da cidade que bares de esquina. Acho um cenário curioso e peculiar, mas não é para mim.

  4. Me vi caminhando contigo por cada foto… mas, parei na casa com a exibida primavera e lembrei-me de já conhecer esse lugar sob teus olhos.
    Lindas fotos, mas sou suspeita, né?

  5. Como sempre, seus posts de 6 on 6 me encantam! Ao contrário de você, eu não sou do asfalto e sim do verde das montanhas. Provavelmente ter passado a vida toda na minha cidadezinha do interior contribui para isso. Gosto de São Paulo apenas para visitas esporádicas, uma semana na cidade e já quero sair correndo e voltar pro meu cantinho. No entanto, como eu já disse por aqui e não apenas uma vez, a sua versão de São Paulo, seja por suas palavras ou suas fotos, sempre me faz olhar para a cidade com um pouquinho mais de afeto. E a foto 5, minha preferida, me passa a impressão de que poderia tranquilamente ter sido tirada em uma rua aqui da minha cidade.

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