os meus rituais de escrita

Não perdi o hábito de escrever diários

Uma das coisas mais difíceis na vida de um escritor é saber pontuar as histórias, atribuindo ritmo à narrativa. Uma das mais ingratas tarefas, sem dúvida, sendo superada apenas pelo desafio da folha em branco, que para muitos é intransponível.

Eu considero o melhor momento… Adoro ver piscar o cursor no canto da tela do word. Respiro fundo e aprecio o instante que desaparece quando os meus dedos começam a tocar as teclas… e as letras vão surgindo na tela num crescente natural.

Comparo ao ato de preparar um prato… escolho os melhores ingredientes e espalho por cima da mesa. Tenho as minhas preferências. Eu gosto de deixar tudo pronto antes de levar a panela ao fogo para aquecer: lavar, descascar, picar… cortar…

Com um texto, tenho consciência de que preciso escolher as melhores palavras para formar frases capazes de lançar o meu leitor no abismo, colocando-o em estado permanente de queda. E não é nada fácil…

Alcançar a excelência de um bom parágrafo exige cortes, recortes, trocas de palavras. Às vezes, é frustrante não alcançar o resultado esperado…

Uma história começa a existir — primeiro — dentro dessa caverna, que sou, enquanto escritora e meu mundo delirante. É tudo secreto-silencioso. A trama vai sendo — lentamente — urdida em malabarismos particulares. De repente, o silêncio se acaba e começam os barulhos — alguns são insuportáveis…

Mas, até me sentar diante da tela para escrever, preciso organizar um sem-fim de pensamentos, traçar centenas de anotações e pesquisar milhares de informações. Para piorar, eu tenho algumas manias intransponíveis… Não sei construir narrativas e diálogos em silêncio, preciso escutar o som da minha própria voz ecoando pelo lugar.

Na hora em que os meus dedos se mostram prontos para o ato final… tenho o meu ritual-particular. Cada escritor tem o seu. Alguns são estranhos, esquisitos, paranoicos, surpreendentes e inacreditáveis. O importante é encontrar um caminho para que a escrita aconteça…

Mas o ato de sentar e escrever, não significa que eu alcancei o meu objetivo maior. Geralmente, o meu primeiro escrito, não passa de uma promessa-que-não-se-cumpre. Alguns escritores preferem abandoná-los, deixando em estado de esquecimento, em cima da mesa, dentro de gavetas ou na tela, a nos encarar de volta…

Eu deixei inúmeros textos em estado de abandono e valeu a pena. Mas, houve os que eu passei horas e horas e horas até ser capaz de ouví-lo sem queixas. É cansativo mas, ao espiar o resultado e ofertá-lo a outro olhar que não o meu, asseguro, é gratificante. 


b.e.d.a — blog every day august — um desafio que surgiu para agitar os dias
de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day

Alê HelgaDarlene ReginaMariana Gouveia
Mãe LiteraturaObdulio Nuñes Ortega

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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