Uma fornada de pães…

Tem certas coisas que são como rituais e eu os repito de tempos em tempos — sempre que alguma coisa acontece no mundo-vida-realidade e a vontade se espalha por todos os meus músculos e nervos, me pedindo qualquer coisa de calma-pausa e eu digo em voz alta, juntando a minha voz a de minha nonna em tempos distintos — vontade de fazer uma receita de pão. É algo bem simples. Busco pela vasilha de alumínio no fundo do armário e os ingredientes na parte alta  trigo, açúcar, ovos, leite, água morna, manteiga, sal, açúcar e fermento.

O curioso é que não existe receita é outra coisa. Recordo a infância, a cozinha com sua mobília, a louça e as panelas. O bule de café e as xícaras ao lado. A janela aberta para o quintal dos fundos, com a roupa a secar ao vento, no varal e os cães a rodopiar na grama.  A nonna dizia que cabia um inteiro numa receita de pão… uma manhã dourada de sol, uma tarde nublada e uma noite de lua cheia. Enquanto sovava a massa, me contava histórias. Soube que tinha aprendido a fazer pães com a nonna… ainda menina. Uma história que se repetia bem ali naquele verão.

Ela dizia com a voz morna… que aprendeu a escutar o próprio corpo para compreender a importância de uma receita de pão. A maneira como juntava os ingredientes com as mãos, sovava a massa e deixava crescer até dobrar de tamanho, para levar ao forno.

Vai tanto de mim nesse ritual: uma vida inteira… e quando o som se espalha pelo ambiente, o tempo volta a contar-somar-mistura: coisas de ontem e hoje. E quando a manteiga derrete na fatia do pão recém saído do forno… eu sei de que matéria sou feita!

Agosto [entre tantas coisas] é o mês do B.E.B.A
e eu terei companhia nessa aventura diária:
Mariana Gouveia – Obdúlio Nunes Ortega – Suzana Martins
Darlene Regina – Mãe Literatura – Alê Helga – Roseli Pedroso

Publicado por Lunna Guedes

Sou sagitariana... degustadora de café. Figura canina e uma típica observadora de pássaros, paisagens, pessoas e lugares. Paciência é algo que me falta desde a infância. Mas sobra sarcasmos para todas as coisas da vida que fazem mais barulhos que cigarras nos troncos das árvores. Aprecio o silêncio e falas cheias, escreve-se em prosa por apreciar a escrita em linha reta. Tenho fases como a lua... sendo a minguante a minha preferida!

3 comentários em “Uma fornada de pães…

Pronto para o diálogo? Eu estou (sempre)

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