Café para Doidos & Loucos

Café para Doidos & Loucos

A minha escrita é movimento e gosto imenso de sair para as ruas sem destino, apreciando a paisagem, as pessoas, o efeito dos ventos, a anatomia dos prédios e a geografia das coisas…
Guardo tudo para depois, quando adentro o café entre esquinas, peço um Café e escrevo entre goles…

Sampa, 469

panamérica de Áfricas utópicas… São Paulo é uma cidade logarítmica… com centenas de portões incumbidos de manter inúmeras pessoas do lado de fora e outras tantas do lado de dentro. Milhares de carros, passos e olhares passam pelas mesmas vias, todos os dias, num atropelo desenfreado de movimentos. Os congestionamentos batem recordes e são uma…

Como será a volta dos nossos encontros literários?

O primeiro evento que realizei em São Paulo foi um Sarau… Acertamos tudo com o Fran´s Café do Alto da Lapa — uma antiga casa convertida em Café… lugar pequeno, aconchegante e agradável. Convidamos meia dúzia de artistas conhecidos. O lugar lotou-transbordou e percebemos que tínhamos vocação para encontros insanos… Todos ficaram empolgados e satisfeitos……

O uso do notebook na escrita

Conversava há pouco com uma colega de profissão e ela reclamava das modernidades que nos atingem. Imaginei como seria a discussão se acontecesse um século antes… com o aparecimento da moderna máquina de escrever e sua poderosa rajada de letras… Foi em uma dessas máquinas que aprendi a usar o teclado, posicionando todos os dedos…

Cultura deve renascer em 2023 com Lula e a volta do ministério

Num país continental como o Brasil — dividido entre esquerda e direita; ainda que não faça sentido para quem entenda um pouco de geopolítica — na Cultura percebe-se o efeito direto dessa polarização que privilegia as distorções político-sociais… Todos têm suas opiniões sobre os mais diversos assuntos nesse cenário. Não que estejam dispostos ao diálogo…

Amigo Secreto

E chegamos a famosa época do ano em que se sorteia os amigos secretos nas escolas, empresas, casas… onde tiver um grupo de pessoas animadas e dispostas. Trata-se de uma brincadeira dentro dos dias de dezembro. Mas, às vezes, algo dá errado e a coisa não acaba bem. Eu participei de alguns — quando não…

Aos cuidados do meio-dia…

Coloquei a água no fogo e comecei a separar as folhas de hortelã. Aroma delicado de folha verde no Ar. Fechei os olhos e voltei algumas casas, como naquele jogo da infância em que se joga o dado e avança o peão. Vez ou outra, o tabuleiro manda você recuar não sei quantas casas. Eu…

hoje dei por mim e estava feliz

Meio dia no relógio dos homens e chove lá fora… Novembro é assim mesmo pra mim. Chove todos os dias – uns mais que os outros. Mas chove… Os guarda chuvas desfilam pelas calçadas, atravessam ruas, enroscam-se uns nos outros. Uns vão mais rápidos… Outros mais lentos. Chove… Às vezes, pela manhã! E quando penso…

* Aprendi com as palavras o que eu não consegui com as asas: voar!

* Suzana Martins (In)Versus Eu sou uma criatura silenciosa — não gosto de barulhos e de sons infernais. Na infância eu sofria horrores com o grito das outras crianças. Até hoje me incomoda. Reverbera por todos os cantos da pele-alma… E repito certos gestos: fecho os olhos ou removo os óculos — que aprendi com…

* E mil orações aos céus para a vida apagar de uma vez

* Flávia Côrtes, As Estações Enquanto aguardava pela infusão do chá… Olhei em volta e dei pelo silêncio dos cômodos. O canto do sofá à minha espera. O caos na minha mesa de trabalho e a disciplina da cozinha. Tudo em ordem… Respirei fundo, sentindo o aroma do mate no ar e comecei a escrever…

* A carta foi escrita com os espinhos que ninguém plantou.

