uma velha casa no bairro

A primeira vez em que esbarrei nessa construção antiga foi num fim de tarde… eu gosto imenso de sair para caminhar para dar movimento aos meus pensamentos — o que permite escrever no ar, nas paredes do corpo… pontuando melhor as minhas futuras-frases.

Essa casinha sobrevivente é uma das minhas paisagens favoritas… e não faço idéia de quanto tempo irá ser parte do bairro. Eu a descobri ao sair do café entre esquinas… e fiz a foto com o celular.

A pequena casa sobreviveu a remodelação do lugar e acabou espremida entre edifícios. Não posso dizê-la abandonada. Mas eu nunca vi pessoa-viva por lá.

Na última vez em que a fotografei, uma senhora-moradora-vizinha ralhou com a situação da casa: “está por cair essa coisa velha” — na opinião dela apenas uma possibilidade: demolição. Eu não disse palavra… respirei fundo e fiz minhas fotografias, conscientes de que poderiam ser as últimas. Queria preservar os contornos enquanto imagino histórias.

Nunca se sabe quando um personagem precisará de uma velha casa para agasalhar suas histórias…

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

4 comentários em “uma velha casa no bairro

  1. Eu adoro construções assim, minha cidade ainda tem muitas delas, mas já teve muito mais. Aos poucos vão dando lugar aos prédios, porque a grande maioria das pessoas, assim com a tal vizinha, só pensa em “coisa velha” e “demolição” quando olha pra elas. Já eu, até consigo me imaginar vivendo aí… e imagino também quantas histórias essas paredes já viram.

  2. Na rua de trás aqui em meu bairro temos uma casa grande, bonita e de esquina na mesma situação. Dizem que o dono faleceu e não deixou herdeiros. Outros dizem que está em disputa judicial. Ademais, sinto uma certa tristeza ao ver que aqui na minha querida SJP cada vez mais os prédios tomam conta das casas antigas. É um pedaço da minha infância que vai embora junto de certa maneira.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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