O livro da minha vida

Na tarde de ontem, uma publicação no Instagram chamou a minha atenção! — intitulada os livros da minha infância, a autora dos post, exibia a foto de cinco livros lidos por ela… em sua meninice. Eram livros cheios de figuras coloridas e meia dúzia de frases curtas, contando histórias de ursos, formigas e abelhas.

Voltei no tempo, recordando os meus dias, na escola. A professora — enfiada em um avental branco com dois bolsos grandes, um de cada lado —, avisou aos alunos que ao terminar as tarefas do dia, teríamos direito a um livro da caixa-colorida, deixada ao lado do armário onde ela guardava os materiais usadas em aula, incluindo os nossos cadernos.

Animada com a possibilidade… embarquei na infeliz atividade de círculos, retas e traços — típicas para quem precisava aprender como domar o lápis. Uma chatice para alguém que já sabia escrever palavras várias e formar frases inteiras.

Finalizei em poucos minutos… e fui da alegria — de ir atrás de um livro — à decepção — de me deparar com livrinhos coloridos com histórias narradas em meia dúzia de linhas — em míseros segundos. Respirei fundo, como quem morre e cruzei os braços a frente do corpo. Devolvi o livro na caixa e com a cara fechada voltei para o meu lugar…

E após me certificar que estava fora de alcance do olhar da professora, puxei — de dentro da mochila — o meu livro-favorito: poesias de Emily Dickinson… com seus versos bilíngues, lidos a exaustão.

Meu primeiro contato com a poesia foi através da poeta estadunidense… um livro de capa verde que exibia em suas páginas: vinte e poucos poemas, em inglês. C., me ajudou a ler… ensinou o significado de algumas palavras e como pronunciá-las. A emoção fez o resto…

Alguns meses depois, ganhei meu próprio livro de poemas, em versão bilíngue. Lido incontáveis vezes. Alguns eu decorei alguns. Outros eu transcrevi… como se eu pichasse muros ou tatuasse a própria pele.

I’m Nobody! Who are you?
Are you – Nobody – too?
Then there’s a pair of us!
Don’t tell! they’d advertise – you know!

How dreary – to be – Somebody!
How public – like a Frog –
To tell one’s name – the livelong June –
To an admiring Bog!

Mariana Gouveia

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

4 comentários em “O livro da minha vida

  1. Consegui acessar o blog e tentando deixar um alô para minha amiga Lunna
    Tenho lido suas crônicas poéticas no e-mail,mas o celular não me ajuda muito a deixar comentários.
    Gosto muito das fotos também_ qualquer dia peço emprestado uma dessas rs a do livro de Emily Dickinson está belíssima .
    Seus livros e tudo que escreve é muito gostoso de ler e me faz muito bem.
    grande abraço, vamos ver se recebe a mensagem.
    Beijinhos.

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