Projeto fotográfico 6 on 6 | minha cidade

São Paulo não é uma cidade… é um cenário-universo-mundo… com suas contradições de espaço-pessoas-figuras. Tudo aqui se mistura. O diferente se iguala-nivela. O igual se atropela-desespera. As cores se apagam. As luzes se acendem.  Janelas se abrem. Portas se fecham. Estações começam e terminam (no mesmo instante). A lua muda de fase. A rua troca de nome-sentido.  Prédios sobem. Casas descem. Ruas mudam de mão. Pessoas chegam e partem. A paixão nasce intensa em uns. Em outros é ódio que se amplia. Em mim é caminho-casa-pedaço… uma cidade…

 

‘Meu São Paulo da garoa, | — Londres das neblinas finas — | Um pobre vem vindo, é rico! | Só bem perto fica pobre, | Passa e torna a ficar rico’.  — Mário de Andrade

 


 

babilônia— São Paulo! Comoção de minha vida… | Os meus amores são flores feitas de original!…
Arlequinal!… 

DSC_0162— Trajes de losangos… Cinza e ouro…  | Luz e bruma… Forno e inverno morno…

2017-04-25 17.42.58— Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes…

sampa— Perfume de Paris… Arys!  | Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal!…

2017-05-11 19.57.53-1— São Paulo! Comoção da minha vida…

IMG_20140503_164550— Galicismo a berrar nos desertos da América.


 

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Frasco de MemóriaO lado de dentro 

Projeto Fotográfico 6 on 6 | Lembranças…

…se tem uma coisa antiga da qual sinto falta são dos velhos ‘álbuns de fotografias’. Havia algo mágico em esperar pela revelação dos rolos de filmes ‘kodak asa 100’, que vinham acondicionados em caixinhas amarelas pequenas, e podiam ter 12, 24 ou 36 exposições.

As fotografias — depois de reveladas — eram entregues em um envelope, onde tinha nome e endereço do feliz proprietário de momentos, que poderia ou não ficar satisfeito com o resultado. Fotos veladas, tremidas, olhos vermelhos, pouca ou muita luz eram efeitos possíveis dos fotógrafos — nada profissionais — de momentos.

C., guardava os álbuns em caixas de camisa ou sapatos… no alto do armário. Vez ou outra, todas as caixas apareciam em cima da mesa da cozinha numa espécie de viagem ao passado porque a gente gosta de lembrar o que viveu-sentiu… talvez apenas para ter certeza de que se viveu e não se esqueceu de que a vida é para ser vivida até o último segundo.

0621 — passeio pelo bairro na companhia dos meus meninos. Adoro passos, pegadas e caminhos… desde a infância. C., dizia que eu tinha mania de olhar para trás para ver se tinha marcado o chão. Adivinha só: ainda faço isso… rs

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2 — Adoro alpendres… com mesa, cadeira, plantas e pratos bem feitos, de preferência com uma pasta ligeira, feita por mim. Molho vermelho desde sempre é o meu preferido… mas não sou dada a horários de almoço ou jantar. Gosto de servir pratos na hora em que a vontade se impõe… vou para a cozinha, separo os ingredientes e meu menino aparece para perguntar:  ‘o que está a aprontar’. Mas a resposta ele só tem quando o prato vai a mesa. rá

2012-11-01-02.02.01.jpg3 — Adoro fazer pão… aprendi com a nona a misturar o trigo, ovos, óleo, açúcar, fermento e leite. A amassar com as mãos, a sovar na mesa… nos dias de junho é ainda mais especial. Fina de estação, de história…

desenhando-sombras.jpg4 — Gosto imenso de cadernos… o meu primeiro diário ganhei de C., que repetiu os gestos de sua mãe. Demorei algum tempo para me dedicar a eles, mas depois não parei mais. A maioria, contudo, não existe mais. Não sobreviveu a minha rebeldia. Hoje tenho outro caderno vermelho e gosto de ali esquecer coisas minhas em frases bem pontuadas.

photo_2016-10-21_17-26-21.jpg5 — minha fase favorita dos escritos, quando são apenas rascunhos que pertencem apenas a mim. São promessas futuras que podem ou não sair dessa condição. Foi assim com Lua de Papel e no atual momento é a condição (ainda definitiva) de ‘vermelho por dentro‘… meu novo-velho romance.

DSC_0035.JPG6 — No próximo dia 11… fará — segundo a nossa lenda — catorze anos que estamos juntos… somos rastros e pegadas nos caminhos que es oferecem aos nossos pés. E só para constar: a única soma que faço é dos abraços e sorrisos.

