Categoria: — café para doidos e loucos

Um diálogo sobre o que vejo nas telas — da televisão, computador, cinema — filmes, seriados, novelas… haja café!

BEDA | escrito por uma dama…

valentine

 

Que eu tenho dificuldades com datas, isso não é exatamente uma novidade para quem acompanha esse blogue. Eu me enrosco-tropeço-esqueço em datas de nascimento-morte-comemorativas.

Mas eu soube há pouco que comemoraram o dia do café. Viva. E no próximo vinte e três comemora-se por todos os cantos… o dia mundial do livro.

Eu não me entendo com nada disso… mas o que me agrada é que as publicações se voltam para a data em questão e se esquecem por alguns minutos do assuntos cada vez mais enfadonho do futebol-politica e suas briguinhas de esquerda-direita… volver.

E uma notícia que me aguçou os meus sentidos foi a de um projeto tupiniquim que pretende reimprimir autoras que, em outros tempos, tiveram que se esconder atrás de pseudônimos masculinos. No não tão distante século XIX… uma mulher que se dedicasse a uma atividade intelectual estava cometendo uma transgressão gravíssima.

As mulheres deveriam se ocupar em conquistar um bom esposo e lhe dar filhos.  O lar deveria ser impecável-aconchegante-e-saudável. Uma mulher deveria ser capaz de manter as coisas dentro das quatro paredes de acordo com o padrão determinado pela burguesia.

Havia, no entanto, damas que não se contentavam com essa realidade. Escreviam, mas não se entregavam.  Jane Austen é uma da romancistas mais conhecidas do Reino Unido, mas em vida não assinou um único livro.

Na capa de “Orgulho e Preconceito” anunciava-se apenas… “um romance. em três partes. escrito por uma dama”… 

Outro escritor conhecido foi George Sand — pseudônimo utilizado pela francesa Amandine Dupin — autor(a) de Valentine, entre outros tantos. O escritor russo Ivan Turgenev era um de seus mais ardorosos defensores — e embora não fosse único — foi ele quem disse: “que homem corajoso ela foi, e que boa mulher”.

Amandine Dupin era uma transgressora que causava polêmica em Paris não apenas por escrever, mas por usar roupas masculinas, fumar em público e ter casos amorosos frequentes — coisas permitidas apenas aos homens de família, digo… vocês entenderam!


beda

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BEDA | once and again…

 

Assisti — no meio da tarde —, o primeiro episódio de uma série antiga: ‘once and again‘… que teve míseras e incríveis três temporadas. O enredo — um dos melhores que já vi na televisão —, é sobre pessoas e como se relacionam entre si… a partir de suas realidades alquebradas, pautadas por rupturas e como seus mundos se reorganizam depois disso.

Em cena temos Rick Sammler (Bill Campbell) e Lily Manning (Sela Ward) — duas pessoas que são o resultado das somas feitas ao longo de suas existências.

Lily é mãe de duas meninas… até se deparar com a traição do marido, era uma mulher que vivia para cuidar da casa, de suas filhas e de um futuro seguro para sua família. Depois que tudo desmoronou… restou trabalhar na livraria de sua irmã: ‘my sister´s bookstore’ e aprender a lidar com a solidão o seu não-futuro.

Rick é pai de um adolescente, jogador de basquete e de uma jovem frágil que sonha ver seus pais juntos novamente. Ele é sócio num escritório de arquitetura Sammler/Cassali…  e vive de ter idéias para outras pessoas aproveitarem em seus futuros-sempre-promissores. Depois da separação… assumiu seus fracassos enquanto pessoa-homem-marido-pai e tenta se equilibrar em sua não-vida.

São duas pessoas tentando ser felizes, que se encontram… se descobrem e tentam encontrar uma maneira de entrelaçar suas vidas, independente do que trazem consigo.

O que mais me fascinava nessa série… era ouvir os personagens em narrativas que lembrava monólogos teatrais. Uma cadeira, o fundo escuro. Tudo em preto e branco e as confissões feitas para a câmera… revelavam o que nem sempre conseguiam dizer em cena, como naqueles momentos em que a gente se cala porque a frase poderia gerar desconforto no ouvinte ou porque faltou voz-vontade… ar. A gente percebe que é melhor se calar, respirar fundo e deixar tudo guardado… para depois-nunca-mais.

A série foi ao ar de 1999 a 2002… e foi um dos maiores acertos nesse mundo repleto de seriados insossos. Foi uma das primeiras a retratar a homossexualidade feminina de maneira lúdica-sensível ainda na adolescência. Não houve uma única pessoa que não torceu por Jessie (a menina frágil, anoréxica) e Katie (a melhor amiga, que chega para lhe estender a mão e preencher vazios). Elas tinham muito o que superar até aceitarem-se enquanto duas pessoas que se amam-se-completam e são diferentes num mundo onde o que importa é repetir-se, ser exatamente igual.

Once and again era um desenrolar de afeições… me apaixonei por Sela Ward e sua interpretação perfeita de mãe-mulher-pessoa a lutar por si, pelos filhos, pelo homem que ama, tentando não se perder e ser. E por Bill Campbell e sua interpretação incrível de homem-pessoa-personagem humano… que baixa a cabeça, chora seus medos e admite não saber o quer, qual melhor caminho seguir. Mas, levanta a cabeça e tenta… porque depois da primeira queda, fica mais fácil se levantar.

Cada pessoa-personagem de ‘once and again’ tinha suas questões de vida, com as quais lidar. Eram tão incrivelmente humanas em seus começos-recomeços-e-desfechos que muitas vezes me calaram… restando apenas o soluçar no fundo de si. O seriado terminava e eu ainda estava lá a digerir todos aqueles movimentos em cena… reconhecendo-os…

 

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