* Mariana Gouveia, As Estações Em 1991 eu completei dez anos — minha primeira década de vida. Foi um ano maluco… de transições. Eu precisei escrever uma carta para o meu futuro, que naquele ano estava personificado na figura de um homem sisudo, farto de carnes e com um linguajar engessado. Enquanto eu o ouvia,…

* Enrolo em laços e fitas a linha do tempo presente

* Nirlei Maria Oliveira (palavr(Ar) Estava na varanda a observar os movimentos nesse pós-feriado — tudo ainda tão lento, sem ritmo… Os raios solares lambiam a fachada dos prédios inanimados da Alameda e resvalaram — caprichosamente — em duas criaturas com os passos encaixados num caminhar lento e despreocupado do outro lado da rua. Seguiam…

* Coração transplantado procurando resquícios do que já foi humano

 * Lua Souza (estratosférica) Uma das coisas que marcou a minha infância foi o sumiço da menina no Parque — que chegou à cidade e começou a semear seus brinquedos… numa área livre. Uma das últimas, na vila em que morava. Em dois dias de trabalho, brotaram do chão: roda gigante, carrossel, xícaras malucas, carrinho…

* me despi de tudo desisti do arrependimento faria tudo de novo

* Adriana Aneli (o sol da tarde) Ler Susan Sontag me faz viajar por um mundo que não é meu… mas é como se eu fosse um asteróide a vagar no espaço e, de repente, entramos em rota de colisão. Gosto imenso de traçar paralelos entre as nossas vivências. Somos figuras tão diferentes. Ela gostava…

* Pode chover a qualquer hora e o sol surgir forte em minha manhã laranja,

* Mariana Gouveia (o lado de dentro) Ao ler o poema escrito por Mariana Gouveia nas primeiras horas de céu azul e sol forte na manhã de hoje… fui revirar minhas coisas, como se fosse uma manhã de sábado. Eu troco os dias de lugares e isso não é novidade e como havia um feriado…

* não dá para ser perfeito com defeito humano já vem ser: traço falho

* Rozana Gastaldi Cominal (Mulheres que voam) A história das Mulheres é feita de frases infelizes, ditas por muitos homens, como o modernista Mário de Andrade, que se dirigia a uma poeta mulher, negra e pobre apenas por chamamentos infantis. Era a maneira dele — e não era o único, claro — de diminuí-la e…

* ainda há silêncio nessas horas pequenas

* Nirlei Maria Oliveira palavr(Ar) Há dias em que quero que o mundo todo se acabe. Como naquelas cenas finais de filmes apocalípticos em que quase ninguém sobrevive. Há falas em demasia nesse século que já nem é tão novo. Perceberam o cheiro de mofo, no ar? Pior, todo mundo nesse tempo sabe tudo, entende…

* confesso não percebi o momento de nossas mãos algemadas

* Adriana Aneli (o sol da tarde) Eu não entendi a notícia quando a recebi pela manhã. Gal Costa morreu… eu li a frase e foi como ter nuvens nos olhos. Não fez sentido. Demorei alguns minutos ali, a olhar as palavras todas juntas, uma frase única. Fui checar a informação, como sempre faço e…

Guardo-te na caixa dos segredos como se joia fosse… espio-te com lupas microscópicas

* Mariana Gouveia (o lado de dentro) Ele tinha belos olhos castanhos, agudos… os cabelos dourados de sol e o mais belo dos sorrisos. A., era um menino quieto, de poucas falas e, gentil… como poucos meninos sabem ser. Nos encontramos em sala de aula… dividimos a mesma mesa e trocamos olhares enviesados-rápidos seguido por…

* Duas vezes me findei antes do fim

* Emily Dickinson — tradução Jorge de Senna Acordei cedo e coloquei as coisas todas nos seus devidos lugares, devolvendo o livro de Sena a prateleira — não sem antes ler mais um ou dois poemas. Fui para a varanda aproveitar o sol da manhã. Fazia frio na sombra… E, ao olhar lá para fora,…

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