 

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Frasco de MemóriaO lado de dentro 

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | A ROTINA DO MEU DIA…

Eu costumava dizer que não suporto rotinas… mas, ao admirar meus movimentos de vida, percebi que minha realidade é como minha música favorita — ligada no repeat. Atualmente, vivo na companhia de Carly Simon…

Saio para as ruas, percorro calçadas, escrevo notas mentais-textos futuros. Bebo café-chá-vinho e aprecio os cenários, as pessoas e espero pelo toque de midas, que irá transformar tudo em argumento para as coisas que faço-vivo-sinto…

No mais amanheço, entardeço, anoiteço entre encontros e desencontros… cada dia tem o seu sopor que eu aprecio e admiro.


WhatsApp Image 2017-05-06 at 14.49.50Perceber o dia, a manhã… em seus diferentes estágios de vida-realidade!

WhatsApp Image 2017-05-06 at 15.03.39Alinhavar combinações possíveis-impossíveis… e tentar extrair dela o melhor. Ser como as abelhas — na poesia de Dickinson: ‘uma ambição em pleno vôo de vida’…

WhatsApp Image 2017-05-06 at 15.04.39Rever narrativas antigas-e-novas — novas-e-antigas… rascunhar realidades alheias!

whatsapp-image-2017-05-06-at-14-51-29.jpegPerceber novos personagens… possíveis ensaios futuros! Porque é na realidade que eu alimento o meu imaginário!

whatsapp-image-2017-05-06-at-15-09-52.jpegAbraçar o outro, através das linhas que escrevo… quando a noite se aconchega em meu íntimo com seus matizes insanos…

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Fazer pausas no meio do passo para compreender o ritmo da realidade, que nem sempre é o mesmo do mio cuore! Mas em algum momento acertamos os nossos ponteiros…


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Avesso da CoisaFrasco de MemóriaO lado de dentro — Retratos e Diários

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | TEMA JANELAS

Tenho verdadeiro fascínio por janelas… desde a infância. Creio que tudo começou por volta de meus quatro ou cinco anos, quando me deparava — ao sair as ruas — com duas signoras… devidamente posicionadas em suas janelas de existir. As duas irmãs tinham o hábito de tomar conta da vida alheia. C., tinha verdadeiro horror por elas. Eu, no entanto, nutria certo fascínio por aquela cena corriqueira.
Gostava de espiar os interiores sempre bem cuidados-perfumados das casas. Colhia pouco ou nada: um quadro na parede, uma santa numa espécie de altar e o lustre de gotas de cristal. E a partir disso, imaginava um sem-fim de coisas.
Elas acenavam para mim e eu acenava e volta. Elas sorriam e eu também… mas dado o número de confusões que causavam na nossa rua — graças as suas ‘línguas sempre afiadas’ — C., reprimia qualquer possibilidade de amizade com seu olhar inquisidor.
De qualquer maneira… o meu fascínio pelas janelas abertas-fechadas-acesas-ou-apagadas… já tinha se iniciado… através daquele desenho delicado de realidade… com suas venezianas verdes, que hoje não existem mais.
A casa foi ao chão durante o tempo em que estive longe… deu lugar a um sobrado garboso e muito elegante. Suas janelas vivem fechadas: faça chuva ou faça sol. Nunca mais vi uma só pessoa naquelas janelas… e a casa nem mesmo parece habitada. Mas a minha memória preservou certos traços e sou capaz — se fechar os olhos — de ouvir as fofocas das ‘esquifosas signoras’

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No bairro da Bela Vista, em São Paulo, há inúmeros casarões antigos. A maioria está abandonado e em ruínas… mas ao observar o que resta de suas fechadas, dá para imaginar um passado elegante e simpático…

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No Alto da Lapa… algumas casas do começo do século XX — com datas impressas na fachada de seus imensos casarões — resistem bravamente ao tempo, ao abandono e as invasões! As que ainda não foram demolidas, nos últimos anos, passaram a abrigar asilos.
Essa, situada em esquina, teve seu traço alterado… e a velha janela cor de sangue foi substituída por uma de ferro com pesadas grades…

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Localizado no Centro da cidade, na Praça Ramos de Azevedo… o Teatro Municipal foi inaugurado em 1911 para atender o desejo da elite paulista da época. Seu estilo arquitetônico foi inspirado no Ópera Paris.
Passou por uma grande reforma recentemente, mas infelizmente a ‘cultura do pixo‘ já manchou suas paredes novamente com grafias negras e horrendas.
Eu já fiquei um bom par de horas a espiar suas janelas em estilo colonial e suas estátuas — ‘gargulas’ — que segundo as lendas urbanas, ganham vida durante a noite! Será que dançam pelo Viaduto do Chá?

