Pseudônimo

Quando publiquei o meu primeiro livro — em meados dos anos noventa — assinei com um nome inventado. Não queria ser reconhecida e optei por ficar à sombra da criatura que acabou publicada. Mania italiana… o mistério. Temos uma das maiores autoras contemporâneas que se aproveita desse argumento. Ninguém sabe quem é a pessoa porContinuar lendo “Pseudônimo”

Nem sempre a lápis  |  Caixa de Sapato

É noite lá fora, mas aqui dentro é tudo tão incerto. Os dias são outros, eu sei — estou presa aos dias de ontem e sua solidão de escritas noturnas. Tenho febre. Meu corpo queima. Músculos e nervos também. Escrevo esse punhado de linhas apenas para dizer que o inverno se apoderou de minha matéria.Continuar lendo Nem sempre a lápis  |  Caixa de Sapato

Nem sempre a lápis  |  Igual e diferente de fato

Considerei por muito tempo que algumas coisas da minha infância eram definitivas. Eu estava errada! — mas levei uma vida inteira para admitir o erro. Eu tinha poucos anos quando enfrentei a palavra “diário”… que desfilava com seu dourado traço, na capa de um caderno vermelho. Perdi o ar, a paz e a capacidade deContinuar lendo “Nem sempre a lápis  |  Igual e diferente de fato”

A criança que eu fui…

Sai para caminhar com o cão e me deparei com um signore levando uma criança — sua neta, penso eu — para um passeio matinal. Senti pincelar a pele com um dourado aquecido-gostoso e quase me esqueci que havia chovido a noite toda. Eu fui uma criança quieta — segundo as minhas lendas pessoais eContinuar lendo “A criança que eu fui…”

Nem sempre a lápis  | Noite em branco

Marguerite Duras refletiu que o escritor é“uma contradição absurda, pois escreveré também não falar. É se calar”. Ela despertou sem a consciência de tempo-espaço. Tudo que desejava ao acomodar a cabeça em seu travesseiro, era fechar os olhos e se entregar aos prazeres de uma noite inteira de sono. Mas a mente não obedeceu aContinuar lendo “Nem sempre a lápis  | Noite em branco”

Hoje é segunda-feira…

(…) ela acreditava ter superado a idade de corar, mas certamente  não tinha ultrapassado a idade da emoção. Nada existe neste  momento e neste instante em que nos (des)encontramos. nada existe para além do que nos afasta do que é inevitável.  Esta vida é feita de proximidades e distanciamentos. Há barulho, ruído e distorção.  –Continuar lendo “Hoje é segunda-feira…”

O fim só é uma palavra pra quem nunca morreu ao menos uma vez em vida!

(…)e deixamos de confiar no poema no poeta na metáfora e em todas as mentiras neste equinócio com pronúncia de outono e voz de setembro esquecido [de repente parece que o mundo murchou para os que amam por acaso nestes dias lentos. (…) Um poema, de Jorge Pimenta para a estação de setembro   SetembroContinuar lendo “O fim só é uma palavra pra quem nunca morreu ao menos uma vez em vida!”

26 | s e g u n d a (última)

Neste estado não mundano em que me movimentoMinha Fe e Esperança são diabólica moeda correnteEm mundos falsificados, cunho pequenos donativosEm torno de mim, e troco minha alma por amor. Allen Ginsberg Dia quente. Segunda feira. Impossível dizer que o inverno se foi. O calendário diz que é primavera, desde o dia vinte e três. EContinuar lendo “26 | s e g u n d a (última)”

As estações das quais sou feita…

Há pouco eu vi uma folha desprender-se de uma árvore. Estava no meio do passo, com as mãos guardadas nos bolsos da calça. O pensamento ia a galope. Foi um voo lento… o último. Recordei um poema de miss Emily e cheguei a pensar em correr para recolhê-la em minhas mãos, antes que tocasse oContinuar lendo “As estações das quais sou feita…”

A Casa de Alices

Na noite de ontem, participei de uma palestra para mulheres em um novo espaço. Foi um convite que não pude recusar. A Casa é para mulheres vítimas de maus tratos na periferia paulistana e algumas estão destruídas por dentro, outras apenas por fora, com marcas que desaparecerão em breve. Levei Alice comigo e uma ideiaContinuar lendo “A Casa de Alices”