Aos teus pés

Sempre gostei de caminhar lugar… saber que o meu passo alcançou determinadas paisagens. Às vezes, me surpreendo com o pensamento a vasculhar a memória em busca da primeira vez em que escolhi um calçado. Lembro-me de me sentar num banco com estofamento escuro e agitar os pés no ar. O jovem atendente da loja deContinuar lendo “Aos teus pés”

32 / 365… — outro capítulo…

Um grande escritor de ficção cria — por meio de atos de imaginação, por meio de uma linguagem que parece inevitável, por meio de formas vividas — um mundo novo, um mundo único, individual: e ao mesmo tempo reage a um mundo , o mundo que o escritor compartilha com outras pessoas, mas que éContinuar lendo “32 / 365… — outro capítulo…”

la sagra della primavera

Hoje eu queria ter comprado flores… apenas pelo prazer de cumprir um antigo ritual. Mas o forte calor não me deixou sair de casa. E mesmo que eu fosse as ruas, percorrer calçadas… os caminhos do bairro não me levariam ao velho Mercado de Flores — perto do mar —, com suas bancas cheias deContinuar lendo “la sagra della primavera”

Amanheceu outubro (de novo)

Setembro foi embora como chegou… trinta dias riscados num calendário-torto. E eu nem sei o que fiz. Não fiquei parada feito os ponteiros do carrilhão da minha infância… que silenciou o pulsar em um outubro-outro. Mas, eu sigo com a sensação de imobilidade no corpo-alma…Talvez porque Outubro — que é o décimo mês no calendárioContinuar lendo “Amanheceu outubro (de novo)”

É setembro no calendário da minha agenda…

É setembro em São Paulo e em diversos lugares do mundo… ao menos é o que diz o rodapé do calendário impresso na primeira página da minha agenda. No calendário gregoriano, inventado pelos cristãos-católicos — a quem o mundo, estranhamente, se rendeu —, o mês de setembro é o nono mês do ano… mas, nãoContinuar lendo “É setembro no calendário da minha agenda…”

10 | os discos da minha infância…

Quando menina eu gostava de espiar as capas dos discos do mio babo… para tentar adivinhar qual deles seria o escolhido para girar na vitrola, na próxima noite de sábado. Era um dos nossos rituais. Ele definia o cardápio… eu e C., saiamos para buscar os ingredientes e à noite… ele escolhia a trilha sonoraContinuar lendo “10 | os discos da minha infância…”

03 | Aquele ontem amanheceu de novo…

“É porque existe o desejo, o olfacto, es o medo, e os vivos apaixonam-sepor outros vivos, e lembram-se, por vezes, do enorme número de mortos;e dentro destes há alguns que os fazem desligar a luz e o trabalho,e o quotidiano aí já não basta, porque o coração tem em certos diasum orçamento incomportável”. Gonçalo M.Continuar lendo “03 | Aquele ontem amanheceu de novo…”

A viagem que se repete dentro…

“Às vezes tudo é tão estranhoque não basta continuar a andar”.Alfonso Barrocal Julho chegou com fortes rajadas de vento e incalculáveis estragos abaixo da linha do Equador. O ano está disposto a não nos dar folga e eu sinto falta dos dias de julho que trago na memória. Tempo de pausa — uma espécie deContinuar lendo “A viagem que se repete dentro…”

O túnel que me esconde

A pior fase da minha infância teve início aos sete anos, quando fui levada pela segunda vez ao Colégio, perto de casa. Na primeira vez não havia dado certo… a idade pouca foi o impedimento. Não interessava que eu já soubesse ler e escrever frases inteiras. Eu era muito nova e não estava pronta para meContinuar lendo “O túnel que me esconde”

É pau, é pedra… é o fim do caminho!

Eu sou toda rituais e por ser assim, desde a infância… é que não dou a mínima para o que diz o calendário e seu estranho combinado de dias inteiros, ou pela metade… com semanas que mal começam e terminam.Certa vez, o mio babo me disse que as datas foram inventadas caprichosamente para nos comprometerContinuar lendo “É pau, é pedra… é o fim do caminho!”