quase primavera

Castelo di Montebello – 2008

Há uma antiga lenda na Escócia afirmava que os jovens que lavassem o rosto no orvalho, antes do nascer do Sol no primeiro dia de primavera, tinham os seus desejos realizados. Especialmente se tais desejos estivessem relacionados ao amor…

Eu adoro lendas… elas se parecem com aqueles cubos de açúcar comprados nos mercados europeus. De tão macios, derretem na boca… e estranhamente me levam de encontro a uma infância que não teve cubos de açúcar.

Eu não fui uma criança triste. Fui uma criança sem cubos de açúcar. Ingrediente pouco usado por nós que não tínhamos o hábito de adoçar nossas bebidas. Para isso, usávamos o mel. Mas tínhamos lá no fundo da parte mais alto do armário — quase inalcançável — um pó branco dentro, guardado dentro do açucareiro e só saia de lá para agradar as visitas que insistiam em adoçar as bebidas-quentes…

Nos meus dias de menina eu ouvi falar de azzurrina — a menina albina que vivia escondida no Castelo di Montebello, que fica na cidade de Torriana, região da Emilia-Romanha — local aberto para visitação graças a lenda da menina de cabelos azuis. A construção que remonta o séc III é de tirar o fôlego.

Nessa época, pessoas albinas eram consideradas diabólicas e para evitar o sofrimento da filha, a mãe pintou os cabelos dela de preto. O resultado foi um cabelo de tom azulado. Proibida de circular… ela desapareceu. Diz a Lenda que ela ainda está por lá — vagando pelos corredores do castelo — e pode ser vista a cada cinco anos, durante o solstício de verão.

Mas a minha Lenda favorita dentre todas as que eu ouvi… é a de La Befana — uma bruxa que se cansou do inverno e 12 dias após o solstício, decidiu celebrar o renascimento da vida. O Cristianismo tentou pôr fim a essa história e como não conseguiu — porque na Itália La Befana é uma data muito mais importante que o Natal — adequou-se a lenda, modificando-a. Mas os hábitos permaneceram inalterados: portas e janelas abertas no dia 06 de janeiro, chão varrido de dentro para fora, vela branca acesa na primeira hora na porta de entrada e um pedaço de bolo é colocado na janela que dá para a rua. E para aqueles que fizeram a sua parte: um punhado de sementes. Para os demais, um pedaço de carvão. A melhor parte dessa lenda é o famoso e delicioso bolo de limão… feitos em todas as casas.

Definitivamente, as Lendas, melhoram a realidade…

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

10 comentários em “quase primavera

  1. Uma dica: nunca dê risada de uma dieta em um blog sobre transtornos alimentares… eu sou uma pessoa compreensiva, mas você pode pisar sem querer em muitos calos por aí.
    Se eu, como você, resolver acreditar em exageros, viverei de joelhos em frente a privada com os dedos na garganta. Mas são as dietas, a terapia e meu blog que me impedem disso.
    Se eu soubesse preservar os limites, não seria bulímica, não seria doente, como diz na apresentação do meu blog, que só posso achar que você não deve ter lido…

    No mais, conheço uma lenda da Suécia que diz que quando você vê um cavalo branco, deve tocar em um dos botões de sua roupa e fazer um pedido. Tem umas bem malucas mesmo por aí.

    1. Que absurdo isso, Flor de Lótus.
      A Lunna é psicanalista, jamais daria risada de um assunto desse tipo.
      Já conversei com ela durante horas a respeito de neuroses e sempre fui ouvida de maneira respeitosa e seus comentários são sempre poéticos e agradáveis.

      Aliás, eu conheci a Lu através de um comentário que ela fez e um blog que eu acompanhava. Certeza de que você se equivocou

      Abraço

    2. A Lunna jamais, nunca mesmo que teria esse tipo de comportamento.
      Você, com certeza, se enganou.

      Pena não ter deixado o link do blog.

    3. Flor de Lotus, boa tarde!
      Há um enorme equivoco aqui.
      Não faço idéia do que está falando quando diz: “nunca dê risada de uma dieta em um blog sobre transtornos alimentares”.
      Não a conheço e embora ache lindo o seu nick name e como não há link, nem sei qual é o seu blogue.
      De qualquer maneira, gostei muito da citação da lenda do cavalo branco na Suécia que eu desconhecia.

      bacio

  2. Hummm, muito bonita a lenda de La Befana e u pouco assustadora a da menina azul. Eu também adoro lendas, mas nunca pensei nelas como pedras de açúcar, nunca coloquei uma na boca, mas já vi em filmes. Minha infância também só teve açúcar branco em açucareiro mesmo.

    Um beijo Catarina
    Denise

  3. Lendas… O que seria de nós sem elas?
    Acho que a realidade em si só, por mais necessária que seja, às vezes se torna muito chata.
    É por isso que amo e aprecio lendas, principalmente na primavera… minha estação da alma.

    Ps. Amei a foto. A lenda de La Befana que eu conhecia era bem diferente, mas eu gostei mais dessa.

    Bisous

  4. Encantadora esta lenda a respeito da primavera. Não conhecia. A da Azzurrina eu já tinha ouvido falar, até fiquei com vontade de conhecer o Castelo. Menina, que foto mais linda. A da La Befana conheço bem, mas apenas a versão católica.
    Lendas são necessárias e AMEI a comparação que fez. Eu quando menina roubava os cubinhos de açúcar e saiu com eles no bolso. Imagine você que eles se dissolviam e eu ficava frustrada. Mas não desistia.

    Bacio

  5. Se tem uma coisa que sinto saudades da minha infância são os cubos de açúcar que minha mãe guardava num pote, na parte mais alta da prateleira. Ela só nos presenteava com um em datas especiais. Não me lembro de como eles chegavam até nós – uma falha que já tentei descobrir – e nunca mais vi. Seu post reativou essa memória.
    Quanto às lendas, tu sabes que eu as vivo, cada uma a sua maneira.
    Mas fugindo do seu texto – delicioso, como sempre – eu até ia comentar sobre o comentário da Flor de Lótus, mas, como não tem o link do referido blog citado no comentário fiquei com preguiça.
    Bacio, bambina.

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