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A região da Bela Vista é excelente para se observar imóveis antigos, dado ao grande número construções do início do século XX que, ainda se fazem presentes por ali, por quanto tempo, contudo, é impossível dizer.
Localizado entre os números 276 e 286 da Rua Major Diogo… esse prédio um dia foi um elegante sobrado… localizado quase diante do prédio do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Sua lateral e fundos atualmente são ocupadas por um estacionamento {mania local, privilegiar os veículos, que entopem as ruas}… mas o seu interior encontra-se abandonado e em ruínas.

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Na mesma Rua… estão as ruínas de um dos mais importantes Teatros de São Paulo. o TBC — ‘teatro brasileiro de comédia‘ — construído na década de 40 no Bixiga. Foi palco para uma geração empenhada em modernizar as artes cênicas do país. Por lá passaram Cacilda Becker, Paulo Autran, Tonia Carreiro, Walmor Chagas, Sergio Brito e tantos outros. Atualmente, vive a promessa de recuperação…

Geografias poeticas

Enquanto alguns casarões tombam pela cidade… outros são mantidos intactos-preservados… como esse, que fica entre as esquinas do Jardim América (jardins)… um pedaço nobre da cidade. O bairro foi projetado pela dupla de urbanistas Barry Parker e Raymond Unwin, contratada pela Companhia City — empresa de investimentos imobiliários criada em 1912 e que teria papel estratégico no desenvolvimento da cidade.
Localizado em uma região considerada inadequada para a habitação, o bairro surgiu após a drenagem de um milhão de metros quadrados de charcos e pântanos.

Espero que tenham apreciado o passeio pelo minha Paulicéia e seus muitos {estranhos} contrastes…

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Avesso da CoisaFrasco de MemóriaO lado de dentro — Retratos e Diários 

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | TEMA MULHER

Em março, o tema do projeto fotográfico ‘6 on 6’ devido ao calendário é: mulher… e, desde que soube da proposta, apontei a câmera do meu celular para todos os lados, na incerteza do que registrar. Pensei a temática e sua cadência, senti o ritmo e as flutuações do caminho… e nada. Resolvi me orientar em palavras, antes de ir à caça. Ser mulher é quase uma filosofia… porque não se nasce mulher. Torna-se Mulher ao longo da vida. E cada Mulher que floresce nesse jardim denominado realidade é única. Tem estilo, cor, raça… aroma, sensualidade. É firme. É rara. É linda… tem graça. Raiva. É cruel. Diabólica. Imatura. Sensível. Indiferente. Febril. Voraz. Cada mulher é o que o espelho anuncia, mas não é o que estampam as capas de revistas…

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‘as pessoas vão, mas como elas foram sempre ficam’

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‘você disse. se é pra ser. o destino vai nos unir de novo’

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‘eu não fui feita com um incêndio na barriga para que pudesse me apagar’

thais e lu

“você me tocou sem nem precisar me tocar’

lu e taty

‘o amor não é cruel, nós somos cruéis’

projeto paralelo, in lançamento lua de papel

..’não sei dizer quando é que acontece de ‘crescermos’. Acho que ninguém sabe. Sei apenas que não é algo repentino. Não é um estalar de dedos. Um passe de mágica… é gradativo! Tenho pra mim que é algo que vai acontecendo aos poucos… cada atitude nossa é determinante. Cada passo dado gera uma possibilidade, mas acredito que, se você ficar parado, um vento forte vem em sua direção e, te obriga a qualquer coisa de movimento… Absolutamente tudo, no mundo, nos afasta de nós mesmos… nos manda embora, pra longe daquele ‘eu’ que somos ou que pensávamos ser. E assim nos transformamos em outra coisa… é nossa ‘pequena epifania’. — trecho de lua de papel!

Acompanham as fotos tiradas ao longo dos dias… pequenos trechos do livro
outros jeitos de usar a boca‘ de rupi kaur… que combinam com as figuras femininas que são raras-diabólicas-insanas-humnas-amigas… mulher!


Participam também
Avesso da Coisa – Retratos e DiáriosSariando por aí