A última fotografia

Faz tempo que não saio para a noite com uma câmera em mãos… Tenho saído com o cão, mas não faço registro algum, das coisas que vejo e toco. Apenas vigio os meus passos — um hábito antigo — observo as ranhuras no chão e espio o que brota do cimento. Outro dia, me depareiContinuar lendo “A última fotografia”

Um verbo para esse dia

 …escrevo nessa hora quase cheia. Passa das nove e falta pouco para as dez. Certamente ouvirei o badalar dos ponteiros antes que esse texto alcance a sua última linha. O chá esfria na xícara enquanto eu ouço a minha playlist, que dá ritmo a esse dia recém-desperto e tento lidar com o verbo: ir — perfeito para resumirContinuar lendo “Um verbo para esse dia”

— das minhas insanidades

Comecei a fazer terapia aos doze anos… conselho de C., que percebeu minha angústia… motivada — obviamente — pela escrita em fase de enraizamento. Era confuso para uma menina se multiplicar em tantas figuras-personagens que surgiam em mim e me transformavam em outra pessoa, num piscar de olhos. Um constante vestir e despir de si mesma. Continuar lendo “— das minhas insanidades”

Dois mil e vinte e dois…

Eu não sou pessoa de fazer planos e desenhar listas para o tal de ano novo. Não crio expectativas. Não faço promessas, tampouco me rendo a simpatias ou rezas. Não como lentilhas. Não me visto de branco… e definitivamente não solto fogos. Prefiro passar a limpo o conjunto de vivências para apreciar tudo que seContinuar lendo “Dois mil e vinte e dois…”

Uma história de Natal

Eu tinha voltado para casa naquele ano e ainda não tinha me acostumado com os cômodos da minha própria casa, que era o templo da minha infância. Toda vez que eu entrava em meu quarto, ouvia a voz de C., ecoando por dentro: “quando for para a faculdade, esquece que teve um quarto nessa casa”.Continuar lendo “Uma história de Natal”

Eu não sou uma pessoa de Natal…

Eu sou uma pessoa do inverno, mas não sou fã das festas de fim de ano, principalmente do Natal… dezembro em meus tempos de menina era branco e eu gostava imenso de ver a neve cair e de acompanhar as previsões erráticas — sempre tentavam acertar quando a neve iria começar a cair, ráEra comumContinuar lendo “Eu não sou uma pessoa de Natal…”

Avenida Paulista 130 anos

Na primeira vez em que pisei na Avenida Paulista… fazia poucos dias que estava em São Paulo e não sabia quase nada a respeito do principal endereço da cidade. Tinha ouvido falar a respeito… era o endereço o Masp, do Parque Trianon e da maratona de São Silvestre, que começava e terminava em frente aoContinuar lendo “Avenida Paulista 130 anos”

Ainda o quase

Eu sei dos calendários e de seus dias em fila — mas, não sei absolutamente nada das datas que eles anunciam-medem. Conheço a sequência… em idiomas vários. Gosto imenso de Lunedi — em italiano. Miercóles — em espanhol. Friday — em inglês. Dimanche — em francês… mas eu vivo perdida da realidade demarcada por humanos emContinuar lendo “Ainda o quase”

Não há motivos para uma festa à-Gatsby

Em face de outros mil disfarcesque o tempo reassume a cada passo,pode pensar-se em todas essas mãosque emergem como sombras embaçadasem milhares de quartos mobiliados. T.S.Eliot — pág. 79 Li em algum lugar que novembro é a sexta-feira do ano… e como sou aquela “estranha passageira” que não se dá nada bem com calendário eContinuar lendo “Não há motivos para uma festa à-Gatsby”

Quase Quarenta

Aproveitar o tempo!Ah, deixem-me não aproveitar nada!Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!…Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,O pião do garoto, que vai a parar,E oscila, no mesmo movimento que oContinuar lendo “Quase Quarenta”