Dia 08 de março, um marco infinito para todas as Mulheres

Não nos dêem flores — nos dêem as mãos

Março é considerado — atualmente — o mês das mulheres… antes disso, no entanto, era dedicado ao deus romano da guerra Martius e, por ser, durante muito tempo, o primeiro mês do ano… parece justo que seja atribuído a nós… mulheres-guerreiras nas batalhas diárias por Direitos primários.

No dia 08 — número do infinito — acontece o tão questionado Dia internacional das mulheres. A data não é comerical, como muitas pensam e está impregnada de referências históricas importantes para a luta feminista…

Se fosse para traçar uma linha reta… seria impossível mencionar um único dia. Teríamos que mapear fatos, momentos e grandes acontecimentos, ocorridos por toda a parte. As mulheres queriam votar, ter melhores condições de vida, segurança e de trabalho; direito ao estudo e a liberdade. E muita coisa foi conquistada ao longo dos anos. Mas, é inegável que ainda há muito por se conquistar e, pior, será necessária muita luta para que cada direito alcançado, não nos seja retirado…

A data serve atualmente para nos lembrar que é preciso vigiar as conquistas e não para lembrar quem somos ou o que somos num mundo de homens. Há tempos que movimentos religiosos, instigados pelo patriarco se levantam e atacam as feministas, enchicalhando-as, como se fossem uma praga. É bastante comum ver mulheres aderirem ao côro, como se as feministas fossem suas inimigas. Talvez fosse diferente, se compreendesse o legado deixado por nossas antepassadas, que foram às ruas, por todas nós.

E foi pensando nas gerações seguintes…

que as primeiras manifestações aconteceram

Em Nova York, no ano de 1909, foi escolhido o último domingo de fevereiro, que ficaria conhecido como o Dia da Mulher, para a primeira passeata de mulheres… Mais de 15 mil marcharam pela cidade. Na época, a jornada de trabalho era de 16 horas/diárias, seis dias por semana e, por vezes, incluiam os domingos. Elas marcharam e pediram a adesão dos homens. A maioria, no entanto, cruzou os braços e deu de ombros para o movimento. A data seguiu sendo utilizada para ações feministas até 1913.

Em 1910 crescia o movimento nas fábricas na Europa… e foi proposto pela alemã Clara Zetkin uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, criando uma jornada anual de manifestações. A primeira reunião aconteceria em 19 de março de 1911 visando pressionar o governo pelas demandas da luta feministas. Mais de 100 mulheres — de 17 diferentes nacionalidades — participaram, resultando em comícios com milhares de pessoas na Alemanha, Dinamarca e Suiça que buscavam pelo direito de votar, frequentar formações profissionais, ocupar cargos públicos e pelo fim da discriminação da mulher no ambiente de trabalho.

Em 1917 aconteceu o primeiro e talvez o mais importante 8 de março… quando mulheres dirigiram-se às centenas, de fábrica em fábrica, chamando operárias para a greve e se envolvendo em violentos confrontos com a polícia e com os soldados. Sem qualificação, com baixa remuneração, trabalhando de doze a treze horas por dia, em condições de higiene precárias e insalubres — exigiam solidariedade e ação por parte dos homens. Especialmente dos que trabalhavam com engenharia qualificada e em fábricas metalúrgicas, considerados como os politicamente mais conscientes e a força de trabalho mais poderosa da cidade. As mulheres jogaram paus, pedras e bolas de neve nas janelas das fábricas e forçavam sua entrada nos lugares de trabalho, pedindo pelo fim da guerra e pelo retorno de seus homens que estavam no front.

A Rússia de antes de 1917 era uma sociedade predominantemente camponesa; a autoridade total do czar era consagrada e reforçada pela Igreja e se refletia na instituição da família. O casamento e o divórcio estavam sob controle religioso; as mulheres eram legalmente subordinadas, consideradas como propriedades e menos do que humanas: “Pensei ter visto duas pessoas, mas era apenas um homem e sua esposa”. O poder masculino sobre a unidade doméstica era total e esperava-se das mulheres que aceitassem condições brutais, passadas de pai para o marido e que as fazia frequentemente alvo de violência sancionada.

A Revolução de Fevereiro — como ficou conhecida na Rússia — conduziu a uma renovada campanha feminista pelo sufrágio universal, concedido, em julho de 1917. Para a maioria das mulheres, no entanto, o direito ao voto fazia pouca diferença em suas vidas, ainda dominadas pela escassez, pelas longas jornadas de trabalho e por batalhas para manterem suas famílias unidas.

Em 1975 o 08 de Março foi oficializado pela ONU visando lembrar as conquistas e politicas públicas e sociais. Em cem anos de luta, pouca coisa mudou. Os problemas persistem. Mulheres ainda são minorias, são agreditas por falas, gestos e atos. São vítimas de machismo e acabam mortas por seus parceiros diariamente no Brasil e no mundo. As condições de trabalho continuam sendo piores para as mulheres.

Há muito o que ser discutido e muitos temas a serem considerados.

Mas uma evolução aconteceu… hoje os assuntos são discutidos e não ficam mais limitados a 04 paredes, como antes. Mas é preciso avançar pautas: como o aborto, o feminicio. Gritar contra falas repulsivas de certos senhores públicos e ocupar espaços de discussão como câmaras de vereadores, deputados e o senado… Repelindo todos os que insistem em ditar regras para os corpos femininos.

E muitas mulheres precisam se conscientizar da importancia da luta feminista. Ninguém deve dizer a uma mulher o que ela fará com sua vida. O que o Movimento, desde o primeiro encontro, há mais de cem anos, lutou e seguirá lutando é pelo Direito de Ser Mulher.

O Dia 08 de Março sempre será necessário… para nos lembrar da primeira Mulher que decidiu erguer a voz, dizendo: basta. E de todas que ouviram e entenderam que o tempo de calar-se havia ficado para trás. O movimento Feminista, iniciado por nossas ancestrais, foi as ruas e ao contrário do que muitos dizem e replicam por aí, nunca deixou para trás os homens, pelo contrário, sempre os convocou às lutas…

Uma sociedade melhor se faz com igualdade e toda revolução precisa ser Coletiva. Toda mudança impõe desafios… E um novo Homem precisa emergir para caminhar lado a lado com a nova Mulher.

Não queremos flores
Queremos os nossos Direitos reconhecidos.

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

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