Um recorte antigo

Fotografei essa janela em uma manhã nublada em que peguei a câmera e saí para caminhar. Eu morava no Alto da Lapa — um bairro grudado em outros tantos bairros-vilas… coisa bastante comum. Eu tinha algumas trilhas que gostava de percorrer por lá. Uma delas me levava até a Biblioteca Cecília Meireles e seus arredoresContinuar lendo “Um recorte antigo”

10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio

Pois de tudo fica um pouco. | Fica um pouco de teu queixono queixo de  tua filha.  | De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco  |  nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem. Carlos Drummond de Andrade Cara M., Hoje eu vi S. rapidamente… e levei um susto ao reconhecer os contornos dela no sentidoContinuar lendo “10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio”

6 ON 6 | Feitiço

Quando criança aprendi um significado bastante peculiar para a palavra feitiço… e não tinha relação alguma com os desenhos da disney ou as invencionices populares a respeito de bruxarias e santerias. Tinha relação com o que era feito na cozinha: as panelas escolhidas, os ingredientes, o preparo. Sempre tinha pequenos detalhes que faziam a diferençaContinuar lendo “6 ON 6 | Feitiço”

tinha outra janela no meio do caminho

Nos primeiros anos em São Paulo… eu saia com uma câmera a tiracolo e, quando algo chamava a minha atenção, disparava o clique… Foram centenas de registros. Naqueles dias, eu precisava esperar alguns dias pelo resultado. Completar os rolos de filmes… removê-los da câmera e levá-los a um dos espaços para revelá-los. Lembro-me da surpresaContinuar lendo “tinha outra janela no meio do caminho”

09 — Reencontrada em lugares inesperados

Caríssima A., Acordei dentro do breu — ainda madrugada — com o silêncio das alamedas. Que vontade de ir lá para fora… apenas com a roupa do corpo — sem proteções e medos. Ainda não consegui me desvencilhar de certos receios: tenho consciência de que não deixarei de usar máscaras tão cedo, por mais queContinuar lendo “09 — Reencontrada em lugares inesperados”

O fim só é uma palavra para quem nunca morreu ao menos uma vez em vida!

(…) e deixamos de confiar no poema, no poeta ,na metáforae em todas as mentiras neste equinócio,com pronúncia de outono e voz de setembro esquecido [de repente parece que o mundo murchoupara os que amam por acaso nestes dias lentos]. Um poema, de Jorge Pimentapara a estação de setembro Setembro acabou… esse mês, que traz emContinuar lendo “O fim só é uma palavra para quem nunca morreu ao menos uma vez em vida!”

planeta mutante-mutável

Ao ler o Cachorro magro… achei interessante a idéia de revisitar alguns textos antigos — raramente faço isso porque acabo alterando coisas aqui e ali… trocando uma palavra por outra. São textos literários — rascunhos ou ensaios — que podem e devem ser melhorados na leitura seguinte… Mas eu resolvi — antes de começar osContinuar lendo “planeta mutante-mutável”

uma velha casa no bairro

A primeira vez em que esbarrei nessa construção antiga foi num fim de tarde… eu gosto imenso de sair para caminhar para dar movimento aos meus pensamentos — o que permite escrever no ar, nas paredes do corpo… pontuando melhor as minhas futuras-frases. Essa casinha sobrevivente é uma das minhas paisagens favoritas… e não façoContinuar lendo “uma velha casa no bairro”

* outras metamorfoses da memória

Lendo-te ontem… recordei a nossa conversa durante a chuva. Fazia sol no teus quintais e você falou do varal e da roupa por lavar. Depois eu li o texto… e vi a sua foto no instagram. Lembrei-me imediatamente de um personagem da minha infância… Uma criatura com quem aprendi tanto. Foi com ela que euContinuar lendo “* outras metamorfoses da memória”

08 — Ocupar o silêncio da casa

Cara mia, Anoiteceu aqui dentro, cara mia… mas não olhe para os ponteiros do relógio — que insistem em dizer outras horas que não as que trago dentro do peito. Mio cuore — convertido em carrilhão — discorda das horas do dia. Acostumado que está a dar de ombros para a teimosia de Cronos — deusContinuar lendo “08 — Ocupar o silêncio da casa”