A última fotografia

Faz tempo que não saio para a noite com uma câmera em mãos… Tenho saído com o cão, mas não faço registro algum, das coisas que vejo e toco. Apenas vigio os meus passos — um hábito antigo — observo as ranhuras no chão e espio o que brota do cimento. Outro dia, me depareiContinuar lendo “A última fotografia”

Um verbo para esse dia

 …escrevo nessa hora quase cheia. Passa das nove e falta pouco para as dez. Certamente ouvirei o badalar dos ponteiros antes que esse texto alcance a sua última linha. O chá esfria na xícara enquanto eu ouço a minha playlist, que dá ritmo a esse dia recém-desperto e tento lidar com o verbo: ir — perfeito para resumirContinuar lendo “Um verbo para esse dia”

— das minhas insanidades

Comecei a fazer terapia aos doze anos… conselho de C., que percebeu minha angústia… motivada — obviamente — pela escrita em fase de enraizamento. Era confuso para uma menina se multiplicar em tantas figuras-personagens que surgiam em mim e me transformavam em outra pessoa, num piscar de olhos. Um constante vestir e despir de si mesma. Continuar lendo “— das minhas insanidades”

A poesia de Sophia

Não seria certo dizer que gosto de Sophia. Mas, seria errado dizer que não gosto. Tenho um livro dela na prateleira. Mas, dificilmente recorro a ele. Raramente sai do lugar. Lembro-me de tê-lo oferecido a alguém, que não o aceitou. Depois, o coloquei na pilha de livros para seguir viagem para outras mãos.  No últimoContinuar lendo “A poesia de Sophia”

19 — Nenhum caminho tem esse destino

Cara A.a Sentei-me aqui nesta segunda hora, com uma xícara de chá em mãos… para observar a manhã — nublada — deste domingo… o asfalto lá fora ainda guarda resquícios da chuva da madrugada. Faz dias que o sol tenta ultrapassar — sem sucesso — as nuvens. Às vezes, um raio escapa e alcança oContinuar lendo “19 — Nenhum caminho tem esse destino”

6 on 6  |  Em 2021 eu…

Eu aterrissei em 2022… segundo o calendário. Mas lá fora nada mudou. O mundo continua impregnado pelo caos humano, embora a causa seja um vírus, somos nós o problema… a causa e a consequência. Fui dormir antes da meia-noite e não ouvi fogos, o estouro das rolhas, as comemorações. Não estava em paz comigo eContinuar lendo “6 on 6  |  Em 2021 eu…”

Meus olhos de traça

É uma espécie de lembrança que ecoa em minha em minha mente e não sei dizer se é coisa minha ou se é coisa emprestada — herança de frases ditas em voz alta. Estou nesse quarto de piso solto a ranger debaixo da sola do meu calçado e há num canto essa pequena estante comContinuar lendo “Meus olhos de traça”

18 — A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer

Caríssima Mariana, Na tarde de ontem… ao ler Rubem Alves e sua escrita amena e certeira, recordei seus envelopes vermelhos e fui revirar meus baús para reencontrá-la e passar alguns minutos desse janeiro recém chegado na tua companhia. Rubem que escrevia como se estivesse sentado à mesa da cozinha, a esperar pela xícara de caféContinuar lendo “18 — A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer”

Dois mil e vinte e dois…

Eu não sou pessoa de fazer planos e desenhar listas para o tal de ano novo. Não crio expectativas. Não faço promessas, tampouco me rendo a simpatias ou rezas. Não como lentilhas. Não me visto de branco… e definitivamente não solto fogos. Prefiro passar a limpo o conjunto de vivências para apreciar tudo que seContinuar lendo “Dois mil e vinte e dois…”

17 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos

Cara A.a Manhã de domingo — a última desse ano doido-duplo e o sol de verão expulsa-me da varanda… ouço o som do quicar de uma bola de basquete numa quadra da vizinhança, que soa como o tic tac de um relógio em sincronia com os meus batimentos cardíacos. Leio notícias do mundo e faltaContinuar lendo “17 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos”