Personagem: mulher

“Tive consciência de que uma primeira questão se colocava: o que significava para mim ser mulher? Primeiro pensei poder livrar-me disso rápido. Nunca tive sentimento de inferioridade, ninguém me havia dito: “Você pensa assim porque é mulher”; minha feminilidade não me atrapalhava em nada”. — Simone Beavouir, em o “segundo sexo”. Na semana-mês que passouContinuar lendo “Personagem: mulher”

[poemas] Wislawa Szymborska

Quando leio poesia, me demoro nas páginas e no livro. Gosto de percorrer caminhos. Levar a poeta comigo para um passeio — coisa rara nesses dias pandêmicos. O máximo que tenho feito é transitar pelos cômodos do lugar… da varanda para a cozinha-banheiro-quarto-sala. Para essa semana… escolhi poemas de Wislawa, que é uma descoberta recente.Continuar lendo “[poemas] Wislawa Szymborska”

escrever poemas não é boa maneira de atordoar

escrever poemas não é boa maneira de atordoar os tempos do verbo,não é o mesmo que meter a cabeça num buraco abissínio,nem perder algures uma perna e lembrar-se depois de perder ainda a outra:ninguém ganha assim uma barra de ouro,ninguém glorifica o corpo queimando-o com barras de ouro,ninguém transforma assim numa chaga a beleza humana,tóraxContinuar lendo “escrever poemas não é boa maneira de atordoar”

12 | Le cousine di Lunna…

A primeira coisa que faço ao procurar por uma casa… é espiar os contornos da cozinha, por ser a parte da casa onde meu corpo precisa se acomodar. No quarto eu me abandono de qualquer jeito… é o lugar da cama-colchão-travesseiro-armário-edredom e eu não do tipo que gosta de dormir. Sou aquela que acusa cansaçoContinuar lendo “12 | Le cousine di Lunna…”

11 | Vermelho por dentro

Num agosto outro, estava eu a caminhar pelos trilhos da velha ferrovia, equilibrando-me… com os braços bem abertos e o passo certeiro. Não havia destino, era apenas uma brincadeira. O nonno, preferia pisar os dormentes e estar por perto caso eu me desequilibrasse, algo que não chegou a acontecer.Sempre tive paixão por trilhos, trens eContinuar lendo “11 | Vermelho por dentro”

10 | A última refeição…

Quando a execução de uma pessoa condenada a pena de morte se aproxima… é concedido o direito de escolher o que deseja comer em sua última refeição. Dizem por aí que tem relação com a última ceia de Cristo, a famosa Santa Ceia. Baseado nesse costume o artista e fotógrafo especialista em comida neozelandês HenryContinuar lendo “10 | A última refeição…”

09 | ‘poemas canhotos’…

Algumas coisas não acontecem… como esse domingo azul, sem nuvens e com todas as coisas da cidade nos mesmos lugares de sempre. Eu preparei uma xícara de chá e fui me sentar no canto do sofá. Coloquei a minha playlist clássica para tocar e mergulhei nas páginas de ‘poemas canhotos‘ — o último livro escrito porContinuar lendo “09 | ‘poemas canhotos’…”

06 on 06 | A …gosto!

Agosto é um mês curioso para mim… me remete a muitos ontens que eu coleciono dentro. Quando aprendi a recuar o passo e a dizer não em voz alta. Que o tempo é uma ilusão… e não serve para medir vontades-desejos. Que as coisas que realmente importam são as que me fazem lembrar quem sou.Continuar lendo “06 on 06 | A …gosto!”

05 | uma receita de pão…

Tem certas coisas que são como rituais e eu os repito de tempos em tempos — sempre que alguma coisa acontece no mundo-vida-realidade e a vontade se espalha por todos os meus músculos e nervos, me pedindo qualquer coisa de calma-pausa e eu digo em voz alta, juntando a minha voz a de minha nonnaContinuar lendo “05 | uma receita de pão…”

04 | Alice

Começo de uma tarde quente, num tempo anterior a esse, quando sair para encontrar pessoas era uma possibilidade. Quase uma e na agenda do dia… uma lista de coisas anotadas e deixadas para depois… da chuva.Uma curiosidade natural dos nossos encontros. Sempre chovia e a  Alameda… alagava.Eu chegava primeiro… mania antiga. Sou o tipo deContinuar lendo “04 | Alice”