6 on 6 | Crepúsculo

6 on 6

Desde a infância que tenho paixão pela hora do crepúsculo… não me lembro o exato instante em que ao olhar pela janela percebi qualquer coisa de pausa na realidade das coisas humanas. Mas a sensação nunca se perdeu-esvaziou — segue em meus poros.

Estiquei o olhar lá para fora e percebi que havia um exato segundo em que não era mais dia, mas a noite ainda não se fazia presente. Bastava um piscar de olhos e pronto… estalava a escuridão e o dia se dissolvia dentro da hora anterior.

Mas, dentro daquele pulsar fracionado, nenhum movimento acontecia, nem um tic ou tac. Eu puxava um pouco de ar e como quem medita… apreciava o passo que não deixava os pés, o caminho que não se oferecia. A vida que não acontecia. Tudo ficava para depois…

1 – raramente estou na rua… geralmente estou na varanda a apreciar o acender das luzes, mas nesse fim de tarde, havia levado Jane dog para um passeio e adorei perceber as sombras avolumando-se a minha volta…

2 – Em minha varanda a espiar as nuvens, quando sei que o sol está a se despedir da paisagem… mas os seus raios ainda transbordam tímidos…

3 – Vejo as luzes se acenderem nas ruas, calçadas, nos prédios em fila e os farois dos carros…

4 – Ainda não é noite, mas as sombras devoram os prédios, engolindo-os… enquanto no céu, o sol ilumina as nuvens em movimento de ventos…

5 – Nesse dia, eu estava a esperar pela noite… fechei os olhos pra pensar em um poema “louvação da tarde, de Mário de Andrade” e pronto, me deparei com esse momento alaranjado. Ainda não era outono, mas já não era mais verão… embora os calendários afirmassem suas preferências, que não me alcançam…

6 – Às vezes, ao cair da tarde… abro as cortinas-janelas para deixar entrar as sombras e preparo xícaras bem merecidas de cappuccino para celebrar a noite em pequenos goles…

Bells Mariana GouveiaObulio Nuñes OrtegaRoseli Pedroso

Publicado por Lunna

É sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros. Paciência lhe falta desde a infância. Mas sobra-lhe sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecia o silêncio e falas cheias. As que se repetem com facilidade de boca em boca despreza... Lacaniana por opção.... E completamente apaixonada por mulheres que usam a escrita como uma navalha afiada que corta enquanto é carne. Escreve à noite e reescreve pelas manhãs. Gosta de calçadas e corujas. Anda sozinha ou acompanhada, tudo depende da fase... minguante é a sua preferida!

7 comentários em “6 on 6 | Crepúsculo

  1. Teve um dia específico desses que eu estava contigo… na memória, na conversa… foi como se pelo texto e as fotos eu resgatasse esse momento. Posso dizer que maio me fez chorona? Que estou em trovoadas internas? Eu poderia dizer tudo isso em uma missiva, mas acho que vou começar a escrever bilhetes…
    é verdade esse bilete…

    1. eu amo bilhetes… principalmente aqueles sem rastros, incecifráveis…

      Meu bilhetinho para você…
      Anoite a última hora-cheia dessa noite fria. A lua estava linda em seu traço magnifíco. Pensei em você ao ver as estrelas ali, sem identifica-las. Mania estranha essa de dar nome a estrelas-planetas… Pensei em preparar um cappuccino. Virar páginas a cada gole eu vou…

      ok. parei, rá

  2. Mas que post é esse? Que lindas fotos Lu, amei a primeira. Esse balanço, essas sombras.
    Me lembrei de quando era menina e era sempre a última a deixar o parquinho na praça. Morávamos em uma rua reta, sabe? A nossa casa era a da esquina. Eu escapava com o meu irmão menor e ele ía para o escorrega. Eu não gostava. Queria mesmo era balançar, deixar os pés no ar. Era muito bom aqueles momentos no parque. Odiava quando chovia e não podia ir até lá.
    Outro dia passe por lá. A praça ainda existe. Mas os brinquedos não. Pobres crianças, pensei. Se bem que elas preferem celulares para jogar. Credo.

    bisous

  3. Belas fotos Lunna. Outro dia fotografei a minha janela enquadrando esse momento tomado de matizes laranja. Esqueci dessa foto kkkkk Final da postagem acompanhado dessas xícaras de capuccino foi a melhor. Pude sentir novamente o sabor dele em sua companhia. Hummm!!!

  4. Registrar o fenômeno do lusco-fusco, quando a luz é indefinível e perpassa entre os corpos, os vaporizando, é algo raro. E você o fez na quinta foto. O tom ocre ficou absurdamente lindo! Como se a ferrugem consumisse a cidade.

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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