[considerações para um dia nublado]

Eu gosto de gostar… estender a mão para um encaixe e ficar num abraço. De convidar à casa e pôr a mesa. Escolher o prato, o vinho. Servir o café… com biscoitos de leite que derretem na boca, às vezes, na mão — receita antiga que combina coco-trigo-amido-de-milho-e-manteiga.  Mas gosto imenso de não gostar porqueContinuar lendo “[considerações para um dia nublado]”

A casa de Alice

Percorria a Avenida Sumaré com os ouvidos ocupados com as músicas de Lèon e a mente a tecer as linhas de meu romance Alice (uma voz nas pedras) quando avistei essa casa, que um dia foi de alguém… Observei o portão de ferro, a tranca, os degraus, as paredes fragéis, a pixação, a janela… TudoContinuar lendo “A casa de Alice”

29  |  Caetano e seus oitenta fazem eco nos meus quarenta

Eu era menina quando ouvi Caetano pela primeira vez… C., gostava da voz do baiano que precisou deixar o próprio país pelas portas dos fundos por ser contra o sistema — o pior de todos. Uma ditadura… que muitos insistem em dizer que não houve. Como o nazismo alemão e o fascismo italiano. Piscou osContinuar lendo “29  |  Caetano e seus oitenta fazem eco nos meus quarenta”

52 — A alegria é um aroma de tangerina na ponta dos dedos

Lizziê, Sai para caminhar ruas… antes de o dia se exibir com suas cores por cima dos prédios do lugar em que vivo. Sem destino, como eu gosto e prefiro. Hoje era dia de feira no bairro. Todos os movimentos começam mais cedo. Os caminhões se aglomeram ao longo da alameda e as caixas saltamContinuar lendo “52 — A alegria é um aroma de tangerina na ponta dos dedos”

Conto Sete Pecados  | com pasta fere, com pasta será ferido…

Giovana vivia sozinha em seu Studio, no centro de São Paulo. Figura discreta e disponível para ajudar os moradores do prédio que brotava no chão com seus oito andares voltados para o viaduto Major Quedinho, perto da famosa lanchonete do Estadão e a meia dúzia da simpática Avenida São Luiz, por onde adorava passear. MuitoContinuar lendo “Conto Sete Pecados  | com pasta fere, com pasta será ferido…”

Meus naufrágios

É um não-livro! Um calhamaço de páginas onde textos se escrevem, em forma de ensaios-crônicas-diálogos, que levam de encontro a um questionamento natural: de quantos fracassos é feita uma vida? Eu escrevi sem compromisso com a literatura — missivas guardadas em envelopes selados e com um destino: a autora do livro meus desacontecimentos: Eliane BrumContinuar lendo “Meus naufrágios”

Questão de ênfase

Antes de sair de casa, na manhã desta quinta-feira — a última de agosto — saquei da prateleira um de meus livros preferidos-lidos-muitas-vezes nos últimos anos, como forma de oxigenar a mente… porque preciso respirar quando finalizo projetos pessoais. Aproveitei os movimentos da Avenida com nome de pássaros e o silêncio das janelas dos prédiosContinuar lendo “Questão de ênfase”

Uma fornada de pães…

Tem certas coisas que são como rituais e eu os repito de tempos em tempos — sempre que alguma coisa acontece no mundo-vida-realidade e a vontade se espalha por todos os meus músculos e nervos, me pedindo qualquer coisa de calma-pausa e eu digo em voz alta, juntando a minha voz a de minha nonnaContinuar lendo “Uma fornada de pães…”

Igreja da Consolação

Gosto imenso da maneira como a Igreja da Consolação, em pleno coração paulistano, emerge grandiosa do chão… O prédio original foi remodelado para se adequar a região, que passou por uma significante mudança em meados da década de 1930. Em 1922, a Igreja tinha apenas o piso de tijolo, as paredes, o telhado e umaContinuar lendo “Igreja da Consolação”

22  | Escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta

Quando começo a desenhar um personagem… passo horas inteiras a observar a vida em movimento — em busca de certos sinais. Narrativas dependem de pequenos detalhes que apenas a realidade é capaz de ofertar: a cor dos olhos, da pele, o jeito dos gestos, a maneira como o sorriso se precipita nos lábios, o tipoContinuar lendo “22  | Escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta”