Pão de forma

O que eu gosto na cozinha é a alquimia… lembro-me dos meus olhos a admirar tanto a nonna quanto o mio babo entre ingredientes, combinando-os. Havia qualquer coisa de magia naqueles movimentos. Eu acompanhava tudo… da decisão do que seria feito, a escolha dos utensílios que seriam usados e dos ingredientes. E havia a maneira como tudo acontecia e eu cresci aprendendo que havia pequenos segredos que deveriam ser preservados.

Eles não usavam receitas… era um pouco disso, uma pitada daquilo e tudo era acrescentado numa ordem determinada por instinto. Sem falar nas ferramentas escolhidas de acordo com o instinto — elemento essencial na cozinha.

A nonna certa vez me disse — quando tudo mais no mundo falhar, faça uma receita de pão. O mio babo era o homem das pastas. Diferentes tipos de molhos e cortes de massa. Quando borbulhavam na panela o molho do dia… as paredes de casa reverberavam o aroma dos tomates, alho, cebola e as ervas regadas com um fino de azeite. Eu esticava a mão para receber uma gota avermelhada — minha pequena porção de molho. Era fechar os olhos e reconhecer cada um dos ingredientes ali combinados. O meu favorito sempre foi o molho-salsa com pequenos pedaços de tomates.

Mas herdei a idéia do pão… e hoje escolhi espantar a seriedade que se apoderou do meu corpo, uma massa feita com iogurte natural e manteiga aquecida, uma xícara de água morna, uma colher de sopa de açúcar e uma pitada de sal. Gosto de ver a chuva de trigo peneirado e o resultado da mistura: uma massa esbranquiçada que vai soltando aos poucos dos dedos. Sovar a massa faz bem a mente, aos músculos e nervos.

A nonna dizia que uma boa massa de pão combina todos os quatro elementos: terra, fogo, água e ar… dos quais somos feitos.

O pão de forma é um bocadito trabalhoso. É preciso esticar a massa e dobrar as pontas para dentro, formando um triângulo. Enrolar a partir da ponta mais fina e a cada dobra, apertar com a ponta dos dedos para selar bem até formar um pacotinho. Por fim, acomodar a massa na forma-untada, fechar o punho — como se fosse socar alguém –, e achatar a massa cuidadosamente. Pronto! Espera-se o fermento fazer efeito e leva ao forno por trinta e tantos minutos.

Ah, eu achei esse vídeo no youtube com uma receita parecida e o processo de feitura do pão de forma. Caso interesse, basta seguir a trilha… eu reparei que ele não usa o iogurte natural — ingrediente que eu acrescentei a minha não-receita. rs

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

3 comentários em “Pão de forma

  1. Olha que venho pensando seriamente em fazer meu próprio pão, mas nunca tentei. Bolo eu até me arrisco e saem boas coisas, mas tá aí algo a se experimentar no futuro.

  2. Você sabe que sou apaixonada pelo seu pão… e já vi essa alquimia acontecer na sua cozinha… e o cheiro? Ahh! O cheiro é quase poesia ❤

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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